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	<description>Cinema e cultura pop com opinião!</description>
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		<title>“A Viagem de Lucia”</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Sep 2011 23:17:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robledo Milani</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-6671" href="http://www.cineronda.com.br/a-viagem-de-lucia/viagem_lucia"><img class="alignleft size-medium wp-image-6671" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/09/viagem_Lucia-300x190.jpg" alt="" width="300" height="190" /></a>Duas mulheres completamente diferentes uma da outra acabam se encontrando em momentos singulares de suas vidas. Esse reconhecimento é breve e, ao mesmo tempo, profundo. Assim é <strong><em>“A Viagem de Lucia”</em></strong>, uma co-produção entre Argentina e Itália<span id="more-6670"></span>. Dirigido por Stefano Pasetto, o filme tem como maior mérito ser uma obra feminina feita para elas – muito dessa característica vem do fato de ser um roteiro escrito por uma escritora, Veronica Cascelli. Mas mesmo assim a comunicação não se dá por completo – a impressão é de que algo ficou faltando, em ambos os lados da tela.</p>
<p>Como duas pessoas desconhecidas podem, em questão de poucos encontros, se tornarem indispensáveis mutuamente? Isso é o que acontece entre Lea (Francesca Inaudi) e Lucia (Sandra Ceccarelli). A primeira é jovem, libertária, descompromissada. Mantém um relacionamento sem muitos laços com um rapaz tatuador, explode de felicidade a cada contato esporádico do pai ausente e sonha em poder sair da fábrica onde trabalha para poder exercer sua profissão de verdade: bióloga. Já a segunda é mais velha, trabalha como aeromoça, séria e compenetrada, e deseja engravidar do marido – sonho que nunca se realiza devido a uma série de abortos espontâneos que sofre. Tensa e atenta a cada detalhe, após uma chamada telefônica – a do título original – decide retomar suas atividades como professora de piano.</p>
<p>Por instantes lembra da genial obra francesa estrelada por Isabelle Huppert (<strong><em>“A Professora de Piano”</em></strong>, 2001), mas essa rigidez aos poucos será desfeita a partir do convívio entre as duas, mestra e aluna. A relação que começa por acaso, em dois encontros semanais, aos poucos se transforma em algo mais sério e poderoso. O curioso é perceber que isso não acontece apenas por influência dos sentimentos que surgem, e sim devido à fatores externos. Enquanto que Lea recebe um convite para ir trabalhar na Patagônia, Lucia se desaponta cada vez mais com o marido e com a própria vida que tem levado.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-6672" href="http://www.cineronda.com.br/a-viagem-de-lucia/viagem_lucia02"><img class="alignleft size-medium wp-image-6672" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/09/viagem_lucia02-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a>Uma exalta felicidade por todos os lados, ao mesmo tempo em que a outra parece indecisa entre vida e morte, sem saber se quer ir adiante ou se prefere simplesmente desistir. É uma obra sensível, sobre o amor que pode surgir entre duas mulheres em situações bastante específicas. Seriam elas lésbicas? O caso é algo passageiro ou irá alterar suas trajetórias para sempre? Isso o filme não se preocupa em esclarecer, e poucos serão os realmente interessados nessa resposta.</p>
<p>Exibido nos festivais de Toronto, Londres e São Paulo, <strong><em>“A Viagem de Lucia”</em></strong> chega aos cinemas brasileiros sem nenhum reconhecimento internacional de maior destaque. Importante indicativo de que este não é um filme qualquer, mas também não chega a ser inesquecível. Com ritmo lento e sem saber muito ao certo para onde ir, o que termina por se destacar diante os olhos dos espectadores são as duas protagonistas, atrizes que se entregam com muito empenho a algo que nem merecia tamanho esforço.</p>
<p><em>La llamada</em>, Argentina/Itália, 2010<br />
De Stefano Pasetto<br />
Com Francesa Inaudi, Sandra Ceccarelli, César Bordón, Arturo Goetz, Guillermo Pfening</p>
<p><strong>(nota 5)</strong></p>
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		<title>“O Quadragésimo Primeiro”</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Sep 2011 21:59:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Willian Silveira</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-6662" href="http://www.cineronda.com.br/o-quadragesimo-primeiro/41_1"><img class="alignleft size-medium wp-image-6662" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/09/41_1-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>A força de um ideal depende da obstinação dos homens engajados em obtê-lo<span id="more-6661"></span>.</p>
<p>Durante à guerra civil russa, um destacamento de vinte e três soldados do Exército Vermelho perde-se das tropas em algum ponto incerto entre a Europa e a Ásia. O deserto no qual se encontram não lhes exige menos que a resistência ferrenha ao calor e ao frio, igualmente intensos. As vilanias da natureza e do destino somente não são piores porque dentre eles está María Filatovna (Izolda Izvitskaya), uma soldada talentosa que, por atirar com perfeição, gaba-se de nunca ter pressionado o gatilho em vão.</p>
<p>Os dias passam e o deserto parece consumir as forças do grupo comandado pelo bolchevique  Ansenti Yevsyukov (Nikolai Kryuchkov). Contudo, se é verdade que a sorte está a favor da Revolução, então os homens do Exército Branco, comandados pelo tenente Vadim Nikolayevich Govorkha (Oleg Strizhenov), não são outro sinal senão o de que foram mandados como sobrevida aos revolucionários. Requisitada, a destreza de Filatovna entra mais uma vez em ação para abater o “quadragésimo” inimigo. A impecável pontaria faz com que o grupo rival se renda facilmente, resultando em mantimentos para a sequência da caminhada e na prisão do tenente Govorkha, figura importante em um futura negociação.</p>
