Bride Wars

Por: Ale Simas
categorias: Colunas, Pop Coolture
Data: segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

“Bride Wars” tem sido massacrado pela crítica norte-americana. A maioria chama o filme de fútil e um tanto quanto vazio, mesmo se tratando de uma comédia romântica. Existiam também boatos de que as duas atrizes principais, Anne Hathaway e Kate Hudson, não tinham nenhuma intenção de reviver a boa amizade das telas na vida real. Assim, o filme estreou fadado ao fracasso.

Fui ao cinema preparada para uma bela porcaria, mas confesso que achei um tanto divertido. A história é um tanto boba, e por muitas vezes chega a ser ofensiva ao estereotipar todas as mulheres dentro desse mundo cor de rosa e utópico que é o do ‘grande dia’, ou seja, o dia do casamento. Não tive como me relacionar com tal sonho, pois desde pequena, toda vez que estava prestes a receber a ligação do véu e grinalda, meu cérebro dava sinal de ocupado. Então me perdoem os românticos de plantão, mas o enredo me soou um tanto quanto bobo. Mas, mesmo assim, o filme se sustenta, até mais do que o esperado.

Emma (Hathaway) e Liv (Hudson) são duas amigas de infância, que dividem segredos, roupas e o mesmo sonho: encontrar o príncipe encantado e ter um casamento em junho, no tão famoso Plaza. Para a sorte das duas, elas não só são pedidas em casamento em datas próximas uma da outra, mas com a ajuda da requisitada e extraordinária organizadora de casamentos Marion St. Claire (Candice Bergen), conseguem marcar o casamento nas datas desejadas, fazendo com que consigam ser damas de honra uma das outras. Tudo parecia estar dando mais do que certo, até que um erro de reserva faz com que os casamentos delas acabem sendo marcados para o mesmo dia. Uma pessoa sensata diria: por que não um casamento duplo? Afinal, se elas dividem tanto, porque não mais isso? Mas não para as nossas heroínas/vilãs.

É neste momento que sentimentos calados vêm à tona, e pouco a pouco, uma amizade que parecia incondicional, se perde dentro dos esforços e dos comprometimentos. Emma cresceu e se transformou numa professora. Ela é a sensível, dócil e compreensiva da dupla. Liv, por sua vez, é uma mulher de negócios, que depois da perda dos pais acaba por se tornar uma control freak, vivendo a vida como uma grande competição. Emma esta cansada de viver na sombra de Liv, mas esta não tem intenção de perder a batalha. A amizade dá lugar ao orgulho, e ao invés de prezar os sentimentos da outra, elas passam a ver apenas o próprio.

Neste ponto “Bride Wars” toma um rumo um tanto pastelão, com as duas “amigas” tentando uma sabotar o casamento da outra. Um ritmo imaturo e egoísta, mas que consegue ser doce nas horas certas, principalmente perto do final. A química entre as duas, milagrosamente, funciona. Muitos não concordam, mas pra mim a diferença entre elas é que faz a amizade um tanto realista. Hudson continua sendo previsível, mas dessa vez, suportável. É impressionante o quanto, tirando “Quase Famosos”, ela é sempre a mesma personagem, mudando apenas o corte de cabelo e o ator coadjuvante. Hathaway por outro lado, é uma atriz versátil. Depois de uma drogada e um tanto problemática em “Rachel Getting Married”, ela está de volta ao mundo das romcom, e o faz sem trabalho nenhum. O carisma dela é palpável, e sua atuação um tanto quanto engraçada.

A sala de cinema estava lotada, e por mais que a crítica tenha sido contra o longa, o público estava extremamente a favor. Risadas ecoando, e o elo entre amigas sendo sentido por todo canto. Comédias românticas não têm intenção de mudar a vida de ninguém. São duas horas que servem para relaxar e fazer a gente mais leve. São duas horas em que nos perdemos em Vera Wang, em novas trends. Sim, pode ser um tanto superficial, mas nem por isso deixa de ser entretenimento. Nem por isso deixa de ser parte da cultura de hoje em dia. Perdoem as mulheres por não estarem sonhando com um novo set de panela, e sim tentando descobrir de onde veio o casaco que a Anne Hathaway estava usando em tal cena.

“Bride Wars”, para aqueles que tiveram a bênção de cruzar com amizades duradouras, serve para enaltecer o valor daquela amiga que está sempre presente, mesmo que à distância. É uma ode aos pequenos momentos entre duas pessoas: as risadas, as viagens e aquela certeza de que relacionamentos vêm e vão, mas uma amizade verdadeira é para sempre. Que a tão almejada alma gêmea, lenda urbana ou não, às vezes não vem a ser aquela pessoa do sexo oposto, e sim aquela que esteve ao lado durante toda a procura.

 

Ale Simas mora fora do Brasil já há 5 anos. Os dois primeiros, passou tomando sol em Los Angeles. Nos últimos 3 vem construindo iglus no Canadá, e namorando um urso polar (que prefere não se identificar). No tempo livre, se alimenta nao só de chocolate, mas de filmes, livros, amigos e televisão. Prefere não mencionar música, já que tem a certeza absoluta de que vai ser presa pela quantidade de downloads feitos diariamente. Gosta de coisas toscas, mas também inteligentes. Tosquice é um estado de espírito, já dizia um sábio. Tosco, claro.
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