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	<title>CineRonda &#187; Especiais</title>
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	<description>Cinema e cultura pop com opinião!</description>
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		<title>Osso duro de roer</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Jun 2010 20:12:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Derlam</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-5149" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2010/06/AlmadoOsso-300x169.jpg" alt="" width="300" height="169" />Um filme vencedor do festival <em>É Tudo Verdade</em> é uma atração a parte, não é mesmo? Diria que não. Necessariamente diria que não. Afinal, o grande vencedor da edição de 2004, <strong><em>“A Alma do Osso”</em></strong>, é na verdade um filme árido e de difícil compreensão<span id="more-5148"></span>. Ele foi prestigiado e credenciado pelo júri por sua narrativa e linguagem inovadora – inclusive, consta no seu material promocional o seguinte texto: <em>“Representa a sinalização da chegada de uma única voz no mundo do cinema”</em> (assinado pelo júri do Festival).</p>
<p>Bem os jurados nem sempre tem critérios claros, e muitas vezes são pra lá de polêmicos. Lógico que a observação e a forma como trata o tema é meticulosa e foi planejada para ser a de um cinema autoral. Mas como o filme só chegou seis anos depois aos cinemas, acabou perdendo parte de seu poder de impacto. Seu formato foi utilizado por muitos outros documentários que vieram de carona e que acabaram incorporando mais agilidade na montagem e na narrativa. Tudo é lento demais em <em><strong>“A Alma do Osso”</strong></em>, e em grande parte entediante. Sua fotografia crua carecia de mais cuidados e atrativos. A qualidade da imagem também deixa a desejar. A captação tem problemas excessivos de foco, enquanto que a imagem é muito pixelada, de um gosto duvidoso.</p>
<p>Fui conferir sua exibição inédita em Porto Alegre e confesso ter ficado um tanto decepcionado frente à expectativa que nutria. O documentário dirigido pelo mineiro Cao Guimarães retrata o cotidiano de um eremita (chamado Dominguinhos da Pedra), um homem de 71 anos que mora em cavernas há mais de 41 anos. Vemos durante o filme seu cotidiano entre uma infinidade de latas e sacos numa falsa desordem. Os 10 minutos iniciais apresentam longos planos repetitivos no interior da caverna, enquanto o eremita prepara seu café. Ele cata latas de cerveja, cata plástico, coloca água, tira, coloca de novo, procura mais e nada acontece. E lá se foram DEZ minutos. Para então depois tomar um café. Isso tudo em uma organização caótica de objetos espalhados por todo o espaço. Espaço que durante toda esta introdução só vemos internamente. Ele vive em uma sujeira, uma condição indigna para um ser humano.</p>
<p>Este é um retrato real e chocante de uma pessoa que se isolou da sociedade e mergulhou na solidão. Me fez lembrar de um vídeo de Fernando Meirelles nos anos 80 (ele era o cinegrafista da produtora Olhar Eletrônico) entrevistando mendigos nas ruas de São Paulo. Acontece que o registro feito por Meirelles tinha uma dinâmica mais próxima do espectador. Os mendigos surpreendiam em respostas, em alguns casos até elaboradas. Diferente do ritmo adotado por <em><strong>“A Alma do Osso”</strong></em>. O filme propõe contemplação, e falha ao não contar história nenhuma. Não sabemos de onde ele veio, como chegou ali, como sobrevive, quase nada.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-5150" title="alma_osso" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2010/06/alma_osso-300x190.jpg" alt="alma_osso" width="300" height="190" />Lá pelas tantas, entre dificuldades para pronunciar as palavras e para desenvolver o pensamento, o eremita conta um sonho confuso e depois a história da Alma do Osso que originou o título da obra. Uma história fantasiosa de um viajante que enterrou um cadáver e foi salvo pelo espírito do mesmo, dos raios fatais de uma tempestade. Ele ainda toca um violão e canta uma música precariamente. Depois destes momentos mais interessantes fiquei refletindo: <em>‘será que o filme não poderia explorar em mais estas situações diversas? Ou apenas isso foi selecionado?’</em> Quase no final, o homem ouve um rádio de pilha e recebe jovens de um ônibus escolar cuja estrada fica uns 500 metros da caverna. Depois conta uma história que nos leva a crer que tenha sido paciente de um hospital psiquiátrico. Repito. Será que não havia uma história melhor por se descobrir?</p>
<p>Em minha opinião, o fato de não haver aparente interferência da equipe com o eremita limita o resultado do que é apresentado. Além disso, no último instante do filme, a equipe apresenta ao velho suas imagens na câmera, você percebe a sua emoção se reconhecendo. Então ficamos pensando: <em>‘foi ele quem escolheu a solidão ou ela teria escolhido ele?’</em> Não espere respostas. Não em <em><strong>“A Alma do Osso”</strong></em>.</p>
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		<title>“Viajo porque preciso, volto porque te amo”</title>
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		<pubDate>Thu, 20 May 2010 04:19:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robledo Milani</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-5115" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2010/05/Volto-porque-preciso-volto-porque-te-amo-10-300x184.jpg" alt="" width="300" height="184" />Dois dos maiores nomes do novo cinema nacional se uniram num projeto que pode ser chamado de tudo, menos de convencional. E o resultado é <em><strong>“Viajo porque preciso, volto porque te amo”</strong></em>, um filme que abusa da poesia e da criatividade para falar mais com o sentimento do que com a razão<span id="more-5114"></span>. Uma aposta arriscada, pois não serão poucos os que se sentirão frustrados ao término da sessão, sem conseguir organizar todas as ideias dispostas pelo roteiro. Mas os que conseguirem absorver essa mensagem que fala de liberdade e solidão terão consigo não somente uma bela história de amor, mas também um sensível relato sobre como reinventar-se a cada nova derrota – e consequente renascer.</p>