<p>Baseado no livro homônimo publicado em 1924 do escritor soviético Boris Lavrenyev (1891 &#8211; 1959), <em>“</em><strong><em>O Quadragésimo Primeiro”</em>*</strong> (<em>Sorok pervyy</em>, 1956) é o longa-metragem de estréia do diretor e roteirista soviético Grigori Chukhrai (1921 &#8211; 2001),  mais conhecido pelo premiado <strong><em>“A Balada do Soldado”</em></strong> (<em>Ballada o soldate</em>, 1959). Em seu primeiro trabalho, podemos reconhecer perfeitamente, como era de se esperar, o estilo próprio do cinema soviético – está ali, por exemplo, a recorrente preferência pelas sequências constituídas por planos <em>close-up</em> e planos abertos – mas ainda mais, é possível que nos surpreendamos com a maturidade técnica demonstrada pelo diretor dado ser este seu trabalho inicial. Do início ao fim, <strong><em>“O Quadragésimo Primeiro”</em></strong> apresenta-se mostrando estar seguro acerca dos caminhos que precisará percorrer para evidenciar a relação dual entre Filatovna, encarnação completa do compromisso ideológico incutido por Trótski, e Govorkha, proposta dos interesses particulares e comuns.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-6663" href="http://www.cineronda.com.br/o-quadragesimo-primeiro/41_2"><img class="alignleft size-medium wp-image-6663" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/09/41_2-300x229.jpg" alt="" width="300" height="229" /></a>Consciente do que necessita e de suas possibilidades, Chukhrai produz um filme simples no qual os atos assemelham-se aos movimentos de uma sinfonia mais pela peculiaridade do cinema soviético que por buscar na forma um significado específico. Exceto duas passagens isoladas – quando Filatovna surpreende-se com a cor dos olhos de Govorkha e quando este reconhece a beleza de um poema feito com e para as armas – o filme encaminha-se para um final trivial. Porém o tom aparentemente simplório do desfecho esperado se faz fundamental para que o verdadeiro desenlace atue de forma especialmente marcante. A decisão de Filatovna é radical – incisiva. Especialmente se lembrarmos que está motivada pela ordem de Yevsyukov, seu líder. Abrir mão dos interesses pessoais em nome de uma causa assinalou o embate dos soldados contra o frio, a fome e o desconhecido. Antes disso, o compromisso de deixarem suas casas na iminência de nunca mais retornarem jamais os tornou menos obstinados. E Filatovna era um destes tantos.</p>
<p>Fotografado com o esmero técnico do talentoso Sergei Urusevsky, colaborador habitual do diretor soviético Mikhail Kalatozov (<strong><em>“Quando voam as cegonhas” </em></strong>[<em>Letyat zhuravli</em>, 1957] e <strong><em>“Sou Cuba”</em></strong> [<em>Soy Cuba</em>, 1964]), <strong><em>“O Quadragésimo Primeiro”</em></strong> deixa-nos a impressão de que o clássico <strong><em>“A Balada do Soldado”</em></strong> era uma questão de tempo.</p>
<p>*<em>A história de “<strong>O Quadragésimo Primeiro”</strong> (Sorok pervyy) foi levado pela primeira vez aos cinemas em 1927 pelo importante diretor soviético Yakov Protazanov (1881–1945)</em>.</p>
<p><em>O Quadragésimo Primeiro (</em><em>Sorok pervyy), </em>1956<br />
Diretor: Grigori Chukhrai<br />
Roteiro: Grigori Chukhrai<br />
Duração: 88 min.<br />
País: União Soviética<br />
<strong> Cotação: Muito Bom</strong></p>
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		<title>“Planeta dos Macacos” (2001)</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Aug 2011 22:30:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robledo Milani</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-6578" href="http://www.cineronda.com.br/planeta-dos-macacos-2001/planet-of-the-apes_2001"><img class="alignleft size-medium wp-image-6578" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/planet-of-the-apes_2001-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Uma grande aventura. E só, não espere nada além disso. O novo <strong><em>“Planeta dos Macacos”</em></strong>, dessa vez sob o comando de Tim Burton, 33 anos após o original, é um excelente blockbuster de férias, perfeito para arrecadar milhões e levar multidões aos cinemas, mas muito pouco contém do pessimismo, da seriedade e do caráter reflexivo da primeira versão<span id="more-6577"></span>. Dessa vez, o que foi levado em conta são os detalhes técnicos, a emoção causada pelas altas doses de adrenalina disparada nos espectadores, acostumados a não pensarem muito no que assistem. Para quem procurava apenas isso, o programa atendeu o esperado e finalmente o espectador recebeu o prometido (e não cumprido) por <strong><em>“Jurassic Park 3”</em></strong> e <strong><em>“Pearl Harbor”</em></strong>, apenas para ficarmos com outros grandes lançamentos da mesma temporada.</p>
<p>Também, era pedir demais que repetissem o impacto da obra clássica estrelada por Charlton Heston (que faz uma ponta nesse remake, como um macaco, pai de Thade). Os tempos são outros, o perigo da Guerra Fria é (quase) inexistente, e se tem um pouco mais de esperança no futuro da humanidade.</p>
<p>No filme original, por exemplo, leva-se cerca de quarenta minutos até que apareça o primeiro macaco, enquanto que o novo já abre com um chipanzé astronauta (antes mesmo dos créditos)! No antigo, os humanos remanescentes não eram capazes de falar, e a máscara dos macacos era extremamente rudimentar, não possibilitando muitos movimentos faciais. Devido a esses fatos, o filme continha várias seqüências de puro silêncio, sem um único diálogo. Você é capaz de imaginar isso nos tempos atuais: cinco, dez minutos de ação contínua na tela sem uma palavra sequer pronunciada?</p>
