De Kanye e Louco, todo mundo tem um pouco

Por: Ale Simas
categorias: Colunas, Pop Coolture
Data: sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Eu gosto do Kanye West. Um pouco pelas músicas. “Good life” é uma faixa ótima pra melhorar o ânimo. “Flashing Lights” tem um clipe bizarro, mas sabe ter seu valor. Mas o principal motivo por eu gostar do Kanye é que ele é MUITO louco. A começar pelos seus blogs, QUE SÃO TODOS ESCRITOS EM LETRAS MAIÚSCULAS.

Bom, isso acontece sempre que ele está de mau humor. O que é, praticamente, bem, todo dia. Kanye Ego é uma lady. Ele reclama quando outros ganham prêmios que na opinião dele ele merecia ter ganho. Ele diz em rede nacional que o Bush não se importa com os problemas dos afro americanos. E se já não bastasse, por último ele decidiu se pegar no pau com alguns fotógrafos que queriam uma foto da diva.

A melhor parte? Tudo pego em vídeo pelo site TMZ. Um dos primeiros sites de celebridades a ser lançado, é um verdadeiro absurdo. Ele se alimenta tanto dessa cultura que até programa de televisão já possui. E este tem uma abordagem sensacional, tão medíocre quanto o seu intuito. Uma sala de produção, e os fotógrafos comentando quem estavam seguindo, e qual a reação. Inovador, eu sei.

Foi esse mesmo site que cobriu, ao vivo, a batalha pela custódia dos filhos da Britney Spears. Horas e horas esperando a chegada do KFed e da Britney. No meio tempo? Nada além de um velho doido com um chapéu em forma de casa. Mas no fim, de quem é a culpa? Nossa, ou seja, de quem assiste aos vídeos, ou dos artistas, que se expõem de tal maneira? Alguns a gente vê na hora o quanto odeiam toda essa exposição. Que são atores e cantores pelo amor à arte, e era isso. Mas o Kanye? Não sei, não. Estamos falando de um cantor que até hoje só não revelou a cor da cueca que sua porque sei lá, ou ela tava à mostra, com as calcas caindo, ou simplesmente porque não deu vontade. Se surgir a oportunidade, e o ingreis estiver na boa, da uma conferida no site. Na maioria das vezes os posts não acrescentam em nada. Mas servem pra dar boas risadas.

O mesmo vale pro vlog do P.Diddy, Puffy Daddy, ou qual seja o nome que o ex da Jenny from the Block, JLo ou atriz da “Anaconda” vem usando hoje em dia. A controvérsia da semana, o tititi da internet, é um vídeo que ele fez, no aeroporto, chorando ao mundo, que ele P.Diddy, Anaconda Daddy, estava tendo que voar comercial, porque que o preço da gasolina estava muito “bleep”ing alto. O vídeo é um atrofiado de momentos clássicos, sendo pela ofensa desse homem de por no You Tube pra todo mundo ver o quanto ele acha absurdo fazer o que quase todos nós fazemos. Também acho muito inspirador o momento que ele pede aos “irmãos” da Arábia Saudita, ou dos outros países que possuem gasolina, que mandem um pouco dela para o “irmão” Diddy. O vlog, feito no You Tube, acabou parando nos jornais, na ABC, na CNN. Sim, a CNN, antes uma fonte de informação de tanta credibilidade, hoje sente a necessidade de cobrir o sofrimento do Diddy por não poder voar de Jet.

Foi também na CNN que eu tive a certeza de que não existem mais limites, que se perderam mesmo todos os escrúpulos. Assisti, meio que em choque, meio que anestesiada, pessoas se empurrando para conferir o corpo do ator Heath Ledger ser retirado de seu apartamento, após ter morrido de overdose. Não era o funeral, também não era o túmulo, dias depois de sua morte. Era o momento exato em que a notícia de que ele havia partido dessa para uma melhor se espalhou. Ele, em entrevistas, sempre demonstrou o quanto a fama o atormentava. E fica, depois de sua atuação em “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, que ofensa ao mundo ter perdido tal talento. Mas ele é um dos poucos. O resto, a gente engole, sem nem saber por quê.

Hoje em dia todo mundo tem um site, uma conta no You Tube. Muitas vezes se tem sorte e se acha alguém que merece ser encontrado. Uma banda que merece ser assinada muito mais do que uma mulher que se chama Lady Gaga. Uma atriz que merece um contrato muito mais do que a Paris Hilton. Mas, como disse, isso é sorte. Na maiorias das vezes, quando se surfa pelo You Tube, ou pela internet mesmo, o que a gente vê é uma sociedade com sede de fama. Crianças nos altos dos seus 10 anos, cantando música da Pussycat Dolls, de frente pra webcam. Perturbador.

A Pussycat Dolls, por sinal, lançou uma música super inspiradora: When I grow Up. Na canção elas cantam ao mundo que quando crescerem querem ser famosas, estar em filmes, ter groupies. A composição, com tamanha lição de vida, está na 14ª posição da Billboard dessa semana. Na frente dela? I Kissed a Girl, da Katy Perry. Não preciso dizer nada, né? Geração You Tube. Geração Pop. A Geração Coca Cola realmente é coisa do passado. Desculpa ai, Renato.

 

Ale Simas mora fora do Brasil já há 5 anos. Os dois primeiros, passou tomando sol em Los Angeles. Nos últimos 3 vem construindo iglus no Canadá, e namorando um urso polar (que prefere não se identificar). No tempo livre, se alimenta nao só de chocolate, mas de filmes, livros, amigos e televisão. Prefere não mencionar música, já que tem a certeza absoluta de que vai ser presa pela quantidade de downloads feitos diariamente. Gosta de coisas toscas, mas também inteligentes. Tosquice é um estado de espírito, já dizia um sábio. Tosco, claro.
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