“Coco Antes de Chanel”

Por: Robledo Milani
categorias: Cinéfilo, Colunas, Críticas, Película
Data: quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A francesinha Audrey Tautou tem um lugar cativo na memória dos cinéfilos, graças a sua estreia no adorável “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”, e também entre os consumidores de blockbusters, pela participação em “O Código Da Vinci”. Mas pelo jeito ela queria mais, algo que “Coco Antes de Chanel” talvez lhe proporcione: o reconhecimento crítico. Aqui ela dá vida com perfeição a mais famosa estilista da alta costura mundial: Coco Chanel, numa cinebiografia elegante, porém não menos convencional.

Talvez o maior problema do longa escrito e dirigido por Anne Fontaine (“A Garota de Mônaco”) seja sua proximidade com outra cinebiografia francesa recente e de muito sucesso: “Piaf”, que rendeu o Oscar de Melhor Atriz para Marion Cotillard. A estrutura destes dois filmes é muito parecida, e o segundo termina por nos remeter demais ao anterior. Em ambos os casos as protagonistas tiveram uma infância sofrida, lutaram contra o descrédito dos seus mais próximos diante os sonhos ambiciosos que acalentavam, tiveram relacionamentos conturbados, perderam suas grandes paixões em acidentes trágicos e triunfaram em suas carreiras praticamente sozinhas. E, por fim, em ambos os casos temos duas intérpretes no total domínio de suas capacidades. A compreensão que elas conseguiram atingir das personagens que vivenciam na tela grande é impressionante, mas como Cotillard surgiu primeiro, Tautou parece ter ficado sob sua sombra. Injustamente.

“Coco Antes de Chanel” se concentra nos primeiros anos de vida dessa mulher que revolucionou o mundo da moda. Começamos a acompanhá-la quando foi abandonada pelo próprio pai em um orfanato. Depois a vemos, ao lado da irmã, tentando ganhar a vida como cantora de cabaré, e os primeiros flertes amorosos. Desde estes passos iniciais, uma constante: o interesse pelo corte e pela costura. Até que um homem surgiu em sua vida: Étienne Balsan (Benoit Poelvoorde), que lhe abriu as portas da alta sociedade e acabou por apresentá-la a Arthur ‘Boy’ Capel (Alessandro Nivola, de “Jurassic Park 3”), um inglês que lhe ensinaria o que é amor, respeito e felicidade. Estes dois amantes foram fundamentais para moldar suas noções de trabalho e determinação, sentimentos que resultaram na construção de um império que até hoje ressoa como um dos maiores nesta área.

Mais do que o desejo em conhecer um pouco mais sobre a vida de Mademoiselle Chanel (como ela nunca casou, sempre exigiu o tratamento de ‘senhorita’), a maior justificativa para se assistir a “Coco Antes de Chanel” é presenciar a atuação de Audrey Tautou, uma atriz que ainda dará muito o que falar. Reconstituição de época, figurinos e trilha sonora coadjuvam com eficiência este enredo que trata com bastante dignidade uma trajetória de vida que merece ser conhecida. Assim, temos um tributo honroso e bonito de se ver, que se por vezes parece um pouco distanciado, ao menos nos permite um olhar mais íntimo de como foi a formação de uma das mulheres mais relevantes do século XX.

Coco Avant Chanel, França, 2009
De Anne Fontaine
Com Audrey Tautou, Benoit Poelvoorde, Alessandro Nivola, Marie Gillain

(nota 7)

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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Um comentário para ““Coco Antes de Chanel””

  1. Ton em abril 4th, 2010 at 20:48

    Finalmente concordamos em algum filme.

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