<p>No entanto, a fórmula antiga foi um imenso sucesso, um filme perturbador que conquistou milhares de fãs e que gerou uma verdadeira legião de adoradores, provocando mais quatro continuações, uma série televisiva, histórias em quadrinhos, desenhos animados e uma infinidade de outros derivados. Tudo o que se quer, agora, é reviver essa saga, para ressurgir uma das mais lucrativas franquias da história de Hollywood. Para isso, acreditou-se que apenas uma excelente qualidade técnica, com excelentes efeitos especiais e uma maquiagem surpreendente (o ponto alto do filme – os macacos são perfeitos, chega a ser impressionante!), mas esqueceu-se do principal, uma história impactante.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-6579" href="http://www.cineronda.com.br/planeta-dos-macacos-2001/planet-of-the-2001"><img class="alignleft size-medium wp-image-6579" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Planet-of-the-2001-300x180.jpg" alt="" width="300" height="180" /></a>A impressão que se tem é que, como se sabia que era praticamente impossível recriar o ambiente original, apostou-se tudo no que hoje existe de melhor em termos concretos, físicos, enquanto restava a esperança de que a expectativa gerada e as lembranças provocadas pela comparação fossem suficientes para envolver a platéia. Em muitos casos até chega a convencer, mas nunca de modo suficiente. Por exemplo, o final emocionante da primeira versão, com as ruínas da Estátua da Liberdade, quando o herói descobre que o Planeta dos Macacos é, na verdade, sua antiga Terra, após uma destruição total. Dessa vez ficou claro que a história não se desenvolveria na Terra, mas a preocupação de não se repetir foi tão grande que o que acontece acaba sendo justamente o inverso. Quem não sentir um gostinho amargo de “oh, não, tudo menos isso” no final, que me conte depois.</p>
<p>Como a aposta era muito alta, o diretor não poderia ser responsável por todas as decisões, dependendo (e muito) da opinião dos chefões do estúdio, que alteraram o final previamente imaginado para garantir a possibilidade de futuras seqüências. Isso já aconteceu uma vez com Tim Burton, quando ele dirigiu o primeiro <strong><em>“Batman”</em></strong> (1989), que apesar de todas as interferências dos estúdio, acabou dando certo, possibilitando uma carta branca ao diretor para a realização do segundo, <strong><em>“Batman – O Retorno”</em></strong> (1992), que certamente é o melhor da série. Infelizmente, não foi o que aconteceu dessa vez, e Burton ainda está nos devendo um <strong><em>“Planeta dos Macacos”</em></strong> legítimo do modo como imaginou. Esse sim seria um grande espetáculo, não só para os olhos, como a versão aqui comentada, mas também para o cérebro, como era o original.</p>
<p><em>Planet of the Apes</em>, EUA, 2001<br />
De Tim Burton<br />
Com Mark Wahlberg, Tim Roth, Helena Bonham-Carter, Michael Clarke Duncan, Paul Giamatti, Charlton Heston</p>
<p><strong>(nota 7)</strong></p>
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		<title>As facadas de Hitchcock</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Aug 2011 04:26:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Matheus Bonez</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Falar sobre Hitchcock e suas inspirações nos filmes renderiam linhas e linhas de texto. Por enquanto fica o convite para conhecer o cinema clássico através do diretor e de toda sua obra. E boa viagem no tempo...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/hitchcock.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6566" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/hitchcock-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>O mestre do suspense. Assim Alfred Hitchcock é conhecido mundialmente por seus mais de 50 filmes permeados por assassinatos, vinganças e suspeitos<span id="more-6565"></span>. No ano em que completa-se 31 anos da morte do cineasta, o Centro Cultural Banco do Brasil realizou uma mostra em São Paulo e no Rio de Janeiro com a filmografia do diretor e suas dezenas de longas-metragens, três curtas e 127 episódios da série de TV <em>Alfred Hitchcock Presents</em>. Uma forma de conhecer a obra do artista a fundo e que também revela outras nuances de seu trabalho.</p>
<p>Seus filmes não seguiam uma linha de suspense à la Agatha Christie com seus famosos <em>“quem matou?”</em>. Pelo contrário. As narrativas do diretor poderiam ser consideradas óbvias se levarmos em conta este aspecto, já que na maioria dos seus filmes o assassino já era revelado. O que importava e divertia – ou melhor, entretém &#8211; o público até hoje, era como seus vilões seriam pegos. Não duvido que muitos autores de novela tenham se inspirado em Hitchcock para compor seus vilões.</p>
<p>Hitchcock usava sempre um exemplo para explicar o que realmente era suspense para ele. Se numa cena uma bomba é colocada embaixo de uma mesa, um casal senta sobre as cadeiras e o artefato explode, levamos um susto. Mas se deixarmos o mesmo explosivo com o tempo de um minuto para estourar, e nesse meio tempo o mesmo casal estiver conversando sobre trivialidades enquanto o relógio passa, a expectativa é saber o que vai acontecer: os dois vão ver a bomba? Vão conseguir fugir a tempo? Vão desarmar o explosivo? Para o diretor, isto era suspense.</p>
<p>Porém, acima de tudo isso, Hitchcock era apaixonado pela psique humana. Suas histórias eram recheadas de personagens com distúrbios psicológicos e sexuais. Nem preciso citar <strong><em>&#8220;Psicose&#8221;</em></strong>, seu filme mais conhecido, em que o assassino era um homem problemático que assumia a personalidade da mãe para expor suas frustrações.  A inteligência cinematográfica de Hitchcock chegava ao ponto de até o figurino expor o medo e culpa dos personagens. Em <strong><em>&#8220;Disque M para Matar&#8221;</em></strong>, por exemplo, a personagem de Grace Kelly começa o filme vestindo trajes brancos quando está com seu marido. Ao encontrar o amante, está com um vestido vermelho. E ao ser presa, só usa tons escuros. Uma forma mais cinematográfica de contar as histórias e problemas sem recorrer a diálogos para tudo.</p>
