“Coração de Tinta”
Por: Robledo Milani
categorias: Cinéfilo, Colunas, Críticas, Película
Data: sábado, 3 de janeiro de 2009
Ao término de uma projeção de “Coração de Tinta”, é quase inevitável que o espectador não fique se indagando o que tornou o livro da escritora alemã Cornélia Funke tão popular, a ponto de ter sido traduzido para 37 idiomas diferentes! Sim, porque o filme está longe de ser tão envolvente e interessante assim. É uma história curiosa, no máximo, que parte de uma premissa inteligente, mas nada mais do que isso! E o trabalho apresentado pelo diretor inglês Iain Softley (“Backbeat – Os 5 Rapazes de Liverpool”) está longe de ter a magia e o encanto necessários para merecer o posto deixado vago pela ausência de um novo “Harry Potter” neste período de férias.
Idealizado para ser o primeiro de uma trilogia – são três livros, afinal – “Coração de Tinta” deverá ter um destino similar ao de outros filmes do gênero recentes, como “A Bússola de Ouro”, “Eragon” ou mesmo “As Crônicas de Nárnia”, que terminaram por frustrar as expectativas mais ambiciosas, interrompendo os trabalhos antes destas séries serem inteiramente transpostas para a tela grande. Isso, no entanto, ainda é difícil de afirmar, uma vez que o filme não estreou nos Estados Unidos – apesar de ter sido lançado no Brasil, na Alemanha e na Inglaterra em dezembro de 2008, no resto do mundo o lançamento só será em 2009, sendo que na América do Norte o filme entrará em cartaz apenas no final de janeiro! E sem os resultados das bilheterias no maior mercado cinematográfico do planeta, é incerto o futuro do projeto. Mas se levarmos em conta a opinião da crítica, o mais aconselhado é deixar tais pretensões de lado.
Aliás, qualquer longa estrelado por Brendan Fraser não deve ser levado muito a sério. O astro de “Viagem ao Centro da Terra” e da trilogia “A Múmia” não é um dos atores mais completos do mercado – muito pelo contrário – e sua presença costuma ser indicação de problemas no percurso. Mas como a própria autora afirmou que criou seu protagonista pensando no ator, como deixá-lo de fora? Assim lá o temos, mais uma vez, com aquela cara de panaca tão característica, mais uma vez interpretando (ou ao menos tentando) um pobre coitado em situações extraordinárias e fora do seu controle. Desta vez ele é um pai de família com um talento muito especial: tudo o que lê em voz alta é capaz de se virar realidade! Mas para cada personagem da fantasia que é trazido para o nosso universo, um ser humano é lavado para o dos livros! Esta moeda de duas caras lhe custou a esposa, ao mesmo tempo que trouxe para o mundo real o vilão Capricórnio (Andy Serkis, o Gollum de “O Senhor dos Anéis”), saído das páginas do livro “Coração de Tinta”. Assim, ele terá que contar com a ajuda do autor desta aventura (Jim Broadbent, visto há pouco em “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”), de uma tia-avó excêntrica (Helen Mirren, de “A Rainha”), de um outro ser mágico (Paul Bettany, de “O Código Da Vinci”) e da filha pequena.
É curioso notar, diante de um elenco tão estrelado (há ainda uma pequena participação da bela Jennifer Connely, atual sra. Bettany, e igualmente vencedora do Oscar, assim como Broadbent e Mirren), como nomes de tamanho destaque foram se envolver em algo tão mediano. É claro que as ambições deviam ser altas, mas o próprio tema “universo fantástico” parece já estar dando sinas de cansaço, e a não ser que se dirija a um público bastante específico, como o adolescente (vide o recente, e bem sucedido, “Crepúsculo”), é quase certo que não irá funcionar. A fantasia é incrível e disposta a vários caminhos, mas se estes não forem minimamente convincentes e tratados com seriedade e respeito será difícil envolver qualquer tipo de público nesta jornada. E “Coração de Tinta” é um bom exemplo disso. O potencial apresentado é imenso, e poderia ter sido várias coisas diferentes, mas com personagens sem um rumo fortemente direcionado, funções definidas, efeitos especiais melhor aproveitados e dotado de uma trama que definitivamente não emociona, a única conclusão possível que se chega é a da lamentação.
Inkheart, EUA/Alemanha/Reino Unido, 2008
De Iain Softley
Com Brendan Fraser, Sienna Guillory, Eliza Bennett, Paul Bettany, Helen Mirren, Andy Serkis, Jim Broadbent, Rafi Gavron, Jennifer Connelly
(nota 4,5)





Não achei o filme tão ruim como você. Talvez por ter assistido como se fosse uma adolescente.
Mas é um filme que está longe de ser o que promete, realmente. E Fraser em universos fantásticos já deu o que tinha que dar, não é?
Minha nota é 6.
Pois é, talvez eu tenha sido influenciado pela minha antipatia pelo Brendan Fraser. Ou pela alta expectativa que tinha, afinal sou fã de filmes que tratam de universos fantásticos, como “O Senhor dos Anéis” e “Harry Potter”. Mas numa coisa concordamos: “Coração de Tinta” está muito aquém de suas possibilidades!