<p>Os responsáveis por <em><strong>“Viajo porque preciso, volto porque te amo”</strong></em> são os diretores e roteiristas Marcelo Gomes e Karim Ainouz. Os dois sempre estiveram juntos, um colaborando no trabalho do outro, produzindo e ajudando sempre que preciso fosse. Gomes entregou o premiado <em><strong>“Cinema, Aspirinas e Urubus”</strong></em> (que revelou João Miguel), enquanto que Ainouz realizou os igualmente ótimos <strong><em>“Madame Satã”</em></strong> (que revelou Lázaro Ramos) e <strong><em>“O Céu de Suely”</em></strong> (que revelou Hermila Guedes). Ainouz escreveu e produziu também <em><strong>“Cinema, Aspirina e Urubus”</strong></em>, além de ter participado dos roteiros de <em><strong>“Cidade Baixa”</strong></em> (Sérgio Machado, 2005) e <em><strong>“Abril Despedaçado”</strong></em> (Walter Salles, 2001), enquanto que Gomes foi autor do texto de <em><strong>“Madame Satã”</strong></em>. Ou seja, são dois artistas influentes, ativos e representantes do cinema que vem sendo feito no Brasil na última década. E outra coisa em comum que ambos compartilhavam era a vontade de fazer algo diferente do que vinha sendo feito até então. E foi olhando para o passado que conseguiram criar algo novo.</p>
<p><em><strong>“Viajo porque preciso, volto porque te amo”</strong></em> nasceu das recordações, memórias e lembranças que os próprios realizadores foram acumulando com o passar dos anos e com o desenvolvimento de suas obras. Cenas passageiras, imagens marcantes, rostos que não se apagavam. Tudo ia sendo coletado e colocado de lado, para não ser esquecido. Até o momento em que decidiram se unir e colocar uma ordem em todo este material. O que conseguiram foi um filme que mistura vídeo-arte com declaração de amor, poesia barata com ambições líricas, refinamento com breguice. Não é para todo mundo, mas somente para os que forem bem sucedidos na tarefa de identificar cada nova nuance e reconhecer as entrelinhas que nos movem durante o processo entre uma paixão desfeita e as esperanças geradas por um recomeçar.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-5116" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2010/05/viajo_porque_preciso_volto_porque_te_amo-300x168.jpg" alt="" width="300" height="168" />O protagonista de <strong><em>“Viajo porque preciso, volto porque te amo”</em></strong> é um geólogo que tem como missão analisar a viabilidade de um projeto no interior do sertão nordestino. O que ele decidir irá mudar consideravelmente a vida de milhares de pessoas. Mas e a vida dele, em que pé se encontra? Quando começamos a acompanhá-lo, no início de sua jornada, ele é só sentimento, sofrendo com a distância do amor que teve que deixar para trás. Mas aos poucos os limites do tempo passam a se confundir com as emoções, e cada vez mais vão se embaralhando com o que é fato e com o que é fantasia. Quem é a mulher que não está mais ao seu lado? Esse afastamento é somente físico ou também passional? Trata-se de um abandono por qual das duas partes? E se não há mais porque voltar, para onde prosseguir? São tantas as questões enfrentadas pelo nosso guia que poucas serão as decisões tomadas sem dúvidas.</p>
<p>Dois fatos são importantes durante o desenrolar do discurso de <em><strong>“Viajo porque preciso, volto porque te amo”</strong></em>: o fato de nunca vermos o rosto do condutor – não temos ideia dos seus olhos, das suas expressões, do seu linguajar corporal – e de só ouvirmos o que ele nos conta, sem presenciar suas interações com outros personagens. Temos que acreditar no que nos é dito, ou o princípio estará na própria desconfiança do espectador? Quem engana quem? E sem confiança, será possível compartilhar da dor exposta com tanta força durante o percurso? A solidão da estrada é só mais um comentário a respeito do quão difícil é, na verdade, lidarmos nós mesmos com os nossos demônios internos, e é curioso perceber que foi preciso dois autores para realizar algo tão íntimo e pessoal. Sinal de almas em perfeita sintonia. Quiçá essa ligação se estabeleça também no lado de cá da tela!</p>
<p><em>Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo</em>, Brasil, 2010<br />
De Marcelo Gomes e Karim Ainouz<br />
Com Irandhir Santos</p>
<p><strong>(nota 7,5)</strong></p>
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		<title>“As Melhores Coisas do Mundo”</title>
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		<pubDate>Sat, 15 May 2010 04:19:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robledo Milani</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“As Melhores Coisas do Mundo” não é bom somente por um quesito ou outro. É o seu todo que conquista, mostrando que cinema nacional pode, sim, entreter e fazer pensar ao mesmo tempo, sem ser didático ou cansativo]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-5105" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2010/05/as-melhores-coisas-do-mundo-5-300x207.jpg" alt="" width="300" height="207" />Talvez nos Estados Unidos seja mais raro encontrar uma boa diretora de cinema &#8211; afinal, somente agora, 82 anos depois, o Oscar foi premiar uma cineasta! Mas no Brasil o cenário é diferente. Há ótimas realizadoras por aqui, e um belo exemplo é Laís Bodanzky, que com o novo <strong><em>“As Melhores Coisas do Mundo”</em></strong> mostra mais uma vez seu impressionante talento<span id="more-5104"></span>. Depois do simpático e carinhoso <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/chega-de-saudade" target="_self">“Chega de Saudade”</a></em></strong>, ela retoma o universo jovem visto em <strong><em>“Bicho de Sete Cabeças”</em></strong>, que marcou sua estreia em longa-metragem. Só que desta vez a intensidade é distribuída em vários dramas menores &#8211; mas não por isso menos interessantes. É um filme mais maduro, mesmo que isso possa soar contraditório, visto o tema em debate. E também mais acessível.</p>
<p>Baseado na série de livros <em>“Mano”</em>, de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto, <em><strong>“As Melhores Coisas do Mundo”</strong></em> tem como ponto de vista o dia-a-dia do personagem principal, um adolescente que atravessa um momento de crise: seus pais estão se separando, o irmão mais velho está no meio de uma paixão avassaladora e ele próprio está caído de amores por uma garota que nem sabe que ele existe. Neste meio tempo, outros dramas típicos da idade vão cruzando seu caminho, como a descoberta da sexualidade, preconceitos, a verdadeira amizade, decisões profissionais, fidelidade e amor. Tudo embalado por um ritmo bastante dinâmico, com uma trilha sonora envolvente e um texto absurdamente fluente e naturalista.</p>
<p>A escolha das palavras que dão o tom em <em><strong>“As Melhores Coisas do Mundo”</strong></em> foi responsabilidade do parceiro &#8211; na vida e no trabalho &#8211; Luis <img class="alignleft size-medium wp-image-5106" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2010/05/as_melhores_coisas_do_mundo_5-300x198.jpg" alt="" width="300" height="198" />Bolognesi, que colabora com Bodanzky desde o seu primeiro trabalho. Apesar de partirem da inspiração literária, os dois não se acomodaram e foram falar com o grupo que desejavam enfocar. Assim, visitaram diversas escolas da rede particular de São Paulo para melhor entendê-los, descobrir como falam, se comunicam, se relacionam. O melhor é que tudo isso é possível ser visto na tela, como se o espectador fosse mais um da turma. Dessa forma, tudo soa ainda mais verdadeiro. E este mérito é inegável. Se a diretora começou sua carreira na tela grande mostrando o inferno das drogas e como esse problema pode ser ainda maior numa família sem diálogo, seu segundo passo foi noutro sentido, elencando as alegrias e as tristezas da terceira idade. Agora, no entanto, ela parte de um período de formação para discutir as decisões que repercutem durante uma vida inteira. O resultado é ainda mais surpreendente.</p>
<p>Outro ponto positivo forte deste trabalho é o elenco, totalmente entregue à história. Dentre os protagonistas, o nome mais conhecido é o de Fiuk, filho do cantor Fábio Jr. e estrela da Rede Globo. Ele é também responsável por algumas das cenas mais pesadas dramaticamente, e se sai muito bem. Os demais são jovens selecionados através de testes, que felizmente aparecem em cena muito à vontade. Francisco Miguez, que faz o personagem principal, está particularmente convincente. Causam bons resultados também as participações especiais de atores mais tarimbados, como Denise Fraga (excelente em um personagem sério e profundo), Paulo Vilhena e Caio Blat. Mas <strong><em>“As Melhores Coisas do Mundo”</em></strong> não é bom somente por um quesito ou outro. É o seu todo que conquista, mostrando que cinema nacional pode, sim, entreter e fazer pensar ao mesmo tempo, sem ser didático ou cansativo. Aliás, muito pelo contrário. Temos aqui algo destinado aos mais diversos públicos. E é por eles que merece ser descoberto.</p>
<p><em>As Melhores Coisas do Mundo</em>, Brasil, 2010<br />
De Laís Bodanzky<br />
Com Francisco Miguez, Fiuk, Denise Fraga, Caio Blat, Paulo Vilhena, Gustavo Machado, Zécarlos Machado</p>
<p><strong>(nota 8,5)</strong></p>
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		<title>Waldick Soriano &#8211; À Procura da Felicidade</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Dec 2009 03:53:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Derlam</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Carinho, respeito, sensibilidade e humanismo. São as principais intenções escolhidas por Patrícia Pillar para compor “Waldick Soriano – Para sempre no meu coração”, primeiro trabalho da atriz atrás das câmeras...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-4755" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/12/waldick_patricia-300x180.jpg" alt="" width="300" height="180" />Carinho, respeito, sensibilidade e humanismo. São as principais intenções escolhidas por Patrícia Pillar para compor <strong><em>“Waldick Soriano – Para sempre no meu coração”</em></strong>, primeiro trabalho da atriz atrás das câmeras. O documentário apresenta um retrato cativante do mais famoso cantor da dor de cotovelo do Brasil<span id="more-4754"></span>.</p>
<p>Waldick nasceu Eurípedes Waldick Soriano, em Caetité na Bahia.É lá que o filme inicia. Ele visita amigos e se apresenta para o público local onde é saudado por uma pequena multidão. Amigos, dezenas de amores, transeuntes, fãs e familiares vão surgindo durante cinqüenta e oito minutos bem contados por Patrícia. Claro, Waldick canta várias vezes durante o filme, apesar de já estar debilitado pela doença que o vitimou em 2008. Cantando sempre com seu estilo inconfundível e impactante.</p>
<p>Sua história de vida é de superação e de vitória. Com muito pouco estudo, porém influenciado pela música de familiares repentistas, ele se aventurou por São Paulo em busca da sonhada carreira de artista. Veio, fez e venceu. É engraçada e irônica a versão que inspirou seu visual e figurino de cowboy. Waldick assistiu à Durango Kid no cinema e decidiu copiar o estilo do herói. Por isso estava sempre vestido de preto e de chapéu. E não é que deu certo?</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-4756" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/12/waldick-300x169.jpg" alt="" width="300" height="169" />Os amores, o sucesso, as alegrias e tristezas de seu coração caíram no gosto popular. Um dos méritos mais significativos do filme está no fato de mesmo você não gostando das músicas, poderá sair da sala satisfeito com a forma humana que a história foi contada.</p>
<p>Como tantos outros brasileiros de histórias humildes, o público se identificou rapidamente. O mesmo acontece com o espectador ao ver o filme de Patrícia Pillar. As letras eternizadas pelos rótulos de cafona e brega são apresentadas como canções de amor. Esse romantismo popular que proporcionou a Waldick momentos de glória pode ter ajudado a confundir o cantor na busca pela realização pessoal. “<em>Errei muito, a vida é muito complexa</em>” confessa com um sorriso disfarçado. Depois, quase ao final da projeção, a diretora revela um Waldick quieto, distante e que não reage enquanto uma das tantas mulheres de sua vida afirma: “<em>O Waldick não ama a si mesmo</em>”. Ele mesmo confirma não ter encontrado a “tal felicidade”. Mas deixou uma marca durante a procura, e disso ninguém duvida.</p>