<p><a href="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/hitchcock-los-angeles-1969.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6567" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/hitchcock-los-angeles-1969-300x205.jpg" alt="" width="300" height="205" /></a>O mais interessante era que esses distúrbios muitas vezes foram representados por personagens duplos. Explico. Aqueles que se complementam, muitas vezes mostrando os aspectos negativos e positivos de uma mesma personalidade. Além de <strong><em>&#8220;Psicose&#8221;</em></strong>, podemos ver isso em longas como <strong><em>&#8220;</em></strong><strong style="font-style: italic;">A Sombra de uma Dúvida&#8221;</strong><em>, </em><strong><em>&#8220;Pacto Sinistro&#8221;</em></strong><em>, <strong>&#8220;Um Corpo que Cai&#8221;</strong>, <strong>&#8220;Os Pássaros&#8221;</strong>, <strong>&#8220;O Homem Errado&#8221;</strong>, <strong>&#8220;Frenesi&#8221;</strong></em>, entre muitos outros. Uma forma de mostrar que o bem sempre prevalece, como qualquer narrativa clássica, mas que nem por isso todos nós deixamos de ter um lado obscuro que luta para sair a qualquer momento.</p>
<p>Falar sobre Hitchcock e suas inspirações nos filmes renderiam linhas e linhas de texto. Por enquanto fica o convite para conhecer o cinema clássico através do diretor e de toda sua obra. E boa viagem no tempo.</p>
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		<title>“Tudo Ficará Bem”</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Aug 2011 04:11:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Willian Silveira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A repetição da fórmula de conjugar o real e o fantástico se ressente de nuances, tornando o diretor uma ótima surpresa a quem o desconhece, mas bastante previsível para os que tiveram a sorte de já terem cruzado seu caminho...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/EverythingWillBeFine.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6560" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/EverythingWillBeFine-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a>Você pode nunca ter ouvido falar do diretor Christoffer Boe, mas certamente bastará um filme para que não se esqueça dele<span id="more-6559"></span>.</p>
<p>Jacob Falk (Jens Albinus) divide-se duramente entre a vida profissional e a privada. Nesta, está junto a sua esposa Helena (Marijana Jankovic) enfrentando os sempre complicados processos de adoção. Naquela, a pressão constante do produtor para que dê por terminado o filme no qual está trabalhando. Rodeado por um mundo de preocupações, Jacob não desconfia que as coisas poderiam se tornar ainda mais sérias quando a distração que o faz atropelar Ali (Igor Radosavljevic) consequentemente o envolve com uma série de fotos que denuncia as atrocidades cometidas pelo exército dinamarquês.</p>
<p>Ao perceber a gravidade das revelações impostas nas fotografias, e movido pela culpa em relação a Ali, Jacob resolve encarar a publicação do material como um dever. Seu caminho, porém, não será fácil, pois estão contra ele os militares, assim como a urgência do trabalho e as obrigações para  com a futura família.</p>
<p><a href="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/everything-will-be-fine-screenshot.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6561" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/everything-will-be-fine-screenshot-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a>Com esses fatores pulsantes em tela, Boe nos apresenta ao seu mais novo filme, <strong><em>&#8220;</em></strong><strong><em>Tudo ficará bem&#8221;</em> </strong>(<em>Everything will be fine</em>, 2010), marcado pelo estilo peculiar desenvolvido pelo realizador desde o premiado <em><strong>&#8220;</strong><strong>Reconstrução de um amor&#8221; </strong></em>(<em>Reconstruction</em>, 2003) e igualmente presente em <strong><em>&#8220;</em></strong><strong><em>Allegro&#8221;</em> </strong>(2005) e <strong>&#8220;</strong><strong>Offscreen&#8221;</strong> (2006). A narrativa não-linear, mais semelhante à organização de um quebra-cabeça, construída sobre o apagamento da demarcação do real e do fantástico produz um cinema de características bem próprias. As sensações de deslocamento e estranhamento causadas pela composição não-tradicional dos quadros são dois efeitos muito recorrentes, assim como o provável desconserto sentido pelo espectador, que se considerará tão perdido e confuso quanto os personagens. Não raro as cenas trabalhadas pelo diretor são polivalentes e funcionam em um sistema de reformulação de significados diante da narrativa. Em uma ordem, as cenas passam por três momentos: primeiro, encaixam-se relativamente sem problemas na ordem proposta; em um segundo instante, tornam-se confusas e desarticuladas em termos de continuidade semântica; em um terceiro momento, a estrutura composta então se revela e as cenas ganham finalmente seus lugares no conjunto do filme.</p>
<p>A inventividade de Boe certamente nos surpreende tanto quanto sua coragem em realizá-la. Isso, obviamente, tem um preço. Da mesma forma que <em><strong>&#8220;</strong><strong>Reconstrução de um amor&#8221;</strong> </em>foi recebido como uma boa surpresa para o cinema, a repetição da fórmula de conjugar o real e o fantástico se ressente de nuances, tornando o diretor uma ótima surpresa a quem o desconhece, mas bastante previsível para os que tiveram a sorte de já terem cruzado seu caminho.</p>
<p><strong>&#8220;Tudo ficará bem&#8221;</strong><br />
<em>Everything will be fine</em><br />
Direção: Christoffer Boe<br />
Roteiro: Christoffer Boe<br />
Elenco: Jens Albinus, Marijana Jankovic, Igor Radosavljevic, Benjamin Boe Rasmussen, Paprika Steen, Nicolas Bro<br />
Ano: 2010<br />
País: Dinamarca/Suécia/França<br />
Cotação: <strong>Bom</strong></p>
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		<title>39° Festival de Cinema de Gramado: Último Dia e Os Vencedores</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Aug 2011 19:12:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robledo Milani</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-6455" href="http://www.cineronda.com.br/39-festival-de-cinema-de-gramado-ultimo-dia-e-os-vencedores/vencedores"><img class="alignleft size-medium wp-image-6455" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/vencedores-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a>Com o encerramento da mostra nacional de longas-metragens, que aconteceu no dia anterior, o último dia competitivo do 39° Festival de Cinema de Gramado perdeu sua força, pois o que todos queriam mesmo saber era para quem iriam os kikitos a serem entregues no dia seguinte<span id="more-6454"></span>. A única exibição de maior destaque foi de um filme vindo de um país com pouca tradição cinematográfica: a República Dominicana, que apresentou <strong><em>“Jean Gentil”</em></strong>, de Laura Guzmán e Israel Cárdenas. Recebido com ressalvas pelo escasso público presente dentro da sala de cinema, precedeu o longa convidado de encerramento, o brasileiro <strong><em>“Sudoeste”</em></strong>, de Eduardo Nunes, que foi representado no festival pela protagonista e produtora Simone Spoladore. Realizado em preto e branco, essa história intimista sobre uma mulher que busca um sentido para a própria vida durante um único dia numa vila isolada no litoral brasileiro angariou alguns admiradores, mas nem mesmo esses conseguiram defendê-lo com muito ardor. Vale mais como beleza estética do que pelo conteúdo em si.</p>
<p>E como era inevitável, o Festival de Gramado 2011 chegou ao fim. Se, no entanto, nos anos anteriores o que costumava acontecer era uma pulverização da premiação entre todos os concorrentes, o mesmo não se repetiu dessa vez. Na mostra nacional de curtas-metragens, o grande vencedor foi o gaúcho <strong><em>“Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo”</em></strong>, de Rodrigo John, com os kikitos de Melhor Filme, Roteiro e Prêmio da Crítica – vale ressaltar que na mostra local esse mesmo curta ganhou apenas o prêmio de Edição de Som. Em quantidade de kikitos, no entanto, quem se saiu melhor foi <strong><em>“Um Outro Ensaio”</em></strong>, de Natara Ney, que ganhou os prêmios de Direção, Trilha Musical, Montagem e Júri Popular. As interpretações foram para nomes consagrados: José Wilker foi o Melhor Ator, por <strong><em>“A Melhor Idade”</em></strong>, e Dira Paes foi a Melhor Atriz, por <strong><em>“Ribeirinhos do Asfalto”</em></strong> (que ganhou também como Direção de Arte). <strong><em>“Polaroid Circus”</em></strong> foi a Melhor Fotografia, <strong><em>“Rivellino”</em></strong> saiu com o Prêmio Especial do Júri e <strong><em>“A Mula Teimosa e o Controle Remoto”</em></strong> foi escolhido Melhor Filme segundo o Júri de Estudantes.</p>
<p>Já com os latinos o resultado foi mais equilibrado entre todos os concorrentes – apenas um dos sete selecionados saiu de mãos abanando. Os melhores filmes da mostra, o peruano <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/las-malas-intenciones" target="_self">“Las Malas Intenciones”</a></em></strong> e o chileno <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/a-licao-de-pintura" target="_self">“A Lição de Pintura”</a></em></strong>, tiveram que se contentar com reconhecimentos coadjuvantes: enquanto o primeiro ganhou somente o Prêmio Especial do Júri, o segundo ficou com os kikitos de Fotografia e de Melhor Filme segundo o Júri de Estudantes. O grande vencedor, portanto, foi o argentino <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/medianeras" target="_self">“Medianeras”</a></em></strong>, com os kikitos de Melhor Filme, Júri Popular e Direção, para Gustavo Taretto. Esse último troféu foi dividido com Sebastian Hiriart, de <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/a-tiro-de-piedra" target="_self">“A Tiro de Piedra”</a></em></strong>, longa que ganhou também os kikitos de Ator (para Gabino Rodriguez, em sua segunda vitória consecutiva em Gramado) e Roteiro. A Melhor Atriz foi Margarida Rosa de Francisco (outra antiga premiada na Serra Gaúcha), por <strong><em>“Garcia”</em></strong>, enquanto que o Prêmio da Crítica foi para <strong><em>“Jean Gentil”</em></strong>, numa das maiores surpresas da noite.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-6456" href="http://www.cineronda.com.br/39-festival-de-cinema-de-gramado-ultimo-dia-e-os-vencedores/longa-viagem"><img class="alignleft size-medium wp-image-6456" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/longa-viagem-300x231.jpg" alt="" width="300" height="231" /></a>E por fim, o momento mais esperado de toda essa maratona cinematográfica: os premiados na mostra nacional competitiva de longas-metragens! Dos sete filmes selecionados, três passaram por Gramado sem nenhum reconhecimento – um resultado justo e surpreendente! <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/uma-longa-viagem" target="_self">“Uma Longa Viagem”</a></em></strong>, de Lúcia Murat, foi o grande vencedor, arrebatando os kikitos de Filme, Ator (Caio Blat, repetindo o prêmio já ganho no ano passado por <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/broder" target="_self">“Bróder”</a></em></strong>), Direção de Arte, Júri Popular e Júri Estudantil. Ou seja, dos quatro troféus de Melhor Filme que o Festival de Gramado distribui (um verdadeiro absurdo sem a menor lógica!), ganhou três – perdeu apenas o Prêmio da Crítica, que ficou com <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/riscado" target="_self">“Riscado”</a></em></strong>, premiado também como Atriz (Karine Telles, já premiada antes no Festival do Rio e a maior barbada deste ano), Diretor (Gustavo Pizzi), Trilha Musical e Roteiro. Cada um ficou com cinco kikitos, um resultado bem parelho e equilibrado.</p>
