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	<title>CineRonda &#187; Reginaldo Pujol Filho</title>
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	<description>Cinema e cultura pop com opinião!</description>
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		<title>Save the translator</title>
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		<pubDate>Sat, 29 Aug 2009 23:09:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Reginaldo Pujol Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura Pop]]></category>
		<category><![CDATA[Isso não é um trailer]]></category>
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		<category><![CDATA[Big Momma’s House]]></category>
		<category><![CDATA[Jaws]]></category>
		<category><![CDATA[Mrs. Doubtfire]]></category>
		<category><![CDATA[Noivo Neurótico Noiva Nervosa]]></category>
		<category><![CDATA[Se Beber Não Case]]></category>
		<category><![CDATA[The Hangover]]></category>
		<category><![CDATA[Tubarão]]></category>
		<category><![CDATA[uma babá quase perfeita]]></category>
		<category><![CDATA[Vovó... Zona]]></category>

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		<description><![CDATA[Só sei que eu sou contra o Save the translator. Como é que eu vou aprender que existe um sinônimo em inglês – “Big Momma’s House” – para a curiosíssima expressão “Vovó... Zona”?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-3948" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/08/the-hangover-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" />Sumi, eu sei. Mas meus dois leitores aqui do CineRonda nem notaram, eu acho. Mas o que importa pra mim é que voltei. E voltei porque outras coisa sumiram. Vou explicar. Tava ontem vendo o <strong><em>“Se beber, não case” </em></strong>no cinema e me dei conta do seguinte: deve haver um sindicato, uma ONG, alguma coisa que defenda os tradutores de títulos de filmes no Brasil<span id="more-3946"></span>. E essa alguma coisa, esse movimento chamado <em>Save the translator</em>, venceu. Acabou com a vergonha dos profissionais da tradução no Brasil. E com o nó na nossa cabeça.</p>
<p>Vai dizer, quem aqui nunca viu pintar na tela do cinema o título original do filme, algo como <em>“Mr. Robert”</em> e ao olhar pra baixo descobriu que Mr. Robert em português significa <em>“Paixão e fúria em São Francisco – uma jornada de amor”</em>.</p>
<p>Ou que <em>“Annie”</em> significa <strong><em>“Noivo Neurótico”</em></strong> e <em>“Hall”</em>, <strong><em>“Noiva Nervosa”</em></strong>?</p>
<p>Pois é, agora alguns filmes já estão vindo com a novíssima conquista do <em>Save the translator</em>: o título aparece na tela já na sua versão em português. Não tive a oportunidade de descobrir ontem, por exemplo, que <em>“Hangover”</em> é uma curiosa palavra em inglês, que talvez exista somente na língua inglesa, tão específica que é. Mas como dizia, não tive a oportunidade de aprender ontem que <em>“Hangover”</em> significa em português <strong><em>“Se beber, não case”</em></strong>.</p>
<p>Por que será que só agora os tradutores obtiveram essa conquista? Será que não se preocupavam com isso antes, ou – naquele clichezão – com a internet, a globalização, a gente ficou mais exposto à língua inglesa e os tradutores começaram a se sentir mais expostos cada vez que o seu trabalho aparecia ali nas legendas?</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-3947" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/08/jaws-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" />Ou isso é uma medida do Ministério da Educação pra acabar com esse ensino alternativo de inglês?</p>
<p>Ou lobby dos professores de inglês. Traumatizados com perguntas dos alunos que queriam saber se <em>“Jaws”</em> não é <em><strong>“Tubarão”</strong></em> em inglês, por que é que o filme tinha esse nome? Hein?</p>
<p>Sei lá.</p>
<p>Só sei que eu sou contra o <em>Save the translator</em>. Como é que eu vou aprender que existe um sinônimo em inglês – <em>“Big Momma’s House”</em> – para a curiosíssima expressão <strong><em>“Vovó&#8230; Zona”</em></strong>? Eu vou sentir falta de ver no meio da tela <em>“Mrs. Doubtfire”</em> e descobrir logo embaixo na legenda que isso quer dizer <strong><em>“Uma babá quase perfeita”</em></strong>. Por pior que fosse o filme, era sempre a chance de um pouco de aprendizado e de uma boa piada garantida.</p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://www.cineronda.com.br/the-hangover.html" target="_self"><strong><em>&#8220;The Hangover&#8221;</em></strong>, por Ale Simas</a><br />
