Archive for the ‘Preview’ Category
segunda-feira, novembro 2nd, 2009 |
“A Cozinha de Stella” (Cooking with Stella, 2009) é o segundo filme dirigido pelo indiano Dilip Mehta. Stella (Seemas Biswas) tem o curioso e prestigiado histórico de trabalhar nos afazeres das casas de diplomatas que passam a residir na Índia. A personagem que cria é das mais interessantes possíveis, mesclando em seu comportamento atitudes altruístas e egocêntricas (mais…)
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domingo, abril 26th, 2009 |
“Observe and Report” é um filme estranho. De todas as palavras que poderia usar, ‘estranho’ me parece justo. Nas duas horas que se passa dentro da sala de cinema, nos perdemos dentro das peculiaridades dessa cruza de “Paul Blart Mall Cop” e “Taxi Driver”, dessa comédia sem ser comédia, onde até humor negro me parece um tanto quanto light para definir essa bagunça (mais…)
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terça-feira, outubro 21st, 2008 |
Eu tento seguir sempre o mesmo ritual. Um filme está sendo adaptado, eu corro pra ler o livro antes. “Choke” não foi exceção, até por Chuck Palahniuk ser um dos meus escritores favoritos. Se em “Clube da Luta” ele nos deu Tyler Durden, desta vez nos apresenta a Victor Mancini, um dos personagens mais ousados escritos até hoje. Podem me chamar de geeky, mas amo os filmes do “Harry Potter”. Por quê? Porque são extremamente leais aos livros, e conseguem de uma maneira absurda capturar coisas que eu achava possível apenas na minha imaginação. Pelo mesmo motivo odiei “O Código Da Vinci”, pois tiveram a ousadia de mudar fatos que eram, na minha opinião, essenciais para o sentido da história.
Diferente de “Clube da Luta”, que teve uma super produção com um elenco de estrelas, “Choke” segue outra linha. Até porque, um filme tratando de um cara viciado em sexo e possível sucessor de Jesus Cristo só poderia ser independente. “Choke” gastou 3,5 milhões de dólares e foi filmado em menos de um mês, em New Jersey.
Clark Gregg (mais conhecido por seus papéis na TV) se aventura no filme como escritor, ator e diretor. Confesso que às vezes imagino o que teria sido deste projeto se, ao invés de um diretor de primeira viagem, alguém mais experiente tivesse assumido a idéia. Inclusive David Fincher, que foi genial na adaptação do já citado “Clube da Luta” (meu filme favorito, como dá pra notar pela quantidade de vezes que já o mencionei). Mas, dentro das limitações de orçamento, e experiência, o filme consegue honrar a mente insana do escritor do livro.
Sam Rockwell é perfeito como o personagem principal. Não existe ator melhor para o papel. Ele consegue, em cada cena, incorporar tudo que a gente espera de um homem escroto, irresponsável e absurdamente fascinante. O olhar dele traduz tudo o que se lê nas páginas.
Muitas partes foram cortadas, mas o principal foi bem adaptado. São muitos flashbacks e, infelizmente, o protagonista enquanto narrador, tão aproveitado no livro, no filme acaba aparecendo só nos primeiros minutos.
Pra quem não leu o livro, a história é simples. Victor Mancini é um cara viciado em sexo que trabalha num antigo parque temático, bem característico dos Estados Unidos. Nas horas vagas ele finge se engasgar em restaurantes pra conseguir dinheiro suficiente pra manter sua mãe louca numa casa de idosos. De simples não tem nada. E por isso mesmo é sensacional.
“Choke” choca, nos faz rir e nos ofende. As cenas de sexo são extremamente visuais. Os diálogos, às vezes, forrados de palavrões. Mas isso é o mundo de Palahniuk. E não é à toa que ele é o escritor cult da nossa geração.
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sexta-feira, outubro 17th, 2008 |
Pra se assistir e gostar de “Nick and Norah’s Infinite Playlist” é preciso de uma máquina do tempo. A começar pelo público, na sua maioria adolescente. Assim que a música começa a tocar e nomes como Modest Mouse e The Raveonettes aparecem na abertura, a gente entende que não está entrando numa comédia adolescente como as dos anos 90.
“Nick and Norah” é uma celebração indie. A atitude, a abordagem, tudo é direcionado a esse movimento que não é apenas musical, mas que acabou se tornando um estilo de vida.
A história não tem muito segredo, e por isso mesmo fica tão fácil se encantar e sentir saudade de quando as noites eram assim, tão cheias de surpresas e aventuras, sem a ressaca e o cansaço do dia seguinte. Michael Cera é Nick, um cara meio geeky, meio cool, que toca numa banda onde todos, com exceção dele, são gays. Ele vem tendo dificuldades em esquecer sua antiga namorada, que estuda na mesma escola que Norah (Kat Dennings). Sua ex, a convencida Tris (Alexis Dziena), não vê problemas em aparecer no bar onde Nick está tocando, e acaba pagando por isso.