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		<title>“À Deriva”</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Dec 2009 03:37:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robledo Milani</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Lançado com toda a pompa e circunstância que a ocasião exigia, em pleno Festival de Cannes, “À Deriva” chegou a mercado brasileiro poucos meses depois conquistando o carinho da crítica, porém falhando em ser recebido com mais entusiasmo pelo grande público...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-4665" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/12/a_deriva-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" />Heitor Dhalia sempre foi um diretor bastante singular dentro do cenário cinematográfico nacional. E se seus primeiros trabalhos abriam espaço para serem confundidos com exercícios de estilo e provocação, <strong><em>“À Deriva”</em></strong>, seu longa mais recente, representa uma maturidade no seu olhar<span id="more-4664"></span>. Sua estreia com o intenso e sombrio <strong><em>“Nina”</em></strong> despertou a curiosidade de muitos, e o sarcasmo revelado em <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/o-cheiro-do-ralo" target="_self">“O Cheiro do Ralo”</a></em></strong> confirmou os principais diferenciais do cineasta: perspicácia, uma visão aguda, cuidado com os detalhes. Agora, no entanto, ele se mostra pronto para vôos ainda maiores e mais amplos.</p>
<p><strong><em>“À Deriva”</em></strong> mostra a trajetória de descoberta sexual de uma menina. E este processo se dá por duas frentes – através dos próprios e confusos desejos e sob a ótica do casamento dos pais, prestes a desmoronar. Ela está deixando de ser criança, mas ainda não é uma mulher. E neste caminho não sabe muito bem o que pensar, sentir ou querer. Ao mesmo tempo em que atrai e repele a atenção dos garotos ao seu redor, ela também fica perdida ao tentar acompanhar os sobes e desces da relação dos pais. Ele parece ser carinhoso e apaixonado, mas também deixa transparecer uma atração por uma novata na região onde a família está passando as férias de verão. A mãe, por sua vez, está visivelmente infeliz e desesperada. Mas terão estas duas condições necessariamente a ver uma com a outra?</p>
<p>Dhalia, também autor do roteiro, deixou um pouco de lado uma costumaz preocupação exagerada com a forma e se fixou mais no conteúdo. Seus <img class="alignleft size-medium wp-image-4666" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/12/deriva-300x189.jpg" alt="" width="300" height="189" />personagens, sempre muito bem construídos e absolutamente verossímeis, aparecem aqui ainda mais verdadeiros. Conseguimos nos identificar com os dramas, com os dilemas e com os desencontros por eles experimentados. Quem nunca quis mais de uma coisa ao mesmo tempo? Ou ainda, quem nunca pensou querer algo, quando na verdade buscava outra completamente diferente? Nossa satisfação pode vir dos mais estranhos lugares, e faz parte do comportamento humano estar sempre pronto para estas novas descobertas.</p>
<p>Lançado com toda a pompa e circunstância que a ocasião exigia, em pleno Festival de Cannes, <strong><em>“À Deriva”</em></strong> chegou a mercado brasileiro poucos meses depois conquistando o carinho da crítica, porém falhando em ser recebido com mais entusiasmo pelo grande público. Isso, no entanto, de forma alguma pode funcionar como um revés para a produção. Este é um filme adulto, que não entrega fórmulas fáceis nem faz concessões. O francês Vincent Cassel (<strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/treze-homens-e-um-novo-segredo" target="_self">“Treze Homens e um Novo Segredo”</a></em></strong>) e a brasileira Débora Bloch (que não aparecia no cinema desde <strong><em>“Bossa Nova”</em></strong>, em 2000) estão perfeitos como o casal em crise, e a química entre eles realmente funciona. São intérpretes competentes e em total domínio de suas capacidades. As participações especiais de Cauã Reymond (<strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/diva" target="_self">“Divã”</a></em></strong>) e da americana Camilla Belle (<strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/herois" target="_self">“Heróis”</a></em></strong>) só enriquecem o conjunto. Mas surpreendente mesmo é a novata Laura Neiva, como a protagonista, que mostra que certos talentos, mesmo brutos, devem ser apreciados. Assim como esta sensível e delicada obra, que conquista aos poucos, mas toca cada espectador de forma única e irreversível. Um belo conto sobre amadurecimento e compreensão, acima de tudo.</p>
<p><em>À Deriva</em>, Brasil, 2009<br />
De Heitor Dhalia<br />
Com Laura Neiva, Vincent Cassel, Débora Bloch, Camilla Belle, Cauã Reymond</p>
<p><strong>(nota 9)</strong></p>
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		<title>“Besouro”</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Dec 2009 04:53:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robledo Milani</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-4649" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/12/besouro-021-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" />O diretor João Daniel Tikhomiroff não é um novato no mundo cinematográfico. Experiente profissional da publicidade, desde os anos 70 já se aventurava na sétima arte – em 1974 dirigiu o curta <em><strong>“Missa do Galo”</strong></em>, com Fernanda Montenegro! Mas foi somente agora, quase 40 anos depois, que resolveu se arriscar num projeto maior. E <strong><em>“Besouro”</em></strong> é uma estreia que justifica esta espera<span id="more-4647"></span>! Combinando efeitos especiais de última geração, um argumento interessante e conectado com a realidade brasileira e um bom trabalho de preparação de atores, ele conseguiu entregar um filme dignamente nacional mas que em nada fica a dever a outras produções internacionais do gênero.</p>
<p><em><strong>“Besouro”</strong></em> conta a história do mais famoso capoeirista brasileiro, uma figura heróica e digna de mitos e lendas. Este personagem realmente existiu, e ganhou destaque ao lutar contra a opressão aos negros no Recôncavo Baiano no começo do século XX. Manoel Henrique Pereira ganhou o apelido de <em>‘Besouro’ </em>quando começou a praticar capoeira. Sua escolha pelo inseto revela suas intenções: <em>“se um bicho preto e grande consegue voar, mesmo com essas asas minúsculas, eu também conseguirei realizar feitos inexplicáveis”</em>. E assim o fez. Besouro tinha apenas 24 anos quando morreu, mas até lá aprontou muito e garantiu seu lugar nas lembranças de todos os que o conheceram. Mestre capoeirista, enfrentou os brancos que ignoravam a Lei Áurea e mostrou que seu povo poderia ter não só vontade e anseios iguais aos de todo mundo, mas também uma cultura própria e igualmente rica.</p>
<p>Tikhomirof, além de dirigir e produzir, também foi responsável pelo roteiro deste seu primeiro trabalho em longa-metragem. E ele se certificou <img class="alignleft size-medium wp-image-4651" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/12/besouro311-300x191.jpg" alt="" width="300" height="191" />de estar ao lado dos melhores em todas as áreas. Patrícia Andrade (<strong><em>“2 Filhos de Francisco”</em></strong>, <em><strong><a href="http://www.cineronda.com.br/salve-geral" target="_self">“Salve Geral”</a></strong></em>) foi co-roteirista ao seu lado, enquanto que a impressionante fotografia, quente e dinâmica, ficou à cargo do equatoriano Enrique Chediak (<strong><em>“Extermínio 2”</em></strong>, <strong><em>“Uma Casa no Fim do Mundo”</em></strong>). Mas surpreendente mesmo foi o trabalho desenvolvido pelo coordenador de artes marciais chinês Huen-Chiu Ku – que possui em seu currículo títulos de peso, como <strong><em>“Máquina Mortífera 4”</em></strong>, <strong><em>“O Tigre e o Dragão”</em></strong>, <strong><em>“Kill Bill”</em></strong> e <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/%e2%80%9ca-mumia-%e2%80%93-tumba-do-imperador-dragao%e2%80%9d" target="_self">“A Múmia – Tumba do Imperador Dragão”</a></em></strong>. E esta experiência adquirida no cinema oriental e hollywoodiano se adaptou com tranqüilidade à agilidade e ao visual buscado pelo diretor, que com estes apoios conseguiu criar uma trama à altura da figura histórica escolhida.</p>
<p>Bem recebido pelo público, <strong><em>“Besouro”</em></strong> teve também uma recepção calorosa junto à crítica, que apontou o enredo bem amarrado, os cuidados técnicos e o elenco competente como suas maiores qualidades. Dentre os intérpretes, destaque maior para o protagonista Aílton Carmo, ele próprio professor de capoeira que nunca havia atuado antes. Jéssica Barbosa (Dinorá) e Anderson Santos de Jesus (Quero-Quero), que completam o triângulo amoroso central, também oferecem uma estrutura dramática forte e hábil diante as emoções percorridas. Este é um filme brasileiro com orgulho de sua origem, desde o assunto abordado até a forma como ele chega à tela grande, e que possui méritos suficientes para fazer bonito em qualquer canto do mundo. Sorte daqueles que se derem conta disso.</p>
<p><em>Besouro</em>, Brasil, 2009<br />
De João Daniel Tikhomiroff<br />
Com Aílton Camargo, Anderson Santos de Jesus, Jéssica Barbosa, Flavio Rocha, Irandhir Santos, Macalé, Leno Sacramento, Chris Vianna, Sérgio Laurentino, Adriana Alves, Miguel Lunardi</p>
<p><strong>(nota 8)</strong></p>
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		<title>“Do Começo ao Fim”</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Nov 2009 06:11:21 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-4597" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/11/do_começo_ao_fim-300x191.jpg" alt="" width="300" height="191" />Desde o início do ano, quando vazaram na internet as primeiras imagens de <em><strong>“Do Começo ao Fim”</strong></em>, o novo filme do diretor Aluisio Abranches, tudo indicava que este seria um dos longas nacionais mais comentados deste ano. Agora, após sua estreia, a impressão não só é correta como também satisfatória<span id="more-4596"></span>. A drama do relacionamento incestuoso entre dois meio-irmãos tem potencial para diversas discussões, mas deliberadamente toma o caminho mais simples e, justamente por isso, surpreendente, evitando polêmicas gratuitas e centrando seu discurso naquilo que realmente interessa: o amor.</p>
<p><em><strong>“Do Começo ao Fim”</strong></em> é uma fábula de ficção, e como tal deve ser entendida. Não há falsa correção política ou pré-conceitos envolvidos em seu enredo. Por outro lado, há muita sinceridade, entrega e paixão. O filme mostra como uma família plenamente feliz pode, mesmo diante das situações mais adversas, se manter unida na busca de uma realização tanto em grupo quanto individual. Certas situações, atitudes e desejos podem parecer estranhos, confusos ou até mesmo errados, mas serão mesmo tão horríveis, uma vez que só produzem felicidade, sem que mal algum participe desta equação? Até que ponto devemos nos preocupar mais com o que os outros irão pensar ao invés do que aquilo a que o nosso coração aspira? Quando o bem se une com o bem, não deveria nunca a imagem do erro se associar.</p>
<p>Na primeira cena somos confrontados com um texto sobre livre arbítrio. O que é dito neste momento não é gratuito. Afinal, é sobre esta possibilidade que o filme se debruça. Podemos realmente escolher o que queremos para nós mesmos? Somos livres a este ponto? Muitos poderão julgar que <em><strong>“Do Começo ao Fim”</strong></em> não é verossímil, que seu desenvolvimento segue por meios utópicos, que faltam conflitos no seu desenvolvimento, que não há crise ou embates. A história avança, mas até que ponto esta evolução significa um crescimento, uma mudança? Se alguns, tomados por um moralismo precipitado, possam optar por avaliar este longa negativamente, apontando lapsos facilmente identificáveis como deslizes dentro de uma proposta tradicional, outros farão um esforço maior, indo além do óbvio. Estes serão recompensados na medida em que farão uso da reflexão para perceber que, na verdade, o que se quer colocar em evidência não é um simples caso gay, ou mexer com o tabu da atração sexual entre irmãos. Oferece-se mais, mostrando que, na verdade, o que importa é o sentimento. E não de onde ele vem ou como se realiza.</p>
<p>Uma mulher se casa, tem um filho, e alguns anos depois, se separa. Mais um tempo passa, outro casamento acontece, e uma nova criança ganha vida. Os dois são irmãos por parte de mãe, mas os laços que os unem são muito maiores e mais fortes do que esta ligação possa sugerir. São almas que se encontram, decididas a não mais se separarem. Uma só possui força ao lado da outra. Tristezas, decepções e tragédias acontecem em suas trajetórias, mas o ombro de um sempre esteve para apoiar o outro. Até o momento em que as responsabilidades da maturidade ameaçam acabar com isso. Ambos ficam fracos, perdidos. Mas sabem que o caminho para a salvação está na acolhida mútua que só eles podem oferecer.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-4603" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/11/filmes_460_Do-Comeco-ao-Fim-8-300x195.jpg" alt="" width="300" height="195" />Há sexo, há nudez, há beijo. Há diversos elementos que podem incomodar e até mesmo afastar os mais conservadores. Mas não há gratuidade em nada disso. Tudo possui um sentido muito claro, e Abranches, enquanto diretor e roteirista, tem pleno domínio de sua criação. A trilha sonora de André Abujamra (que já demonstrara um talento impressionante em trabalhos tão diversos quanto <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/o-contador-de-historias" target="_self">“O Contador de Histórias”</a></em></strong> e <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/%e2%80%9cencarnacao-do-demonio%e2%80%9d" target="_self">“Encarnação do Demônio”</a></em></strong>) só colabora na emoção crescente que nos envolve de forma intensa e absoluta. Outro ponto forte é o elenco coeso, desde atores profissionais como Julia Lemmertz (parceira habitual do realizador, presente também em <em><strong>“Um Copo de Cólera”</strong></em> e <em><strong>“As Três Marias”</strong></em>, os dois filmes anteriores dele), Fábio Assunção (<strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/primo-basilio-2" target="_self">“Primo Basílio”</a></em></strong>), Louise Cardoso (<strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/tempos-de-paz" target="_self">“Tempos de Paz”</a></em></strong>) e o argentino Jean-Pierre Noher (<strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/estomago" target="_self">“Estômago”</a></em></strong>) até os novatos que aparecem como protagonistas: João Gabriel Vasconcellos e Rafael Cardoso (quando adultos) e Lucas Cotrim e Gabriel Kaufmann (na infância). As duas duplas possuem uma química perfeita, um entrosamento que é crucial para o sucesso desta empreitada.</p>
<p>Homossexualidade e incesto são dois temas que, separadamente, são capazes de provocar as mais diversas discussões. Juntos, então, são ainda mais explosivos. <em><strong>“Do Começo ao Fim”</strong></em>, no entanto, não se permite perder tempo questionando o sexo dos anjos. Pode parecer um pouco presunçoso, porém os resultados obtidos comprovam seu lirismo e uma delicadeza ímpar. A vez não é da prosa, da lógica, do comum. O espaço aberto cabe à poesia, e ela sabe fazer bom uso dessa oportunidade. E feliz também é aquele que consegue levar consigo um pouco dessa luz.</p>
<p><em>Do Começo ao Fim</em>, Brasil, 2009<br />
De Aluisio Abranches<br />
Com João Gabriel Vasconcellos, Rafael Cardoso, Lucas Cotrim, Gabriel Kaufmann, Julia Lemmertz, Fabio Assunção, Louise Cardoso, Jean Pierre Noher</p>
<p><strong>(nota 9)</strong></p>
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		<title>“Quanto Dura o Amor?”</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Nov 2009 16:38:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robledo Milani</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-4552" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/11/quantodura-210709-300x187.jpg" alt="" width="300" height="187" />Uma ciranda de amores, sexos e emoções à flor da pele em uma grande cidade. Assim pode ser descrito <em><strong>“Quanto Dura o Amor?”</strong></em>, segundo trabalho do diretor Roberto Moreira. Porém, ao contrário da explosão de sentimentos e angústias do seu longa de estreia, <em><strong>“Contra Todos”</strong></em> (2003), dessa vez ele prefere apostar na sutileza e no íntimo de cada personagem<span id="more-4551"></span>. A primeira impressão é de que o cineasta está mais calmo, até mesmo tímido. Mas esta é uma sensação passageira, e logo percebemos que na verdade ele apenas mudou de tática: deixou de ser o cão que ladra, mas não morde, e optou pela paciência do leão que sabe o momento certo de atacar. Antes foi muito barulho. Agora o tiro é mais certeiro.</p>
<p>Esse painel de relacionamentos modernos traz os mais diversos tipos para a efervescência de São Paulo, a mais populosa cidade do país e uma das maiores de todo o mundo. Começamos acompanhando a menina (Silvia Lourenço, de <em><strong><a href="http://www.cineronda.com.br/o-cheiro-do-ralo" target="_self">“O Cheiro do Ralo”</a></strong></em> e que também estava em <em><strong>“Contra Todos”</strong></em>) do interior que, decidida a ser atriz, vai para a capital tentar a sorte. Lá acaba sendo tragada pelas tentações e prazeres do grande centro, e logo esquece do namorado. Afinal, tem outras coisas – ou pessoas – em mente. Um romance mal resolvido com uma cantora (Danni Carlos, totalmente entregue) é sua principal preocupação, ainda mais porque esta continua ligada ao dono do bar (Paulo Vilhena, mantendo a mesma persona de sempre) em que se apresenta, numa relação bastante complicada. Outros dramas se cruzam, com o do escritor (Fábio Herford, de <em><strong><a href="http://www.cineronda.com.br/salve-geral" target="_self">“Salve Geral”</a></strong></em>) apaixonado por uma prostituta (Leilah Moreno, de <em><strong>“Antônia”</strong></em>) e o da advogada (Maria Clara Spinelli, uma revelação) que se envolve com um colega de trabalho (Gustavo Machado, de <em><strong><a href="http://www.cineronda.com.br/olho-de-boi" target="_self">“Olho de Boi”</a></strong></em>), a despeito de um forte segredo que carrega consigo.</p>
<p><em><strong>“Quanto Dura o Amor?”</strong></em>, no início do projeto, se chamava <em><strong>“Condomínio Jaqueline”</strong></em>, e possuía muito mais histórias paralelas. O problema é que no fim das filmagens Moreira percebeu que tinha em mãos ou um filme de mais de três horas ou dois longas distintos. E ele acabou optando por esta segunda via. Na verdade são tramas irmãs, que se intercalam e possuem praticamente o mesmo elenco, porém os que são coadjuvantes num se tornam protagonistas no outro, e vice-versa. O primeiro a chegar às telas, <em><strong>“Quanto Dura o Amor?”</strong></em>, é o lado A, o mais dramático. O segundo, que seguirá se chamando <em><strong>“Condomínio Jaqueline”</strong></em>, deve ser lançado no ano que vem, porém não se sabe ainda se nos cinemas ou na televisão, em formato de minissérie. Este será o lado engraçado, que investe na comicidade. Com esta divisão perdeu-se muito do humor nesta etapa inicial. Isso, no entanto, é compensado pelo teor emocional despertado no elenco. A curta duração – são meros 83 minutos – também pode ser apontada como causa de uma certa frivolidade ao tratar de assuntos possivelmente mais explosivos. Mas o conjunto supera a soma das partes.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-4553" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/11/mcspinelli_alexandre_ermel_03-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" />Maria Clara Spinelli, uma novata no cinema, possui as cenas mais intensas e que mais comovem o público. O risco da atriz ser confundida com a personagem tem fundamento, mas a elegância e a seriedade com que encarou o desafio são maiores do que qualquer polêmica gratuita. Silvia Lourenço é outra que merece aplausos, entregando ao público mais uma performance arrebatadora. Não por menos as duas – Spinelli e Lourenço – dividiram o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema de Paulínia. Um resultado justo, e qualquer distinção aqui seria equivocada.</p>
<p>Roberto Moreira é um cineasta com o qual devemos estar atentos a cada novo trabalho. Seus filmes – e temos apenas dois por enquanto – podem até parecer simples, porém guardam muitos outros significados e intenções, além do que um julgamento rápido possa identificar. <em><strong>“Quanto Dura o Amor?”</strong></em> é assim, aparentemente comum, em estrutura cíclica e cosmopolita, mas cada figura que cruza a tela tem um objetivo, provocando reações e instigando o debate e a reflexão. É um filme em completa sintonia com o seu tempo, e merece ser observado com carinho e atenção. Pois este cuidado, visível nos bastidores, é também perceptível no lado de cá da projeção.</p>
<p><em>Quanto Dura o Amor?</em>, Brasil, 2009<br />
De Roberto Moreira<br />
Com Silvia Lourenço, Maria Clara Spinelli, Paulo Vilhena, Danni Carlos, Leilah Moreno, Gustavo Machado, Fábio Herford, Paula Pretta, Ailton Graça, Sérgio Guizé</p>
<p><strong>(nota 7,5)</strong></p>
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		<title>“Hotel Atlântico”</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 14:32:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robledo Milani</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-4530" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/11/hotel01-300x197.jpg" alt="" width="300" height="197" />Em quase 25 anos de carreira, <strong><em>“Hotel Atlântico”</em></strong> é recém o terceiro longa-metragem da diretora Suzana Amaral. Porém, é impressionante o quão certeira ela consegue ser em cada um destes trabalhos<span id="more-4529"></span>. Com o primeiro, <em><strong>“A Hora da Estrela”</strong></em> (1985), baseado no romance de Clarice Lispector, a protagonista Marcelia Cartaxo ganhou o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim. Já o segundo, <em><strong>“Uma Vida em Segredo”</strong></em> (2001), deu à protagonista Sabrina Greve os prêmios de melhor atriz nos festivais de Brasília, Ceará, Huelva e segundo a associação de críticos de São Paulo. Como se pode perceber, estes dois longas eram fortemente calcados na figura feminina. Algo que muda drasticamente em sua terceira incursão cinematográfica.</p>
<p>Este é o terceiro longa-metragem baseado numa obra do escritor gaúcho João Gilberto Noll, após <em><strong>“Nunca Fomos Tão Felizes”</strong></em> (1984), de Murilo Salles, e <em><strong>“Harmada”</strong></em> (2003), de Maurice Capovilla. O protagonista é um ator também gaúcho, Júlio Andrade, que aparecera em papéis menores em filmes como <strong><em>“Meu Tio Matou um Cara”</em></strong> e <em><strong>“O Homem que Copiava”</strong></em>, ambos de Jorge Furtado, e estrelou <em><strong><a href="http://www.cineronda.com.br/cao-sem-dono-2" target="_self">“Cão Sem Dono”</a></strong></em>, de Beto Brant e Renato Ciasca. Outros nomes fortes que marcam presença no elenco são Gero Camilo (<em><strong>“Carandiru”</strong></em>), João Miguel (<strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/estomago" target="_self">“Estômago”</a></em></strong>) e Mariana Ximenes (<em><strong>“O Homem do Ano”</strong></em>). Todos, porém, em participações pouco mais do que especiais, pois apenas cruzam o caminho do personagem principal, um homem sem rumo nem direção, que embarca numa jornada cujo fim é desconhecido.</p>
<p>O filme é um enigma. Conta a história de um homem aparentemente perdido que decide se hospedar no Hotel Atlântico do título. Ele chega cansado e logo se deita. Em seguida o acompanhamos saindo a esmo pelas ruas, numa viagem por vários estados brasileiros e encontrando os mais diversos tipos, como uma polonesa que perdeu o filho ainda criança, dois jovens que tentam assassiná-lo, um sacristão e sua esposa obesa, um médico candidato a prefeito numa pequena cidade, a filha sedutora dele e um enfermeiro que deseja ver o mar pela primeira vez. A grande pergunta é: tudo isso que está acontecendo é real ou apenas um sonho?</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-4531" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/11/hotelatlantico-300x160.jpg" alt="" width="300" height="160" /><em><strong>“Hotel Atlântico”</strong></em> ganhou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante (Gero Camilo) no Festival do Rio 2009. Integrou também a programação da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A primeira exibição em Porto Alegre, terra do autor do livro, aconteceu discretamente, numa pré-estreia aberta ao público num sábado à noite. Noll estava presente, de chapéu de pescador e procurando não chamar atenção. Ele entrou sozinho, sentou num canto e prestou atenção à toda projeção. No término, era todo sorrisos. Foi então quando começou a ser abordado por outros presentes, que finalmente o reconheceram. E a todos afirmava o quanto estava feliz com o resultado que acabara de ver na tela grande e pelo modo como sua história fora tão bem tratada.</p>
<p>Este mérito é, certamente, de todos os envolvidos, que conseguiram pegar uma trama nada fácil e cheia de significados ocultos e transformá-la em algo interessante e envolvente. Por mais perdido que o espectador esteja, ele quer sempre saber mais. A diretora foi respeitosa, porém não temeu interferir o suficiente para fazer do livro dele um filme seu. O elenco também está excelente, com destaque para Andrade, um ator que a cada nova interpretação só nos entrega boas surpresas. <em><strong>“Hotel Atlântico&#8221;</strong></em> é um belo longa, uma obra madura e que não oferece respostas fáceis. Não é indicado a todos os públicos, mas aqueles que a ela se dedicarem encontrarão um trabalho adulto e questionador, com personagens tão estranhos quanto atraentes e uma estrutura narrativa que envolve e conquista o espectador.</p>
<p><em>Hotel Atlântico</em>, Brasil, 2009<br />
De Suzana Amaral<br />
Com Julio Andrade, João Miguel, Mariana Ximenes, Gero Camilo, Lorena Lobato, Helena Ignez, André Frateschi</p>
<p><strong>(nota 8)</strong></p>
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		<title>Cinema representado pela diversidade</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Nov 2009 20:35:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Willian Silveira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma vez vencido o costumeiro preconceito, a animação de Aubier e Patar se mostra muito sólida, seus caracteres se consolidam de distintas formas e apresentam personalidades com forças únicas, estritamente necessárias na criação desse mundo ficcional e levemente absurdo...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-4504" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/11/a-town-called-panic-300x195.jpg" alt="" width="300" height="195" />Aqui, todo mundo sabe a que nos referimos quando falamos da <em>Mostra Internacional de Cinema de São Paulo</em>. Já se pode ver, em mais de três décadas realizando o evento, traços fortemente impregnados pela política de exibição da curadoria nas pistas daquilo que se propõe, do que se constitui e do que sempre buscará fomentar<span id="more-4503"></span>. Em inglês, o evento leva o nome de <em>São Paulo International Film Festival</em>, ou seja, ganha pompa e autoridade na imposição do palavra Festival, inexistente na nomenclatura em português.</p>
<p>Mais do que uma característica lingüística, quando pensamos nos mais de quatrocentos títulos das mais diversas filmografias exibidos no curtíssimo espaço de quinze dias – o que faz de qualquer cinéfilo acima de tudo um maratonista – é impossível negar que a tendência à &#8220;mostra&#8221; se sobrepõe e vence, assumindo seu caráter de representar essencialmente o cinema, independente de forma e nacionalidade, e não o cineasta, como costumam os festivais.</p>
<p>Isso se comprova cada vez mais quando se abre espaço para uma animação como a francesa <em><strong>“Panique au Village”</strong></em> (<em>A town called panic</em>, 2009) e a mesma recebe a oportunidade de se apresentar de igual para igual em um circuito que conta com nomes de grife como Alain Resnais, Michael Haneke, Theo Angelopoulos e Wes Anderson, por exemplo.</p>
<p>Oriunda da série homônima francesa de 2000, <strong><em>&#8220;Panique au Village&#8221;</em></strong> é conduzida por Stéphane Aubier e Vincent Patar, ambos diretores do programa televisivo. Sem comprometer a qualidade na mudança do formato, a dupla faz da animação de brinquedos de plástico um recurso inesgotável, resultando em uma imprevisível e divertida história, recheada de sutilezas e muita imaginação.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-4505" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/11/L300-300x197.jpg" alt="" width="300" height="197" />Tudo tem início quando os amigos Índio e Cowboy lembram que o aniversário do companheiro Cavalo está se aproximando. Para a data não passar em branco imaginam que o melhor seria presenteá-lo com uma churrasqueira. Detentor do conhecimento pragmático e de muita destreza, o Índio faz todo o projeto, calcula medida, forma e material necessário. Esperam a brecha dada pelo amigo que vai até o colégio da apaixonada professora de música Égua e fazem, pela internet, a compra dos tijolos. Uma distração, no entanto, faz com que os cinqüenta tijolos necessários para a construção se transformem em um pedido de cinqüenta milhões. Mesmo desnorteados pela compra absurda, erguem o presente do Cavalo e escondem o restante do material sobre o telhado de sua casa. O que não poderiam imaginar é que, passada a comemoração do aniversário, o peso dos tijolos levaria ao desabamento da casa, colocando-os em uma aventura muito divertida, que os faz percorrer desde o núcleo da terra até o pólo mais frio do planeta, não impedindo que os personagens se relacionem até mesmo com alienígenas.</p>
<p>Uma vez vencido o costumeiro preconceito, a animação de Aubier e Patar se mostra muito sólida, seus caracteres se consolidam de distintas formas e apresentam personalidades com forças únicas, estritamente necessárias na criação desse mundo ficcional e levemente absurdo. O domínio da narrativa, a movimentação dos bonecos e o ritmo sempre estável compõem o núcleo de uma animação surpreendente e qualificada em diferentes aspectos, inclusive no de ampliar a visão dos espectadores para a diversidade da produção do cinema atual.</p>
<p><em>A town called panic</em> (<em>Panique au village</em>, 2009, França, 75 min.)<br />
<strong>Dir.:</strong> Stéphane Aubier e Vincent Patar<br />
<strong>Cotação:</strong> Bom</p>
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