“Hancock”

Por: Robledo Milani
categorias: Críticas, Película
Data: sábado, 12 de julho de 2008

Will Smith é simplesmente “o” cara! A cada novo trabalho ele mostra ser único no seu ofício, conseguindo com uma impressionante habilidade unir talento criativo, grandes espetáculos e puro entretenimento – mesmo contra todas as probabilidades. E com “Hancock” ele mostrou mais uma vez porque é apontado atualmente como o mais rentável astro de Hollywood! O filme estreou em primeiro lugar nas bilheterias norte-americanas, arrecadando mais de US$ 100 milhões de dólares em apenas um final de semana. Sabe quando foi a última vez que um longa conseguiu este feito, sem se tratar de uma continuação ou de um remake? Pois então, só o Will consegue!

E “Hancock” nem é um grande filme – mas, pelo contrário, está longe de ser um desperdício. Apenas não é muito bem o que o marketing do estúdio tentou vender ao público nos últimos meses. Ao conferir o trailer que era exibido insistentemente há alguns meses, a impressão que se tinha era de que se tratava de uma comédia escrachada, uma bobagem repleta de ação e efeitos especiais. E sobre o que é, na verdade, “Hancock”? Bem, tem tudo isso acima… e mais! A trama propõe ser mais elaborada, criando uma mitologia inédita para um novo tipo de super-herói, explorando conceitos diferenciados e tentando um olhar mais revigorado sobre esta questão. E quem tenta propor algo novo no controlado cinema norte-americano hoje em dia? Will Smith!

Seria muito mais fácil para ele simplesmente escolher qualquer herói de histórias em quadrinhos para interpretar na tela grande. Com o poder e carisma que possui, até caso escolhesse o Superman se sairia bem. Mas não, acabou optando por algo diferente, e se o resultado não é 100%, a culpa não é dele. Ele está ali, completamente entregue: uma interpretação dedicada, cercado de um elenco com nomes competentes, a melhor equipe técnica disponível e uma data de estréia perfeita – o feriado de 4 de julho, dia que marca a Independência dos Estados Unidos, fim de semana em que ele já foi rei quatro vezes anterioremente (com os dois filmes da série “Homens de Preto”, com “Independence Day” e até com o equivocado “As Loucas Aventuras de James West”, isso sem falar de outros sucessos de sua carreira, como “Eu, Robô” e “Bad Boys II”, que foram lançados no mesmo mês, em outros anos). Espectadores de todo o mundo já sabem: quando o nome dele está na frente do ingresso, a satisfação é garantida!

“Hancock” conta a história de um herói – John Hancock, interpretado por Smith – que é o último da sua espécie. Solitário, acaba pouco se importando com os humanos ao redor, e cada tentativa de cumprir o bem termina por provocar estragos maiores do que suas boas ações. Odiado pela comunidade, encontra num relações públicas a chance de melhorar sua imagem e encontrar um sentido na própria vida. Isso até descobrir que, afinal, não está tão sozinho no mundo como pensava.

Ao seu lado estão Jason Bateman (visto há pouco em “Juno”), que cumpre com eficiência o pouco tempo em cena que lhe cabe, e uma sexy e durona Charlize Theron. A vencedora do Oscar por “Monster – Desejo Assassino” pouco lembra aqui o papel que lhe valeu a tão cobiçada estatueta dourada. Bela de um modo como há muito não se via, Charlize ainda revela com cuidado todo o conflito que seu personagem está enfrentando, sendo ainda responsável pelas grandes e mais importantes reviravoltas do enredo. Ela não é só a mocinha em perigo – aliás, está sim muito longe desta condição!

O grande problema de “Hancock” é tentar propor algo que foge dos padrões já pre-estabelecidos. Muitos irão se confundir com o que é colocado em cena, e desta desorientação poderão surgir as críticas mais intensas. Por outro lado, como o protagonista e produtor Will Smith entende como poucos deste negócio, por mais ousado que seja – como no anterior “Eu Sou a Lenda”, outro sucesso igualmente arriscado, em que passava mais da metade do filme praticamente sozinho, sem contracenar com nenhum outro ator – seus passos são muito bem calculados. E os portos-seguros reconhecíveis estão dispostos por todo o filme. Sendo assim, o pacote é completo: “Hancock” deve agradar aqueles em busca de um bom escapismo regado à pipoca e refrigerante. Mas não se enganem os mais exigentes: há ali, também, elementos suficientes para justificar um olhar mais compenetrado. Afinal, cinema também é fantasia.

Hancock, EUA, 2008
De Peter Berg
Com Will Smith, Charlize Theron, Jason Bateman

(nota 7,5)

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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2 comentários para ““Hancock””

  1. CineRonda » Top 10 Brasil - 07/07/2008 em julho 9th, 2008 at 14:13

    [...] “Hancock” (Sony) estréia – 601.980 público total – [...]

  2. CineRonda » Promoção Hancock em julho 10th, 2008 at 19:54

    [...] Leia aqui a crítica do filme! [...]

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