Nessa noite específica, boa parte da cidade (pelo menos a ala alternativa), está desesperada para descobrir onde será o show surpresa do Where’s Fluffy, banda favorita do nosso casal 20. Nora, mais uma vez atacada por Tris, decide fazer de Nick seu namorado imaginário, gerando um plano mirabolante por partes de seus amigos, que acreditam que os dois tem tudo pra dar certo. Eles decidem levar Caroline (Ari Graynor), amiga de Norah, pra casa, dando assim a chance dos dois se conhecerem melhor.
Tudo pode acontecer em Nova York, e o filme nos mostra porque ela é considerada a cidade que nunca dorme. A amiga bêbada foge, os dois brigam, Tris vira uma psicótica e Norah tenta fugir de um namorado que aparentemente está mais interessado no sobrenome dela do que no que ela realmente representa. Tudo em uma noite.
O filme aborda, de uma maneira despretensiosa todas as dúvidas e as decisões que os adolescentes passam e tem que tomar, independentes do ano de nascimento. A diferença é que em “Nick and Norah” eles não são “plastics” a la “Mean Girls”: são versões honestas do que realmente está acontecendo, de como essa geração esta pensando.
Norah não é o que se espera de uma protagonista, da beleza ao caráter. Ela tem opinião, mas também é cheia de inseguranças. Já Nick é um cara comum, que a gente se encanta simplesmente por ele ser assim, tão confortável em sua própria pele. Não estamos perdidos dentro de um shopping, ou algo parecido. O filme acontece entre ruas e bares de Nova York, com personagens sarcásticos, carismáticos, que amam todos os gêneros de música. A diferença é que em “Nick and Norah” a gente se vê nos personagens. Afinal, quem nunca passou a noite cuidando de um amigo bêbado? Ou que demorou mais do que deveria pra se tocar que tal pessoa era perda de tempo?
O filme peca pela simplicidade em certas partes, sem muito enredo a ser desenvolvido. Mas consegue alcançar o que está buscando, que é se firmar nesse novo gênero de filmes adolescentes. Até pouco tempo atrás, adolescência rimava com comédias sexistas, filmes de terror e 500 continuações de “Todo Mundo em Pânico” e afins. Mas o mundo conheceu Diablo Cody e nos apaixonamos por “Juno”. “Nick and Norah’s Infinite Playlist” tenta se colocar no mesmo pedestal. Uma comédia realista, sem grandes segredos, com uma trilha sonora maravilhosa, desejando retratar o que é ser adolescente hoje em dia. Uma versão moderna do bom e velho ‘mocinha conhece mocinho’. Ter atitude e um Ipod é importante, mas ter um grande amor… isso nunca sai de moda.
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domingo, setembro 21st, 2008 |
“Segurando as Pontas” é mais do que um filme celebrando o uso da maconha. É um filme celebrando “bromances“. Sim, às vezes nos perdemos no meio da fumaça, mas por trás dela existe muito entretenimento. Pra quem achava que era algo no estilo “Cheech e Chong”, preparem-se para a decepção. É muito mais ação do que risadas a lá “Beavis and Butthead”. Elas estão inclusas, mas não são o centro da história.
Seth Rogen, que também escreveu o filme, é Dale Danton, um cara nos altos dos seus 20 e poucos anos e que claramente não vê razão em crescer. Seu trabalho consiste basicamente em usar disfarces e dar intimações às pessoas para que elas compareçam à corte. Se com isso já é considerado um fracasso (pelo menos na opinião das pessoas intimadas), ele conquista ainda mais pontos ao namorar uma adolescente cursando o segundo grau. Entre uma intimação e uma visita aos corredores da escola, Dale fuma muita maconha. O que alimenta um de seus sonhos, o de se transformar em um comentarista de rádio. Seu fornecedor é Saul Silver (James Franco), um cara sem grandes ambições, que vende maconha para manter sua avó em um asilo de qualidade. Saul é o único na cidade que vende ‘Pinneaple Express’, uma maconha tão preciosa, que em sua opinião, fumá-la é como matar um unicórnio. E, claro, Dale é o único a ter a honra de comprá-la.
Dale sempre tenta fazer suas “transações” o mais rápido possível, mas Saul sempre tentar forçar conversas, das tantas desconfortáveis que temos no meio da rua, mas que aqui acontecem entre bongs e papéis sedas. No caminho de volta pra casa, Dale tem mais uma intimação a entregar, e acaba por testemunhar um assassinato cometido pelo intimado. Este vem a ser, coincidentemente, o fornecedor de Saul, e que está no meio de uma guerra de poder com os chineses. A partir desse momento o filme muda de cara. Engraçado? Sim, mas também se transforma em uma trama bastante violenta, de tiros, lutas e orelhas decepadas. Tudo isso poderia dar errado, mas não dá. As cenas de ação são bem feitas, e as atuações dos atores conseguem o balanço necessário para a coexistência dos dois gêneros.
Da mesma maneira que temos Joe Pesci em “Máquina Mortífera”, temos aqui Red (Danny McBride, também visto em “Trovão Tropical”). O ator, que interpreta o elo entre Saul e o grande fornecedor, rouba todas as cenas que participa.O fato de seu personagem permanecer vivo no filme por tanto tempo ainda é uma das melhores partes do filme.
“Segurando as Pontas” é uma comédia feita para o publico masculino, e mulheres com tal tipo de humor. Humor esse que é brilhantemente alcançado por James Franco. Ele é, com certeza, a grande surpresa. Suas feições, suas entonações, tudo é perfeito no que se espera de um vendedor de maconha (ou de sua caracterização). A química entre ele e Seth Rogen é cativante. Os diálogos são rápidos, sarcásticos e inteligentes na sua própria maneira. Frases que serão repetidas mesmo horas depois do fim do filme.
“Segurando as Pontas” não tem a intenção de ser um divisor de águas. Não veio para ser a comédia do ano, julgar ou estereotipar nenhum meio ou escolhas. É uma comédia centrada, que consegue em duas horas cativar o público com sua linguagem simples, cenas dinâmicas e uma dupla de atores capazes de fazer esquecer o que está sendo fumado. Verdade seja dita, você não precisa gostar da Dona Mary Jane pra gostar desse filme.
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quarta-feira, maio 28th, 2008 |
Assisti em Lisboa no final de 2006 (!) este impressionante trabalho do diretor Michel Gondry, “The Science of Sleep”, que permanece inédito no Brasil (onde deverá se chamar “Sonhando Acordado”, enquanto que em Portugal foi batizado como “A Ciência dos Sonhos”). Primeiro trabalho deste realizador também como roteirista, este filme resulta numa obra inferior ao seu longa anterior, o oscarizado “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças” (Melhor Roteiro para Charlie Kaufman), mas infinitamente superior a 90% do que estamos habituados a ver nos cinemas geralmente. Criativo, original e repleto de méritos, “The Science…” é um verdadeiro deleite para quem procura algo extremamente diferente, porém longe de ser “cabeça”, chato e hermético.
O cada vez melhor Gael Garcia Bernal (“Babel”) é o protagonista Stephane, um jovem mexicano que volta para Paris, convencido pela mãe (francesa), após a morte do pai (também mexicano). Acreditando que irá trabalhar como designer numa fábrica de calendários, ao chegar lá descobre que seu trabalho é muito mais burocrático do que imaginava. Cansado do tédio do cotidiano, ele cada vez encontra mais dificuldade de se desvencilhar do mundo que encontra ao dormir, interpretado por ele como uma “Stephane TV”. As coisas começam a mudar quando conhece sua vizinha de porta, Stephanie (a inglesa Charlotte Gainsbourg, vista também em “21 Gramas”). A garota é a única que consegue lhe proporcionar tanto entretenimento e diversão como quando está dormindo. Porém uma incerteza lhe corrói: cada vez mais apaixonado por ela, não sabe se ela irá lhe corresponder estes sentimentos.
Com um elenco excepcional – que conta ainda com as presenças de Alain Chabat (“Xuxu” e “Asterix e Obelix: Missão Cleópatra”) e da mítica Miou-Miou (“Uma Leitora Bem Particular”) – “The Science of Sleep” apresenta ao seu público um enredo fantástico, porém sem nunca subestimar a inteligência da audiência. Intercalando constantemente o que se passa na “vida real” e no “mundo dos sonhos”, o filme consegue proporcionar momentos de extremo prazer crítico, além de nos oferecer opções visuais muito interessantes, como as soluções imaginativas das viagens oníricas dos protagonistas, como carros de papelão e água de celofane.
Com um custo baixíssimo – meros US$ 6 milhões – e filmado quase que inteiramente em estúdio (algumas poucas cenas revelam uma Paris longe dos olhos dos turistas – este é um legítimo ‘filme de culto’, que tem tudo para ser venerado por aqueles mais perspicazes, enquanto que os que se recusarem a abraçar esta incrível viagem estarão deixando passar uma das melhores experiências cinematográficas recentes.
The Science of Sleep, FRA/ITA, 2006
(Nota 9)
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