<a href="http://www.cineronda.com.br/ai-que-ressaca.html" target="_self"><strong><em>&#8220;Ai, Que Ressaca&#8221;</em></strong>, por Gabriel Ruas</a></p>
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		<title>Continuando</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Jul 2009 22:29:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Reginaldo Pujol Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura Pop]]></category>
		<category><![CDATA[Isso não é um trailer]]></category>
		<category><![CDATA[Cidade de Deus]]></category>
		<category><![CDATA[De volta para o Futuro]]></category>
		<category><![CDATA[Forrest Gump]]></category>
		<category><![CDATA[José Padilha]]></category>
		<category><![CDATA[O Ano em que meus Pais Saíram de Férias]]></category>
		<category><![CDATA[O Poderoso Chefão]]></category>
		<category><![CDATA[se eu fosse você 2]]></category>
		<category><![CDATA[Tropa de Elite]]></category>

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		<description><![CDATA[Não sou contra continuações. Gosto de todos os “De volta para o Futuro”, assim como os “O Poderoso Chefão”, por exemplo. Mas tem filme que acaba nele mesmo. Ou dá pra imaginar um “Forrest Gump 2”?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-3310" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/07/tropa-300x187.jpg" alt="" width="300" height="187" />Dá pra dizer que o Brasil está próximo de ter uma indústria cinematográfica nos moldes da hollywoodiana. Baseado em que eu digo isso? Números de bilheteria? De investimento? Não, baseado num único número.  O 2<span id="more-3309"></span>.</p>
<p>Parece que estamos seguindo um caminho americano, e um caminho que não gosto: o das continuações de filmes, seja lá quais forem os filmes, tendo, como único critério para fazer a parte 2, o <em>sucesso-de-bilheteria-da-fita-que-deu-origem-à-série</em>.</p>
<p>E digo que seguimos a indústria americana, porque não me lembro de já ter visto um filme francês, argentino, italiano ou espanhol com o número 2 no final do título. Teve <strong><em>“O Filho da noiva II”</em></strong>? <strong><em>“Ladrões de bicicleta – o retorno”</em></strong>? <strong><em>“Fale com ela – agora mais alto”</em></strong>?</p>
<p>Já, aqui no Brasil, repara só: qual o grande sucesso do cinema nacional nesse ano? <a href="http://www.cineronda.com.br/se-eu-fosse-voce-2/" target="_self"><strong><em>“Se eu fosse você 2”</em></strong></a>. Confesso que não vi nem o 1 e nem o 2 e não vou ver o 3 se sair. Mas vi <a href="http://www.cineronda.com.br/tropa-de-elite/" target="_self"><strong><em>“Tropa de Elite”</em></strong></a>. E fico me perguntando masmeudeusdocéu, que que vai ser esse tão comentado <strong><em>“Tropa de elite 2”</em></strong>, além de um caça-níqueis? Dá até vontade de ver de novo o filme do José Padilha pra imaginar de onde é que vai sair essa nova história.</p>
<p>Não sou contra continuações. Gosto de todos os <strong><em>“De volta para o Futuro”</em></strong>, assim como os <em><strong>“O Poderoso Chefão”</strong></em>, por exemplo. Mas esses parecem obras que mereciam seguimento ou que tiveram isso pensado <em>a priori</em>, não é? Mas tem filme que acaba nele mesmo. E não tem motivo pra ter um prosseguimento. Ou dá pra imaginar um<strong><em> “Forrest Gump 2”</em></strong>?</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-3311" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/07/godfather-movie-05-300x222.jpg" alt="" width="300" height="222" />Eu não imagino, mas se esse filme tivesse acontecido hoje, se bobear, teríamos o 2.</p>
<p>Mas uma coisa que penso sobre isso tudo é que estamos aprendendo a fazer continuações de sucessos com a indústria americana, sem termos uma indústria como a americana. Olha só: lá nos Estados Unidos rola muito dinheiro privado, os próprios estúdios e produtoras investem e buscam o lucro nisso. É um negócio. Só que aqui o sistema é um tanto diferente. A maioria dos filmes, pra se viabilizar, precisa de investimento do governo, ou de patrocínio via lei de incentivo à cultura. Uma grana muito mais restrita, com muito menos acesso, que não chega a permitir produção em grande escala. E não sei se as nossas continuações não irão se valer desse mesmo estilo tupiniquim