Ghosts of Girfriends Past

Por: Ale Simas
categorias: Colunas, Pop Coolture
Data: quinta-feira, 11 de junho de 2009

Matthew McConaughey poderia ser considerado o Will Ferrell das comédias românticas. Aquele ator que, por muitas vezes, estamos cansados de ver na tela, mas que, de uma maneira ou de outra, acaba nos conquistando e nos faz gostar do que está sendo contado. Mas o novo “Ghosts of Girfriends Past” mostra que tal comparação chegou ao fim.

O filme, assim como o passado do título, deveria ter ficado pra trás, pois é uma tremenda perda de tempo. Não que Charles Dickens não tenha criado um belo texto, adaptado inúmeras vezes para o cinema e para a televisão em “A Christmas Carol”, mas, aqui, a ideia de uma personagem egoísta e sem coração ser perseguido por fantasmas para reavaliar a própria vida acabou sem alma, perdido nessa grande bagunça que acontece nas quase duas horas intermináveis do longa.

Connor Mead (McCounaghey) é um fotógrafo renomado, que como todo bom clichê da profissão, possui um talento ainda maior para dormir com tudo e todas que vê pela frente. Sua vida é uma grande ilha, mas ele infelizmente não tem o charme de Hugh Grant em “About a Boy” para sustentar tal estilo de vida. Seu irmão mais novo está para casar, e o protagonista, tentando honrar o pouco de ser humano que existe em si, se dirige para o final de semana de ensaios. Lá reencontra sua ex-namorada Jenny (Jennifer Garner), que, diferente de todas as outras mulheres do universo, não apresenta interesse em cair nas suas mentiras. Mas como toda comedia romântica que se preze, o galã está prestes a descobrir que ela é a mulher de seus sonhos. O grande “plot” aqui é que, para isso, ele vai contar com a ajuda dos fantasmas de suas namoradas, um grande plano de Wayne (Michael Douglas ), seu galinha e já falecido tio, que deseja fazer com que Connor perceba que existe mais na vida do que seduzir e dormir com várias mulheres.

Se a premissa do filme era, por si só, deprimente, ver a obra se desenvolver causa ainda mais desconforto. É muito triste ver atores até então com credibilidade se perderem em um trabalho desses. É de conhecimento geral que Hollywood funciona na linha de um filme para o ator, e um filme para o estúdio, mas aqui é impossível descobrir quem saiu ganhando. McConaughey, em um momento, teve a chance de ser um ator respeitado, e é com um aperto no coração que ri nas cenas em que o ator tentava passar alguma emoção. Afinal, talento tem, mas esse foi se perdendo depois de “A Time to Kill”. Seus filmes acabaram todos se transformando na mesma coisa, mudando apenas a locação e a mulher que precisa conquistar.

Jennifer Garner, por outro lado, parecia perdida, e por vezes envergonhada de estar envolvida com o projeto. Não a culpo. Afinal, a parte mais destacada de sua atuação foi descobrir que raios acontecera com sua boca, pois na tela a moça parecia estar sofrendo de uma crise homérica de botox. Ela e McConaughey não possuem química alguma, e todas suas cenas parecem forcadas, além de um tanto quanto patéticas. Michael Douglas consegue se manter divertido, e isso não é grande mérito, pois interpretou apenas um bon vivant com fama de mulherengo, ou seja, simplesmente acordou e foi pro set interpretar a si mesmo.

Os coadjuvantes, por sua vez, foram a grande surpresa. Emma Stone, que esteve presente em “SuperBad”, “The Rocker” e “House Bunny”, está construindo uma carreira à lá Anna Faris, e acredito que possui ainda mais talento. Ela conseguiu arrancar as únicas risadas sinceras da plateia, e mesmo assim foram escassas. Lacey Chabert, que pra mim sempre será a irmã mais nova de “Party of Five”, encarna no filme a versão noiva de sua personagem de “Mean Girls”, e talvez isso devesse contar pra algo, mas não. Breckin Meyer, que ultimamente anda se aventurando pela televisão com participações em “House” e “Robot Chicken”, está sendo mencionado apenas por sua similaridade nasal com Matthew McConaughey (os narizes dos atores realmente são iguais), e essa constatação sozinha oferece a noção do filme a ser encarado. Se você tem tempo pra reparar em narizes, algo esta errado. “Ghosts of Girlfriends Past” é uma ofensa à inteligência da gente. Ele é previsível, medíocre e limitado. E, sim, comédias românticas tem o intuito de descansar o nosso cérebro, mas não de causar morte cerebral.

Leia também:
“Minhas Adoráveis Ex-Namoradas”, por Robledo Milani

Ale Simas mora fora do Brasil já há 5 anos. Os dois primeiros, passou tomando sol em Los Angeles. Nos últimos 3 vem construindo iglus no Canadá, e namorando um urso polar (que prefere não se identificar). No tempo livre, se alimenta nao só de chocolate, mas de filmes, livros, amigos e televisão. Prefere não mencionar música, já que tem a certeza absoluta de que vai ser presa pela quantidade de downloads feitos diariamente. Gosta de coisas toscas, mas também inteligentes. Tosquice é um estado de espírito, já dizia um sábio. Tosco, claro.
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Um comentário para “Ghosts of Girfriends Past”

  1. ca em junho 16th, 2009 at 15:30

    O Will Ferrel faz sempre comédia mas não sempre a mesma.
    Mas esse cara só faz comédia romântica e sempre com a mesma história.
    Eu simplesmente não assisto mais os filmes dele, por que eu já sei o fim.
    beijos

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