<p>Se <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/uma-longa-viagem" target="_self">“Uma Longa Viagem”</a></em></strong> é um filme muito fácil de se gostar – porém de rasa profundidade e portador de decisões e posicionamentos duvidosos – <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/riscado" target="_self">“Riscado”</a></em></strong> é uma obra mais autoral, que deve ter conquistado o júri por esse viés. Em terceiro lugar esteve o pseudo-documentário <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/as-hiper-mulheres" target="_self">“As Hiper Mulheres”</a></em></strong>, que levou os kikitos de Prêmio Especial do Júri (uma espécie de troféu de consolação) e Montagem, enquanto que <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/o-carteiro" target="_self">“O Carteiro”</a></em></strong>, que possuía potencial para disputar de igual categorias como Trilha Musical de Interpretação Masculina, teve que se contentar apenas com a Fotografia de Roberto Henkin. Um resultado aquém das qualidades do filme, mas que ainda assim merece ser comemorado. O Festival de Cinema de Gramado termina a sua trigésima nona edição com vários problemas – uma seleção de longas nacionais completamente irregular, latinos excelentes mas que despertam pouco interesse no público, um culto ao tapete vermelho e ao número cada vez maior de pequenas celebridades – e muitos caminhos a serem trilhados. Resta torcer que para o próximo ano, quando se comemora a marcante data de 40 anos, muito desse trajeto já tenha sido percorrido e que melhorias significativas se apresentem, colaborando para preservar e enaltecer este que é um dos maiores eventos cinematográficos de todo o Brasil.</p>
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		<title>“Jean Gentil”</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Aug 2011 03:09:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Chico Pereira</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/jean-gentil1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6535" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/jean-gentil1-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a>Uma vida complicada, dura, sem cores, sabores, uma vida não vivida. Uma trajetória dramática, mas não sabemos bem o porquê, exceto pelo cotidiano modorrento e sem perspectiva do protagonista. Isso, nas mãos de um bom diretor, daria um belo ponto de partida para um drama tocante sobre exclusão social e introspecção. Mas não é o caso do longa <strong><em>&#8220;Jean Gentil&#8221;</em></strong>, infelizmente<span id="more-6534"></span>.</p>
<p>A impressão que temos é que Jean não tem motivação para viver simplesmente porque não quer. Às vezes, parece até birra. É muito difícil criar uma empatia com o protagonista, e qualquer um com um mínimo conhecimento de cinema sabe que isso acaba com qualquer chance de sucesso frente a uma plateia. O filme vai literalmente do nada para lugar nenhum.</p>
<p>O ator principal subiu no palco do Palácio dos Festivais e conseguiu conquistar a plateia antes do início da sessão. Mas ao longo <a href="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/jean_gentil.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6536" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/jean_gentil-300x149.jpg" alt="" width="300" height="149" /></a>dos <em>longos</em> primeiros 30 minutos de projeção, todos os (aparentemente) sinceros elogios de Jean à limpeza de Gramado e à educação do povo da cidade da serra pareceram um jogo político pra comprar a simpatia dos que estavam ali presentes. O próprio ator principal parecia, assim, prever o desastre que viria a acontecer. Com razão, o público foi saindo aos poucos do Palácio durante o filme, e os que permaneceram aplaudiram protocolarmente ao fim da exibição.</p>
<p><strong><em>&#8220;Jean Gentil&#8221;</em></strong> é o pior dos estrangeiros deste ano, e, sem dúvidas, um dos piores que eu vi no Festival de Cinema de Gramado ao longo das últimas quatro edições, que pude acompanhar de perto.</p>
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		<title>39° Festival de Cinema de Gramado: Sétimo Dia</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Aug 2011 18:42:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robledo Milani</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-6449" href="http://www.cineronda.com.br/39-festival-de-cinema-de-gramado-setimo-dia/mostra-gaucha"><img class="alignleft size-medium wp-image-6449" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/Mostra-Gaúcha-300x203.jpg" alt="" width="300" height="203" /></a>O sétimo dia de programação do 39° Festival de Cinema de Gramado foi totalmente gaúcho. Sim, pois foi na quinta-feira que aconteceu, durante todo o dia – em duas sessões, uma pela manhã e outra pela tarde – a exibição dos 20 curtas selecionados para a Mostra Gaúcha Assembléia Legislativa<span id="more-6448"></span>. Esse é o dia mais esperado por toda a comunidade de cineastas, atores, técnicos, produtores e estudantes de cinema do Rio Grande do Sul. A cidade fica mais movimentada e o festival ganha um ar de renovação e vigor. É um dia especial, como se fosse um evento à parte. O que na verdade não deixa de ser.</p>
<p>Todos os filmes feitos no Rio Grande do Sul no último ano e que se inscrevem no Festival de Gramado tentam, é claro, uma vaga na mostra competitiva nacional. Se para os longas é tudo ou nada – dos 11 inscritos nesse ano, apenas um, <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/o-carteiro" target="_self">“O Carteiro”</a></em></strong>, de Reginaldo Faria e produzido pela portoalegrense TGD Filmes, foi selecionado – para os curtas há uma segunda chance. Em 2011 somente duas produções em curta-metragem, das 20 inscritas, conseguiram figurar também na mostra nacional. Foram elas <strong><em>“Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo”</em></strong>, de Rodrigo John, e <strong><em>“O Cão”</em></strong>, de Abel Roland e Emiliano Cunha. Estes, ao lado de outros 18, representavam o cinema gaúcho na mostra local.</p>
<p>Após as exibições contínuas durante todo o dia, à noite, no Palácio dos Festivais, aconteceu a premiação. Ou seja, é tudo muito rápido, num único dia acontece o início, o meio e o fim. E o mais curioso dos resultados desse ano foi que os principais premiados não foram nenhum dos dois selecionados também para a mostra nacional – que, em tese, deveriam ser os melhores, uma vez que são os únicos que se qualificaram para participar das duas competições. Enquanto que <strong><em>“O Cão” </em></strong>saiu de mãos abanando, <strong><em>“Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo”</em></strong> ganhou apenas o troféu de Edição de Som. O grande vencedor foi <strong><em>“De Lá Pra Cá”</em></strong>, de Frederico Pinto, premiado como Melhor Filme, Direção e Ator (o uruguaio Horácio Camandulle, de <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/gigante" target="_self">“Gigante”</a></em></strong>). Os demais troféus ficaram divididos entre sete concorrentes: <strong><em>“Antonia”</em></strong> ganhou Melhor Atriz (Lourdes Kauffmann), <strong><em>“Tricô e Pitangas”</em></strong> ganhou Melhor Roteiro, <strong><em>“Madre Sal”</em></strong> ficou com Fotografia, <strong><em>“A Noite do Artista”</em></strong> foi a Melhor Direção de Arte, a música foi a de <strong><em>“Marcovaldo”</em></strong>, <strong><em>“Três Vezes por Semana”</em></strong> ganhou como Montagem e <strong><em>“Kopeck”</em></strong>, de Jaime Lerner e produzido pela Manga Rosa Filmes, ganhou o prêmio de Melhor Produção Executiva!</p>
<p><a rel="attachment wp-att-6450" href="http://www.cineronda.com.br/39-festival-de-cinema-de-gramado-setimo-dia/o-carteiro"><img class="alignleft size-medium wp-image-6450" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/O-Carteiro-300x196.jpg" alt="" width="300" height="196" /></a>Completando o dia gaúcho, após a exibição do longa colombiano <strong><em>“Garcia”</em></strong>, de José Luis Rugeles, foi a vez do único filme em longa-metragem feito no estado ser exibido: <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/o-carteiro" target="_self">“O Carteiro”</a></em></strong>! A história inspirada nas comédias italianas sobre um jovem entregador de cartas que tem mania de ler a correspondência dos outros até que se mete em confusão por se apaixonar por uma garota da cidade chegou cheia de expectativas, que foram cumpridas em parte junto à audiência. A presença do diretor Reginaldo Faria e de grande parte do elenco – lá estavam Candé Faria, Ana Carolina Machado, Felipe de Paula, Zé Victor Castiel, Ingra Liberato, Fernanda Carvalho Leite e Anselmo Vasconcellos, entre outros (ao lado) – contribuiu para despertar a atenção dos espectadores, fazendo dessa uma das sessões mais concorridas de todo o festival. Com muito bom humor e sensibilidade, <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/o-carteiro" target="_self">“O Carteiro”</a></em></strong> parece ser um filme para grandes públicos, que retribuiu com muitas risadas e aplausos durante a projeção. Já os críticos apontaram deslizes na estrutura narrativa, em algumas interpretações e na própria ambientação. Este é um filme de época que tem como cenário a região do Vale Vêneto, próximo a Santa Maria. E é também uma obra relativamente barata – teve um orçamento aprovado de R$ 3 milhões, porém foi realizado com apenas R$ 1,3 milhão, o valor arrecadado pela produção. Essa contenção de custos fica evidente na tela, mas nada que prejudique o desempenho da trama. E sem agradar a todos, ao menos fechou com chave de ouro e bastante entusiasmo o dia neste que é o mais importante festival de cinema do Rio Grande do Sul.</p>
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		<title>“A Lição de Pintura”</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Aug 2011 04:21:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robledo Milani</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/licao_pintura01.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6438" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/licao_pintura01-300x205.jpg" alt="" width="300" height="205" /></a>Mais uma vez a seleção de filmes latinos da mostra competitiva foi muito superior à nacional. E outra boa surpresa foi o longa latino <strong><em>“A Lição de Pintura”</em></strong>, representante do Chile<span id="more-6437"></span>. Baseado num romance de muito sucesso no seu país de origem, de autoria de Adolfo Couve, o longa de Pablo Perelman se passa nas vésperas do golpe militar que tomou o poder no início dos anos 70. Numa cidadezinha no interior, um talento singular se revela. Essa descoberta ao mesmo tempo em que destaca a importância do indivíduo, abre chance para desvendar um painel social do que ocorria simultaneamente por todo a nação. A analogia é tão pertinente quanto delicadamente desenhada, e em nenhum momento a obra se aproxima de qualquer tipo de didatismo mais protocolar. Este é um filme feito com a emoção das pequenas conquistas e com muita sabedoria.</p>
<p>Um menino, filho de mãe solteira e apadrinhado pelo farmacêutico local, demonstra uma habilidade única para a pintura. Enquanto esse dom vai se revelando e se aperfeiçoando, o país parte num conflito interno que levaria anos para superar. Mas pior mesmo será quando os dois se cruzarão – nação e garoto – causando uma tragédia sem solução, igual a tantas outras, mas ainda assim absurdamente dolorosa. Acompanhamos a trajetória solitária daquela mulher que, rejeitada pela família e amigos, encontra abrigo entre desconhecidos que vêem nela não o que ela é, mas sim o que desejam. Como a velha senhora da janela, que insiste em confundi-la com outra vizinha. Assim fica mais fácil a convivência. E num estrato mais simples, as soluções necessitam ser práticas e objetivas. Assim como a relação que se estabelece entre a jovem mãe e o dono da farmácia, uma mistura de admiração, gratidão, desejo e amizade. Mas se os laços que se estabelecem se mantém sobre linhas muito frágeis, esse equilíbrio será alterado quando a diferença – o menino e seu dom especial – se fizer presente.</p>