de financiar filmes. Tomara que não, tomara que as portas abertas dos estúdios americanos pro José Padilha, por exemplo, injetem grana nesses projetos. Porque, em caso contrário, é preocupante. Estaremos investindo em filmes duvidosos, aparentemente com foco apenas comercial, um dinheiro que poderia estar indo pra um novo <a href="http://www.cineronda.com.br/tropa-de-elite/" target="_self"><strong><em>“Tropa de Elite”</em></strong></a>, em vez do <strong><em>“Tropa de Elite 2”</em></strong>. Me parece, e espero estar errado, que se entrarmos nessa onda de continuações talvez não possamos dar continuidade a um bom caminho que o cinema nacional vinha trilhando com <strong><em>“Cidade de Deus”</em></strong>, o próprio <a href="http://www.cineronda.com.br/tropa-de-elite/" target="_self"><strong><em>“Tropa de Elite”</em></strong></a>, <em><strong>“O ano em que meus pais saíram de férias”</strong></em> e outros bons filmes dos últimos tempos.</p>
<p>Espero estar errado. Se não até essa coluna vai acabar tendo uma parte 2.</p>
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		<title>Caetanear o que há de ruim</title>
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		<pubDate>Tue, 26 May 2009 17:59:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Reginaldo Pujol Filho</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-2990" title="caetano-veloso-show-no-vivorio" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/05/caetano-veloso-show-no-vivorio-300x216.jpg" alt="caetano-veloso-show-no-vivorio" width="300" height="216" />Vez que outra, o Caetano vem com uma versão de uma música brega, de uma música funk, de uma música-não-bacana e tenta bacanizar ela, e a crítica vem abaixo com o gênio dele, não é? E agora parece que isso tá virando moda<span id="more-2989"></span>. Já ouvi no rádio duas versões de Britney Spears, uma pelo Franz Ferdinand e outra por&#8230; E tem alguém fazendo Madonna rock, teve aquele disco de homenagens a Odair José e a coisa vai por aí afora. Não sei bem o que o rola com os músicos quando entram nessas. Se é uma diversão, se é uma excentricidade ou se é um sadismo de dizer <em>‘Rá, fala agora, vai ter que cantar Britney sim, meu amigão, e vai dizer que gosta se quiser ser legal’</em>.</p>
<p>Tem gente que diz que na verdade não existe música ruim ou música boa na essência. Esses dias me disseram que é tudo timbre. Os timbres do Caetano, do instrumento escolhido fariam a letra brega ser de uma simplicidade maravilhosa que fala a todos com pureza quase infantil. Ou os mesmos timbres transformariam uma melodia grudenta em algo marcante, inesquecível que nos torna incapazes de não assobiar o que acabamos de ouvir.</p>
<p>Pois é.</p>
<p>Pois é.</p>
<p>Pois daí me veio a seguinte pergunta: será que essa lógica existe, por exemplo, no cinema? O Woody Allen já mostrou em <em><strong>“Melinda &amp; Melinda”</strong></em> (cena abaixo) como tudo pode ser drama ou comédia, basta um olhar dramático ou cômico. Mas será que todo filme pode ser bom ou ruim? O Woody Allen, por exemplo, dirigindo o <em><strong><a href="http://www.cineronda.com.br/o-casamento-de-rachel/" target="_self">“O Casamento de Rachel”</a></strong></em> – que pra mim é o filme pavoroso do ano – suavizaria aquela escatologia psicológica, traria empatia pros personagens e faria daquele um filme necessário? Ou, o Sam Mendes conseguiria fazer do <em><strong>“Carandiru”</strong></em> uma coisa diferente daquele filme moralistóide e maniqueísta? Imagina o Clint Eastwood dirigindo um David Lynch: todo mundo entenderia, teria uma cronologia clara e uma narrativa linear? Mas já que é pra confundir, não posso deixar de querer saber como ficaria com o Michel Gondry dirigindo, sei lá, o <em><strong>“Gladiador”</strong></em>, ou <em><strong>“Uma Mente Brilhante”</strong></em>, que estão longe de serem filmes ruins, mas que acho que, voltando lá pros timbres, seria algo como fazer uma banda com Fred Zero Quatro, um DJ de Eletrônica e o Philip Glass e mandar eles gravarem <em>“Chega de saudade”</em>. Hein?</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-2991" title="melinda-e-melinda02" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/05/melinda-e-melinda02-300x206.jpg" alt="melinda-e-melinda02" width="300" height="206" />Tá, mas a brincadeira tá boa e não posso deixar de perguntar se a literatura é uma questão de timbre, ou talvez estilo, ou pegada. Claro que é fácil dizer que certos escritores têm um estilo marcante, inconfundível e que, às vezes, na linguagem, sustentam histórias que ficariam banais saindo de autores menos competentes. Certo, mas o Safran Foer ou o Gonçalo M. Tavares pegariam o plot de <em>“O Alquimista”</em> e, com seu estilo, seu jeito de escrever, fariam um grande romance? A Clarice Lispector pegaria qualquer exemplar de <em>“Sabrina”</em> e transformaria numa trama intimista, cheia de subentendidos e sensibilidades e epifanias? E o sintético Dalton Trevisan conseguira escrever o <em>“Em busca do tempo perdido”</em>? Porque talento não falta pra ele, mas é impossível imaginar que um cara que tem como obsessão limpar e limpar e limpar o texto até o essencial fizesse o que o Proust fez.</p>
<p>Não sei pra quem tá lendo isso, mas me parece um assunto interessante de se pensar. Se o timbre do Caetano salva tudo e tudo torna belo, existe essa figura do intérprete nas letras e nas telas? Existe o cineasta que tem a afinação exata pra deixar até pornochanchada elegante e cool? E o escritor com falsete nas mãos capaz de fazer do <em>“Suave veneno do escorpião”</em> uma obra fundamental?</p>
<p>Não sei, acho que não. Acho que tanto na literatura, quanto no cinema, a letra tem que estar no mesmo nível da música. Se o letrista não for bom, não vai adiantar o intérprete e a banda mandarem ver.</p>
<p>Mas, se você souber de algum cronista que tenha esse timbre mágico, repenso tudo e mando essa coluna pra ele escrever.</p>
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		<title>Não editora, não ator, não sei</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Mar 2009 18:40:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Reginaldo Pujol Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cultura Pop]]></category>
		<category><![CDATA[Isso não é um trailer]]></category>
		<category><![CDATA[Antônio Xerxernesky]]></category>
		<category><![CDATA[Azar do Personagem]]></category>
		<category><![CDATA[Brad Pitt]]></category>
		<category><![CDATA[entre os muros da escola]]></category>
		<category><![CDATA[Kate Winslet]]></category>
		<category><![CDATA[Não Editora]]></category>
		<category><![CDATA[Pecha Kucha]]></category>
		<category><![CDATA[Philip Seymor Hoffman]]></category>
		<category><![CDATA[quem quer ser um milionário?]]></category>
		<category><![CDATA[Reginaldo Pujol]]></category>
		<category><![CDATA[Studio Clio]]></category>
		<category><![CDATA[Toni Ramos]]></category>
		<category><![CDATA[Wagner Moura]]></category>

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		<description><![CDATA[Foi aí que decidi rever meu jeito de avaliar atuações, repensar radicalismos até mesmo a respeito do Toni Ramos. E ia cotar essa minha reflexão, esse toque de humildade, quando assisti "Entre os Muros da Escola"...

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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-2372" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/03/.jpg-300x188.jpg" alt="" width="300" height="188" />Pois eu ia escrever uma coisa e tive que escrever outra, por causa de &#8220;<em><strong><a href="http://www.cineronda.com.br/entre-os-muros-da-escola/" target="_self">Entre os Muros da Escola</a></strong></em>&#8220;. O que eu ia falar aqui era de uma experiência que vivi há uns 20 dias<span id="more-2366"></span>. A Não Editora, que lançou meu livro, <em>&#8220;Azar do Personagem&#8221;</em>, participou de uma edição de Pecha Kucha <a title="Pecha-kucha" href="http://www.qualquer.org/pecha-kucha/" target="_blank">(saiba mais aqui)</a>. Era uma coisa assim, atores encenando trechos de livros da editora. Tudo bem, tudo bom. Mas fui convidado a fazer uma pontícula na função, coisa ridícula, como rimar pontícula com ridícula. Minha participação era a seguinte: quando um dos atores dissesse o meu nome em meio a uma frase, eu, da platéia devia interrompê-lo dizendo <em>“Eu?”</em>, ao que ele diria <em>“Não, o Reginaldo”</em> e eu responderia <em>“Mas eu sou o Reginaldo” </em>e ele diria <em>“O Reginaldo autor, não o personagem”</em>.</p>
<p>Fácil, né?</p>
<p>Então me sentei lá no auditório do Studio Clio, acompanhado da Jajá, do Antônio Xerxernesky, da namorada dele e de uma cerveja e fiquei esperando minha deixa para estrear no mundo do teatro. Trecho de um livro, trecho de outro, eis que começa o trecho do meu conto, respirei fundo. