“Garota Infernal”

Por: Robledo Milani
categorias: Cinéfilo, Colunas, Críticas, Destaque, Película
Data: terça-feira, 5 de janeiro de 2010

“Garota Infernal” só não pode ser considerado um fracasso porque é uma produção hollywoodiana, e na terra do cinema o idioma local é o som das bilheterias. E como o orçamento foi baixo, o fraco retorno da audiência não prejudicou ninguém. Porém, desprezado pela crítica e ignorado pelo público, este filme é, no mínimo, decepcionante. Talvez as que se saem pior dessa experiência sejam as duas mulheres responsáveis por toda expectativa gerada: a protagonista Megan Fox, em alta após o sucesso dos dois “Transformers”, e a roteirista Diablo Cody, neste que é seu primeiro trabalho após o Oscar conquistado pelo simpático “Juno”.

E após conferir “Garota Infernal”, qual é a avaliação? Megan não tem carisma suficiente para carregar sozinha um longa (ainda mais desprovida de efeitos especiais milionários) e Cody não conseguiu evitar a auto-paródia, terminando por se repetir em diálogos pouco inspirados – salvo poucas exceções – e situação que parecem estar mais a favor de um fetiche pessoal da autora do que a serviço da história que deveria ser contada. A mão fraca da diretora Karyn Kusama (do igualmente decepcionante “Aeon Flux”) colabora no sentimento de desperdício de boas oportunidades, e a participação da bela Amanda Seyfried (“Mamma Mia”), agora enfeiada, é o ponto final em um desastre anunciado.

A trama de “Garota Infernal” é um amontoado de clichês. Tentando ser irônico em cima da onda da fama instantânea e do consumo irresponsável, o enredo segue se aproveitando de temas recorrentes, como vampiros e feitiçaria, mas dessa vez num ambiente escolar e adolescente. Nada original, como se pode ver. Jennifer (Fox) é a menina mais cobiçada do colégio, e apesar de ter todos os rapazes aos seus pés, ela só tem olhos para a nerd Needy (Seyfried), sua melhor amiga. Esta, por sua vez, namora um bobalhão para tentar disfarçar uma paixão platônica pela colega. Certa noite, as duas se separam e a patricinha acaba participando de uma festinha particular com os integrantes de uma banda em ascensão. Só que ao invés de sexo e drogas ela encontra um ritual satânico (eles a oferecem como sacrifício em nome do almejado sucesso profissional). Por fim, o próprio demônio se apodera do corpo dela, obrigando-a a literalmente devorar qualquer um que atravesse seu caminho para se manter viva.

Com um orçamento de US$ 16 milhões (relativamente baixo para os padrões), “Garota Infernal” arrecadou em sua carreira nos cinemas praticamente o mesmo valor. Ou seja, comercialmente sua performance foi inócua. Já a crítica não perdoou, apontando a pretensão da roteirista e os maneirismos do elenco como os principais deslizes da obra. Porém, acredito que num outro contexto, sem tanto alarde, talvez até agradasse uns e outros. Mas há muito que um filme deixou de ser apenas um filme, ainda mais em Hollywood, em que cada nova produção pode significar o rumo ao estrelato ou o ponto mais sujo das sarjetas. E dentro deste julgamento mais severo, a avaliação é bem abaixo da média. Para o bom e para o mal.

Jennifer’s Body, EUA, 2009
De Karyn Kusama
Com Megan Fox, Amanda Seyfried, Johnny Simmons, Adam Brody, J.K.Simmons, Amy Sedaris

(nota 2)

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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