“Bella”
Por: Robledo Milani
categorias: Críticas, Película
Data: sexta-feira, 27 de junho de 2008
Passou quase como um furacão pelos cinemas nacionais, e com dois anos de atraso, um dos filmes mais emocionantes vindos recentemente do México e apropriadamente intitulado “Bella”. Na verdade esta é uma co-produção com os Estados Unidos, se passa inteiramente em Nova York e é falada mais em inglês do que em espanhol. Mas o que faz de “Bella” tão especial é muito mais os sentimentos que carrega – mesmo que alguns resvalem no clichê – do que a aparência que a envolve. E, caso fosse o contrário, certamente o impacto não seria o mesmo – apesar do título continuar fazendo sentido, devido ao grande cuidado estético que esta obra também possui.
José é chef do restaurante comandado pelo irmão mais velho. É um homem bonito e jovem, porém descuidado, triste e solitário. Mas não foi sempre assim, e logo descobrimos que não há muito tempo ele era um cara de sucesso, jogador de futebol disputado internacionalmente e de grande talento. Mas a conquista do sonho dourado foi interrompida num evento trágico. E como o felicidade de antes se transformou no sofrimento de agora é um dos caminhos que o filme percorre, cuidadosamente e sem afobação. Na outra ponta está Nina, a moça que descobre, quase ao mesmo tempo, estar grávida, sozinha e demitida do emprego como garçonete do restaurante tipidamente mexicano. E será num dia único que os dois irão se encontrar, unindo tristeza e desilusão, para juntos construírem novas possibilidades de vida.
Trabalho de estréia na direção de Alejandro G. Monteverde, “Bella” foi considerado o Melhor Filme segundo o júri popular no Festival de Toronto, no Canadá, em 2006. À frente do elenco está o galã mexicano Eduardo Verástegui, que é também cantor, além de já ter sido modelo, e a norte-americana Tammy Blanchard, atriz indicada ao Globo de Ouro e vencedora do Emmy por um telefilme sobre a vida de Judy Garland. Produzido com apenas US$ 3,3 milhões, arrecadou quase 3 vezes este valor só nos Estados Unidos. Ou seja, é um belo exemplo do produto para exportação, que agrada desde o crítico mais ferrenho até o espectador mais descompromissado. Se o enredo não é dos mais originais e em determinados momentos abusa do melodramático, a força do drama dos protagonistas, a edição engenhosa, a trilha sonora muito bem escolhida e as imagens envolventes compensam com folga qualquer maior descuido. “Bella” é um filme que, acima de tudo, procura dizer alguma coisa, e em tempos tão sombrios quanto os atuais isso já significa muito.
Bella, México/EUA, 2006
De Alejandro G. Monteverde
Com Eduardo Verástegui, Tammy Blanchard, Manny Perez, Ali Landry, Ramon Rodriguez
(nota 8,5)






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