<p><a href="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/LaLeccionDePintura01.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-6439" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/LaLeccionDePintura01-300x201.jpg" alt="" width="300" height="201" /></a>Um dos nomes de maior crédito da produção é o do ator Daniel Giménez Cacho, que já trabalhou até com Pedro Almodóvar (<strong><em>“Má Educação”</em></strong>). O diretor Pablo Perelman estava há anos afastado do cinema, dedicando-se mais à publicidade e à televisão, mas demonstra aqui ter conservado a boa forma. Ele consegue fazer de <strong><em>“A Lição de Pintura”</em></strong> uma obra comovente e envolvente, que merece ser observada com carinho e atenção. O final pode soar cruel e abrupto demais, mas justifica-se dentro da proposta desenhada. A arte e a cultura possuem um poder transformador, mas como se manifestar e abrir espaço para sua ação quando a força bruta de impõe com tamanha irracionalidade? As questões levantadas são muitas, e a genialidade artística aqui adquire uma outra dimensão, muito mais profunda e intensa. Para se ver, sentir e refletir.</p>
<p><em>La Lección de Pintura</em>, Chile, 2010<br />
De Pablo Perelman<br />
Com Daniel Giménez Cacho, Verónica Sánchez, Juan José Susacasa, Edgardo Bruna, Manuel Peña, Jaime Omeñaca, Catalina Saavedra, Carmen Gloria Breski, Roxana Campos</p>
<p><strong>(nota 8)</strong></p>
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		<title>39º Festival de Cinema de Gramado: o dia das comédias ítalo-latino-americanas</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Aug 2011 14:58:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Chico Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[39° Festival de Gramado]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-6432" href="http://www.cineronda.com.br/39-festival-de-cinema-de-gramado-o-dia-das-comedias-italo-latino-americanas/debate_garcia"><img class="alignleft size-medium wp-image-6432" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/debate_garcia-300x190.jpg" alt="" width="300" height="190" /></a>A noite de quinta-feira deu o ar da graça, literalmente, com o cartão de visitas colombiano chamado <em><strong>&#8220;García&#8221;</strong></em>, uma comédia divertida que não deixou de tocar em temas caros à alma humana, como a solidão, o amor, a traição, a amizade<span id="more-6431"></span>. A co-produção Brasil/Colômbia é a primeira reconhecida pela Ancine, foi a 4ª maior bilheteria do ano na Colômbia, e é bancada pela mesma empresa que co-produziu o ótimo e premiadíssimo filme chileno <strong><em>&#8220;Tony Manero&#8221;</em></strong>.<br />
 <br />
O longa do diretor José Luis Rugeles por vezes é muito engraçado, pura comédia; por outras, é um drama dos mais tocantes, mexendo com questões muito profundas de amizade, confiança e amor – ponto destacado pelo próprio diretor no debate sobre o longa na sexta de manhã, quando ele contou que um dos produtores lia o roteiro e ria muito, enquanto ele próprio chorava ao acompanhar a história de García. Essas sutilezas acabam saltando aos olhos do espectador graças às habilidades do elenco, com destaque para Fabio Restrepo (<strong><em>&#8220;Gómez&#8221;</em></strong>), ator que vive até hoje em uma favela colombiana e foi descoberto por acaso para o filme.<br />
 <br />
Depois da premiação da Mostra Gaúcha de Curtas, o público do Palácio dos <a rel="attachment wp-att-6433" href="http://www.cineronda.com.br/39-festival-de-cinema-de-gramado-o-dia-das-comedias-italo-latino-americanas/reginaldo"><img class="alignleft size-medium wp-image-6433" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2011/08/reginaldo-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a>Festivais foi apresentado a <strong><em>&#8220;O Carteiro&#8221;</em></strong>, de Reginaldo Faria. O diretor, que não comandava um projeto atrás das câmeras há 27 anos, foi cobrado na manhã de debates pelo seu discurso um tanto rancoroso frente aos espectadores antes da exibição. Sua desculpa é que &#8220;<em>é muito difícil filmar no Brasil</em>&#8220;, e que ele estaria sendo injustiçado por não conseguir captar recursos para um projeto. O que ele parece ter esquecido é que &#8220;<em>meio ano batendo nas portas de empresas</em>&#8221; para buscar patrocínios é um trabalho muito tranquilo perto da dificuldade de equipes que ficam anos e anos até conseguir um orçamento muito menor do que 1.3 milhões para fazer cinema (situação deveras comum por essas bandas).<br />
 <br />
Apesar de errar a mão no roteiro e a na direção em vários momentos, especialmente no ato final, <strong><em>&#8220;O Carteiro&#8221;</em></strong> tem certa &#8220;<em>ingenuidade poética</em>&#8220;, destacada pelo grande Anselmo Vasconcelos no debate – Característica, aliás, assumidamente inspirada em comédias italianas dos anos 60 e 70. Anselmo e Zé Victor Castiel, dois veteranos na comédia, são coadjuvantes da mais alta conta ao lado da dupla de amigos formada por Candé Faria e Felipe de Paula (a quem a dupla de veteranos dedicou longos minutos de elogios pelo trabalho desenvolvido no filme).<br />
 <br />
<strong><em>&#8220;O Carteiro&#8221;</em></strong> diverte. O público do Palácio dos Festivais riu bastante, e alto. Vamos ver como o longa se sai no circuito comercial.</p>
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