Happy Feet – O Pingüim

Por: Robledo Milani
categorias: Críticas, Película
Data: sábado, 3 de fevereiro de 2007

Uma das animações mais adoráveis da última temporada é “Happy Feet” (“Happy Feet – O Pingüim”). E o mais curioso a respeito dela, e provável causa dos seus méritos inovadores, é que esta produção não vem de um estúdio tradicional no gênero, além de ser a estréia de um veterano realizador neste universo “animado”. Produzido pela Warner Bros., dirigido por George Miller (de sucessos tão díspares quanto “Mad Max” e “Babe”) e com roteiro de John Collee (“Master and Commander: The Far Side of the World”), este filme conseguiu se sair bem tanto junto à crítica quanto com o público, mesmo provido de tão pouca expectativa. Apesar de ter tido um custo relativamente alto, US$ 85 milhões, só nos Estados Unidos arrecadou nas bilheterias quase US$ 200 milhões. Isso sem falar das indicações ao Oscar, ao Bafta, ao Satélite de Ouro e ao Globo de Ouro de Melhor Longa de Animação do Ano e da vitória, também no Globo, de Melhor Canção Original (“The Song of the Heart”, do Prince).


“Happy Feet” conta a história de Mumble, um pingüim que nasce com um dom especial – e com isso, um problema. Apesar de não saber cantar, como todos os iguais da sua espécie, ele possui uma incrível habilidade com os pés, tornando-se assim excelente sapateador. O drama que enfrenta é que, para conquistar uma companheira, os pingüins-imperadores fazem uso do canto como arma de sedução. Mumble até tenta uma nova tática – o sapateado – mas o preconceito dos demais acaba por lhe expulsar do grupo. Os anciões acreditam que são mudanças como a que ele propõe que estão causando a falta de alimentos naturais. Mas nosso herói tem outra teoria: não seriam “alienígenas” (os seres-humanos) os responsáveis por esta nova condição? Sozinho, ele parte em busca de uma resposta, numa jornada em que irá se deparar com novos amigos, muitos perigos e descobertas e feitos até então inimagináveis para um pequeno pingüim.


Se os talentos apresentados na dublagem original são um caso à parte – estão, entre as vozes famosas, nomes como
Elijah Wood, Hugh Jackman, Nicole Kidman e Brittany Murphy – o destaque, assim como foi em “Aladdin” (1992), da Disney, ou em “Robots” (2005), da Fox, é Robin Williams, que aqui se supera mais uma vez ao se desenrolar em dois personagens: o histriônico Ramón e o mítico Lovelace. Ele consegue construir duas personalidades distintas, e ambas igualmente envolventes. E como “Happy Feet” é um ‘semi-musical’, Williams consegue ainda demonstrar seus dotes vocais, tendo como ponto alto a versão latina de “My Way”, do Frank Sinatra. Murphy, em “Somebody to Love”, do Queen, e o dueto entre Jackman e Kidman em “Kiss”, do Prince, também são bem marcantes.


Outro ponto bastante positivo é o engenhoso roteiro, que apesar de um pouco longo e repleto de reviravoltas, consegue transmitir uma poderosa mensagem através de muito bom humor e aventuras vertiginosas, sem nunca chegar a cansar, ou pior, aborrecer o espectador. Ficamos grudados na tela a cada instante, e toda nova situações proposta pelo enredo aumenta a tensão e o consequente prazer em sua resolução. Visualmente impecável, com uma perfeição digital assustadora, possui ainda ação ininterrupta, de tirar o fôlego de qualquer um. “Happy Feet” parece ser mais um produto bem embalado para o público infantil, mas é muito mais do que isso: é uma grande lição de humanidade e consciência ecológica, numa história de amor encantadora.

Happy Feet, Australia/EUA, 2006
(Nota: 9)

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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