Desencontro de amigos
Por: Willian Silveira
categorias: Colunas, Studio
Data: quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Apesar de uma primeira parte interessante, na qual se consegue apresentar com fluidez e agradável tom cômico os casais do filme, as distintas situações em que se encontram e o laço de amizade que os une, “Encontro de Casais” evidentemente fracassa quando precisa de mais competência e experiência no desenvolvimento e execução dos demais atos da história.
De início somos prontamente apresentados – e por vezes de forma demasiadamente apressada – aos quatro casais que compõe o enredo: Jason (Jason Bateman) e Cynthia (Kristen Bell), Dave (Vince Vaughn) e Ronnie (Malin Akerman), Joey (Jon Favreau) e Lucy (Kristen Davis) e o recém separado Shane (Faizon Love) com sua namorada Trudy (Kali Hawk). Somos forçadamente levados a acreditar que o casamento de mais de uma década de Jason e Cynthia não vai bem, apesar de não termos nenhum sinal suficientemente contundente para tal, e que a única solução possível para salvar o relacionamento seria retirarem-se para uma terapia no magnífico Resort Éden, localizado nas paradisíacas praias de Bora Bora. A questão, contudo, é que o valor para esse tratamento em forma de descanso é muito alto e a solução mais viável seria apelar para o “Pacote Pelicano” cuja proposta é oferecer descontos para grupos de casais. Convocados, os amigos primeiramente rechaçam a idéia, afinal de contas quem se interessaria por uma semana de descanso com todos atrativos que uma praia no Pacífico Sul poderia oferecer? O questionamento inconsistente somente serviu para engrossar o roteiro e assim se confirmou quando, em uma cena posterior, Dave e Ronnie resolvem aceitar a viagem “forçados” pela insistência dos filhos preocupados com o casamento.
Em um rápido exercício de memória, 1996 foi um bom ano para a indústria do cinema. Sem muito esforço, logo vêm à mente o vencedor de nove Oscar – inclusive o de melhor filme – “O Paciente Inglês” (The English Patient), o mais premiado dos filmes de Anthony Minghella, diretor que esteve longe de ser consenso da crítica; na ficção, o sobrevivente comercial da filmografia do clastomaníaco Roland Emmerich, “Independence Day”; no terreno underground, “Trainspotting – Sem limites”, o segundo trabalho de Danny Boyle, foi certamente o filme do ano e, com poucos votos contrários, da década; os ares cômicos, por sua vez, foram tomados pela originalidade de “Fargo”, dos irmãos Coen. Na realidade, não há nenhuma novidade ou surpresa nos nomes relembrados até aqui, exceto se pensarmos que, caso a acidez e o humor negro de Joel e Ethan houvessem ocorrido um ano ou depois, provavelmente a melhor comédia desse 1996 seria o praticamente esquecido “Swingers – Curtindo a noite”, do diretor Doug Liman, mais conhecido pela direção do primeiro filme da trilogia Bourne, “A Identidade Bourne”.
Foi nesse empoeirado trabalho de Liman que se estabeleceu pela primeira vez a parceira do ator Vince Vaughn com o ator e roteirista Jon
Favreau, até então duas incógnitas em Hollywood. Treze anos mais tarde, conhecidos e contando com inúmeros projetos nos currículos, Vaughn e Favreau decidem repetir a parceria, dessa vez sobre a direção estreante do ator e produtor Peter Billingsley, neste “Encontro de Casais” (Couples Retreat).
Porém, se fosse somente pelas falhas nos detalhes, o roteiro assinado por Favreau, Vaughn e Dana Fox não seria completamente problemático. Mas o andamento o desnuda extremamente simplista – para não defini-lo como muito fraco – e o que poderia ser um interessante filme de comédia repetindo as qualidades da primeira parte se torna uma estanque sucessão de piadas ruins e de gags pessimamente trabalhadas, demonstrando a fragilidade dos atores em manejar esta que é uma das principais ferramentas da comédia. Com praticamente oitenta minutos de projeção e sem mais nenhum recurso na manga, um ponto de virada guia todos os personagens na busca de Trudy que, talvez tão entediada quanto o público, resolvera se refugiar em outra ilha, no Resort Éden Oeste, destinado exclusivamente para os solteiros.
A impressão que temos, e isso é claramente ruim, é de que a única diversão possível foi entregue aos atores que se permitiram trabalhar em locações tão bonitas quanto as que encontramos na tela. Falta, porém, mais competência para transformar beleza em algum sinal de qualidade.
Cotação: ruim





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