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“Bolt Supercão”

Written on 4 de janeiro de 2009 – 23:21 | by Robledo Milani |

Quem tem coragem de duvidar do poder dos Estúdios Disney? Há até pouco tempo, muitos diziam que a casa de Mickey Mouse estava acabada, que o futuro pertencia à animação digital e às produções da Pixar e da Dreamworks. Pois bem, quando todos acreditavam que estas glórias haviam ficado definitivamente no passado, eis que surge “Bolt Supercão”, um longa que demonstra não só uma vitalidade insuspeita como um novo direcionamento, mostrando que há muito ainda a ser trilhado. Felizmente! Não estamos falando de um filme no nível de “Ratatouille” ou “Shrek” (só para citar dois oscarizados), por exemplo, mas ainda assim é muito superior às tentativas digitais anteriores da Disney, como “O Galinho Chicken Little” e “A Família do Futuro”! E se provocou entusiasmo, nenhum indicativo poderia ser mais apropriado de que o caminho está correto.

O primeiro passo acertado foi o de “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. E justamente isso foi feito quando a Pixar foi adquirida. Se antes se tratavam de dois estúdios independentes, porém associados somente no momento da distribuição, após cada obra estar pronta, agora é diferente, e o controle criativo de ambos está nas mãos de homens como John Lasseter, diretor de “Toy Story” e “Carros”, entre outros, e produtor de praticamente todas as animações digitais da companhia. E se a união foi definitivamente estabelecida, por quê não aproveitá-la? Assim, o primeiro resultado deste casamento é justamente “Bolt Supercão”, que chega aos cinemas em duas versões: tradicional e 3D – essa sim, arrepiante!

A trama, apesar de original, trata de temas bastante caros ao universo Disney: companheirismo, amizade, confiança, respeito e dedicação. Bolt é um cãozinho que, desde pequeno, foi criado dentro de uma companhia de televisão. Ele é a estrela principal de um seriado sobre um cachorro com superpoderes que, ao lado da sua dona, enfrenta os mais diversos perigos. A questão é que ele realmente acredita ser o personagem, sem ter a menor noção do mundo real. Mas um acidente o acaba levando de Los Angeles até Nova York, e perdido e sem ter a quem recorrer, terá que atravessar o país, ao lado de dois novos companheiros – uma gata, que acredita ser comparsa do vilão, e um hamster alucinado, fã dele – além de ter que descobrir do modo mais difícil que não é tão habilidoso quanto imaginava.

Bem recebido pelo público, “Bolt Supercão” arrecadou mais de US$ 100 milhões nas bilheterias norte-americanas em pouco mais de um mês de exibição. Não chega a ser um feito memorável, mas ninguém pode considerá-lo um fiasco (só para termos de comparação, tanto “Wall-E” quanto “Kung Fu Panda” arrecadaram mais de US$ 200 milhões nos EUA e mais de US$ 500 milhões em todo o mundo). A crítica também o aplaudiu, conferindo-lhe indicações como Melhor Longa de Animação do ano em premiações como o Globo de Ouro e o Satellites. Sinal de que a turma do Mickey ainda possui um bom fôlego, e que há muito há ser explorado neste universo de magia, encanto e sedução. E se todos forem tão adoráveis e emocionantes quanto o pequeno Bolt, já estará de bom tamanho!

Bolt, EUA, 2008
De Byron Howard, Chris Williams
Com as vozes originais de John Travolta, Miley Cyrus, Susie Essman, Mark Walton, Malcolm McDowell, e na versão dublada em português de Mário Jorge Andrade, Maria Clara Gueiros, Leandro Hassum

(nota 8)

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