Emmy: aberta a temporada do sofá!

Por: Ale Simas
categorias: Colunas, Pop Coolture
Data: segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Depois de um verão (ou inverno, dependendo do hemisfério) pobre e sem muito o que assistir na tv, o Emmy nos traz a esperança. Sinal de que as temporadas inéditas estão chegando. As semanas, que antes eram tomadas por séries de “realidade”, retornam ao mundo de séries inteligentes, irônicas, ousadas e engraçadas.

Segundas voltam a pertencer a Heroes, Boston Legal, e How I met your mother. Quintas ao bom e velho The Office, Ugly Betty, 30 Rock (vencedores do Emmy, ao lado), e, sim, Grey’s Anatomy. Domingo não rima mais com suicídio televisivo, e sim com Desperate Housewives e Brothers and Sisters. Isso sem falarmos nas que já voltaram, como Entourage, Californication, Weeds e Dexter.

Sim, eu sou uma serieholic. E com orgulho, diga-se de passagem.

Enquanto aguardo ansiosa pelas sextas-feiras para ver que filme estará estreando, tenho uma semana inteira onde a TV me acompanha. E não é por acaso que tantos atores maravilhosos, antes no cinema, hoje tenham mudado de time. As séries hoje em dia possuem muito mais ‘sustância” que vários dos filmes que sendo lançados.

Meu melhor exemplo? “Beverly Hills Chihuahua”.

Não, não é alucinação. Em breve as telas de cinema serão tomadas por chihuahuas que não só falam, mas também cantam. Então, permitam-me abusar da minha amiga televisão. Cada série traz um universo próprio. Hoje, por exemplo, vou estar rodeada por heróis, advogados e um grupo de amigos que faz o vazio deixado por Friends não tão doloroso. Quinta vou visitar um escritório patético, uma revista de moda, uma emissora de TV e um hospital em Seattle. Domingo honro a tradição de estar em família, e passo o dia lado de mulheres à beira de vários ataques de nervos em Desperate Housewives e jantando com a família mais esquizofrênica e apaixonante da TV em Brothers and Sisters (imagem ao lado).  No meio da semana vago as ruas de L.A com os garotos do Entourage, sou sacana e perturbada com o Hank de Californication, uma assassina com consciência em Dexter e, se precisar, vendo uma maconha com a Nancy de Weeds.

Dá pra se perder em êxtase na variedade de personagens, lugares e histórias. Os escritores merecem o crédito. Depois de uma temporada cortada pela metade por causa da greve, é de se exaltar o quão importante são, o quão fundamental suas mentes representam em todo o processo. Os atores, por sua vez, honram tal imaginação. Como não comentar o quanto Steve Carrell é Michael Scott, do quanto William Shatner é Denny Crane.

Séries ressuscitam carreiras. Foram capazes de transformar Patrick Dempsey, antes dançarino do ritual africano em “Namorada de Aluguel”, no agora perfeito McDreamy. Fizeram Alec Baldwin, antes perdido no meio do bafo que foi seu divórcio com a Kim Basinger, hoje vencedor de Emmys, interpretando o surto prepotente que é Jack Donaghy em 30 Rock. Glenn Close e Sally Field, atrizes consagradas, que hoje encontram o mesmo respeito interpretando personagens fortes, íntegros e dignos de premiações na televisão. Christian Slater e Selma Blair são alguns dos atores que esperam encontrar a mesma sorte nessa nova temporada. A NBC aposta nos dois, ela na versão americana de Kath & Kim, ele em My Own Worst Enemy.

Televisão é politicagem, um império incapaz de perder forca. Prova maior que Tina Fey? Impossível. Descoberta por Lorne Michaels, a mente por detrás do Saturday Night Live, Tina Fey hoje é a queridinha de Hollywood. 30 Rock (ao lado) é seu novo castelo. A série perigou ser cancelada na primeira temporada. Aclamada pela crítica, não conseguiu o mesmo com o público de massa. Mas tudo isso está para mudar. 30 Rock foi a grande vencedora do Emmy 2008, entregue no último dia 21 de setembro. Baldwin levou o de melhor ator. Tina ganhou por melhor roteiro, melhor atriz e, junto com seu elenco, melhor série de comédia. Justiça feita. Agora é aguardar e ver a curiosidade do público se transformar em audiência.

Então, nada de menosprezar o poder da boa e velha telinha. Às vezes é preferível se perder nela do que numa tela imensa com milhares de Chihuahuas.

Ale Simas mora fora do Brasil já há 5 anos. Os dois primeiros, passou tomando sol em Los Angeles. Nos últimos 3 vem construindo iglus no Canadá, e namorando um urso polar (que prefere não se identificar). No tempo livre, se alimenta nao só de chocolate, mas de filmes, livros, amigos e televisão. Prefere não mencionar música, já que tem a certeza absoluta de que vai ser presa pela quantidade de downloads feitos diariamente. Gosta de coisas toscas, mas também inteligentes. Tosquice é um estado de espírito, já dizia um sábio. Tosco, claro.
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