“Controle Absoluto”

Por: Robledo Milani
categorias: Críticas, Película
Data: quinta-feira, 30 de outubro de 2008

“Controle Absoluto” é o típico filme-conseqüência, que só existe devido a uma série de acontecimentos, coincidências e necessidades. Não é memorável, não vai mudar a vida de ninguém e nem tem grandes aspirações além de entreter. O problema é quando nem isso consegue. Como é o caso aqui. Feito único e exclusivamente para capitalizar o atual sucesso do jovem Shia LeBeouf – dos recentes “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” e “Transformers” – é uma produção feita às pressas, com roteiro que requenta idéias de diversos outros longas similares – e, na maioria das vezes, superiores. E se não atinge nem aquilo que o Cinema Hollywoodiano se especializou – diversão momentânea e despreocupada – então é sinal de que as coisas não andam mesmo muito bem.

E a culpa não é de LeBeouf. Ele não tem perfil de astro de ação, mas se sai bem dentro de suas capacidades enquanto “homem comum”. E é exatamente isso que é aqui, mais uma vez aparecendo como o cara errado, na hora errada e no lugar errado. Sem entender muito bem o que está acontecendo, ele é envolvido numa conspiração gigantesca, que almeja, entre outras coisas, a derrubada do governo norte-americano. Certo dia chega em casa e ela está até o teto cheia de armamentos militares que lhe foram enviados. Sem saber de onde tudo aquilo veio, vê sua vida mudar para sempre ao receber uma ligação de uma gélida voz feminina, que passa a lhe dar ordens imediatas – pule a janela, corra para direita, pegue o primeiro trem, acerte o cara que está dobrando a esquina! Logo está ao lado de uma mãe solteira (Michelle Monaghan, de “O Melhor Amigo da Noiva”), aparentemente na mesma situação que ele. E os dois precisam não só salvar suas peles e daqueles ao redor deles, como descobrir também como evitar que uma tragédia de proporções nacionais quebre o país inteiro.

Com um roteiro construído como uma verdadeira salada, que registra influências que vão de “2001 – Uma Odisséia no Espaço” à animação “Wall-E”, “Controle Absoluto” só não peca nas alucinantes cenas de perseguições, que são obviamente inverossímeis, porém construídas com tanto engenho e imaginação que deixam qualquer um de queixo caído. Não que isso conte muito, mas já é uma diferença. Por outro lado os dois protagonistas não possuem química alguma, e toda tentativa de criar algum clima romântico entre eles chega a ser patética. Outros coadjuvantes de peso, como Billy Bob Thorton (“Armageddon”) e Rosario Dawson (“Sin City”) acabam tendo pouco espaço, sem grandes oportunidades. E a mão pesada e falta de criatividade em escapar dos clichês do diretor D.J. Caruso (“Paranóia”) terminam por estragar o produto final, sem restar maiores expectativas.

Mesmo assim e à desgosto da crítica, “Controle Absoluto” cumpriu razoavelmente suas obrigações junto ao público. Nos Estados Unidos o faturamento foi levemente ao orçamento do projeto, que ficou em torno de US$ 80 milhões, enquanto que o resto da bilheteria mundial contribuiu para elevar os ganhos totais além da marca dos US$ 100 milhões. Ou seja, não prejudicou ninguém e ainda garantiu mais uns trocados no bolso. Já entre os espectadores, raro será encontrar aquele que consiga se lembrar do que viu meia hora depois do término da projeção. E este é o maior problema: a mediocridade. E se disse o mundo está cheio, as salas de cinema são ótimos exemplos que comprovam a teoria.

Eagle Eye, EUA, 2008
De D.J. Caruso
Com Shia LeBeouf, Michelle Monaghan, Billy Bob Thorton, Rosario Dawson, Michael Chiklis, Ethan Embry, Lynn Cohen, Eric Christian Olsen

(nota 5)

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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