Doce azedo?
Por: Matheus Bonez
categorias: Colunas, Cultura Pop, Espetáculos, No Escurinho
Data: terça-feira, 26 de agosto de 2008
A notícia foi capa em praticamente todos os sites de notícias brasileiros. Madonna vem ao Brasil! Milagres acontecem! E não tinha nenhuma outra manchete forte para colocar no lugar mesmo. Quinze anos depois de passar por terras tupiniquins com seu Girlie Show, a rainha pop está de volta com a turnê Stick and Sweet, com uma apresentação no Rio de Janeiro (14 de dezembro) e duas em São Paulo (18 e 20 de dezembro). Ótimo, ótimo.
Imagine só, um sonho realizado. Sou fã da Madonna há exatos 15 anos, quando a vi pela primeira vez na telinha no já citado Girlie Show, apresentando à época pela TV Globo. Desde então vivi uma espécie de amor platônico com a cantora, passando pela fase “não falem mal dela de jeito nenhum”, quando comprei todos os álbuns e publicações possíveis sobre ela (inclusive uma ‘cópia pirata’ do livro Sex) – típico de fã pré-adolescente -, até o momento “caia na realidade, ouça as músicas, mas fique nisso”.
O que interessa nisso tudo é que a admiração sempre foi uma constante. Não foi uma paixão “totalmente cega” ao longo destes anos. Critiquei – demais até – alguns tropeços na carreira dela (poupe-me de “American Life” e derivados no quesito musical, assim como a maioria das atuações no cinema), bem como soube reconhecer uma boa interpretação (sim, eu gosto dela em “Evita”) e ouvir sem parar alguns dos que considero os melhores álbuns da chamada diva pop (“Ray of Light” e “Confessions On a Dance Floor”, só para citar alguns).
Imagine então receber uma notícia como essa. Madonna não faz apenas um show, mas um grande espetáculo. Mesmo que ela não cante muito bem ao vivo. O que interessa são os cenários, as coreografias, todo o contexto. Saber que ela pode interpretar algumas das minhas canções favoritas ao vivo… ixe, não há como não se exaltar. Mas passado o frisson inicial, começa a pipocar na cabeça uma série de dúvidas: qual a melhor data? Como ir? Vou ter que pedir folga? Onde vou ficar? Quanto vão custas as passagens?
A empresa responsável pela venda de ingressos no Brasil, a Ticket 4 Fun, fez um pré-cadastramento como uma forma de saber quantas pessoas estão interessadas em ir ao show. A procura para o show de São Paulo foi tanta que uma data-extra foi divulgada. O preço para qualquer uma das apresentações? Salgado – entre R$ 180 e R$ 600 -, mas poderia ser pior.
O ruim mesmo é a tal taxa de conveniência (que o Procon já ameaça ir pra cima com tudo) e a compra via internet, que só pode ser feita com os cartões do Banco Bradesco ou American Express. Coisa boa para quem não mora no eixo RJ-SP, né? Só imagino os ingressos se esvaindo em minutos. Sendo extremamente pessimista, devo ficar de fora do show. A opção é ir para Buenos Aires no dia 6 de dezembro, mas também não faço a menor idéia de como vai ser. A mobilização vai ser total, e sei que a maioria dos fãs mais ardorosos devem estar (muito) mais ansiosos, desesperados, enraivados do que eu. Enfrentar filas, superlotação nos sites, pagar caro no ingresso, na viagem, no lugar pra ficar… e vai lá estresse. O que interessa agora é saber se o esforço vai valer a pena. Ou se o doce vai virar uma reles azedinha.






Salve Matheus!
Compartilho contigo as preocupações vigentes num momento tão esperado como esse. Mas posso lhe garantir que, independente de onde ficar, quanto vai custar e etc, todo esforço vale! Conselho de quem se aventurou há 15 anos para vê-la no Girlie Show. Até hoje tenho orgulho em ter dividido o Morumbi com ELA. Boa sorte para nós nessa jornada! Abraços! Anderson.