“Besouro”
Por: Robledo Milani
categorias: Cinéfilo, Colunas, Críticas, Especiais, Filmes, Guarani, Película
Data: quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
O diretor João Daniel Tikhomiroff não é um novato no mundo cinematográfico. Experiente profissional da publicidade, desde os anos 70 já se aventurava na sétima arte – em 1974 dirigiu o curta “Missa do Galo”, com Fernanda Montenegro! Mas foi somente agora, quase 40 anos depois, que resolveu se arriscar num projeto maior. E “Besouro” é uma estreia que justifica esta espera! Combinando efeitos especiais de última geração, um argumento interessante e conectado com a realidade brasileira e um bom trabalho de preparação de atores, ele conseguiu entregar um filme dignamente nacional mas que em nada fica a dever a outras produções internacionais do gênero.
“Besouro” conta a história do mais famoso capoeirista brasileiro, uma figura heróica e digna de mitos e lendas. Este personagem realmente existiu, e ganhou destaque ao lutar contra a opressão aos negros no Recôncavo Baiano no começo do século XX. Manoel Henrique Pereira ganhou o apelido de ‘Besouro’ quando começou a praticar capoeira. Sua escolha pelo inseto revela suas intenções: “se um bicho preto e grande consegue voar, mesmo com essas asas minúsculas, eu também conseguirei realizar feitos inexplicáveis”. E assim o fez. Besouro tinha apenas 24 anos quando morreu, mas até lá aprontou muito e garantiu seu lugar nas lembranças de todos os que o conheceram. Mestre capoeirista, enfrentou os brancos que ignoravam a Lei Áurea e mostrou que seu povo poderia ter não só vontade e anseios iguais aos de todo mundo, mas também uma cultura própria e igualmente rica.
Tikhomirof, além de dirigir e produzir, também foi responsável pelo roteiro deste seu primeiro trabalho em longa-metragem. E ele se certificou
de estar ao lado dos melhores em todas as áreas. Patrícia Andrade (“2 Filhos de Francisco”, “Salve Geral”) foi co-roteirista ao seu lado, enquanto que a impressionante fotografia, quente e dinâmica, ficou à cargo do equatoriano Enrique Chediak (“Extermínio 2”, “Uma Casa no Fim do Mundo”). Mas surpreendente mesmo foi o trabalho desenvolvido pelo coordenador de artes marciais chinês Huen-Chiu Ku – que possui em seu currículo títulos de peso, como “Máquina Mortífera 4”, “O Tigre e o Dragão”, “Kill Bill” e “A Múmia – Tumba do Imperador Dragão”. E esta experiência adquirida no cinema oriental e hollywoodiano se adaptou com tranqüilidade à agilidade e ao visual buscado pelo diretor, que com estes apoios conseguiu criar uma trama à altura da figura histórica escolhida.
Bem recebido pelo público, “Besouro” teve também uma recepção calorosa junto à crítica, que apontou o enredo bem amarrado, os cuidados técnicos e o elenco competente como suas maiores qualidades. Dentre os intérpretes, destaque maior para o protagonista Aílton Carmo, ele próprio professor de capoeira que nunca havia atuado antes. Jéssica Barbosa (Dinorá) e Anderson Santos de Jesus (Quero-Quero), que completam o triângulo amoroso central, também oferecem uma estrutura dramática forte e hábil diante as emoções percorridas. Este é um filme brasileiro com orgulho de sua origem, desde o assunto abordado até a forma como ele chega à tela grande, e que possui méritos suficientes para fazer bonito em qualquer canto do mundo. Sorte daqueles que se derem conta disso.
Besouro, Brasil, 2009
De João Daniel Tikhomiroff
Com Aílton Camargo, Anderson Santos de Jesus, Jéssica Barbosa, Flavio Rocha, Irandhir Santos, Macalé, Leno Sacramento, Chris Vianna, Sérgio Laurentino, Adriana Alves, Miguel Lunardi
(nota 8)






A interpretação de Irandhir Santos (Noca), o “vilão” é uma das melhores do ano, com certeza!!
Concordo com você Paulo Neto Irandhir Santos(Noca) è demais!!!!!
Antes de mais nada, estou aqui para dar minha opinião a respeito do filme.. só do filme.
Já nos primeiros momentos não pude deixar de notar a semelhança com a série “Kung-fu” (anos 70) e do seu pequeno BESOU… ops!! GAFANHOTO e seu mestre chinês…
Achei um filme muito parado, tipo aqueles que vc pede licença pra comprar mais pipoca e refrigerante no meio, e por fim surge aquela frase geral “Uaii!! já acabou??”! Pra mim é um filme McDonaldiano.. muita propaganda e pouco conteúdo.. mas os atores e atrizes simplesmente são PERFEITOS..