Celebração da saudade
Seis anos após se consagrar como um dos maiores nomes do cinema brasileiro atual com o emocionante “Bicho de Sete Cabeças”, a paulista Laís Bodanzky voltou às telas em 2007 com o elogiado “Chega de Saudade”. Este filme foi um dos grandes vencedores do último Festival de Brasília (prêmio do Júri Popular, de Direção e de Roteiro) e estreou no centro do país no início deste ano. Aqui no Sul, como já está virando um péssimo hábito, permanece inédito. E a dica, neste caso, é ir entrando no espírito da história conferindo a bela trilha sonora original do filme.
Os elementos para conquistar qualquer ouvinte estão todos expostos, e eles são certeiros. Pra começar, alguns dos maiores sucessos dos salões de baile (universo onde se desenrola a trama). Na primeira audição você já estará cantarolando junto clássicos como “Não Deixe o Samba Morrer”, “De Noite na Cama”, “Você Não Vale Nada” e “Mulheres”. Mas o diferencial está nos escolhidos como intérpretes – sim, não estão ali apenas estas canções inesquecíveis, mas sim recriadas no típico clima de bailão.
A inconfundível Elza Soares é a voz feminina, enquanto que a masculina encontra contraponto ideal em Marku Ribas. Por fim, os temas instrumentais ficaram por conta da Banda Luar de Prata. Elza e Ribas, aliás, estão presentes no filme em participações mais do que especiais, conferindo o clima ideal para as desventuras vividas por nomes como Tônia Carrero, Leonardo Villar, Cássia Kiss, Betty Faria, Stepan Nercessian, Maria Flor e Paulo Vilhena.
Com pesquisa musical de Tutu Moraes e direção e produção musical do BiD (que já trabalhou com nomes como Arnaldo Antunes, Chico Science, Rappin Hood, Seu Jorge, Planet Hemp, Daúde, Jorge Benjor e Fernanda Abreu), a trilha sonora de “Chega de Saudade” é uma viagem nostálgica e bem humorada por um tipo de música que alegra a alma e aquece os pés, deixando qualquer um pronto para a dança. E quer proposta melhor do que esta para um filme que celebra a vida e nossas lembranças de quando tudo era mais simples? O melhor é seguir o ritmo de “Chega de Saudade”, seja na tela grande (quando possível), seja no seu iPod (em qualquer lugar)!
Por Robledo Milani (robledomilani@terra.com.br)

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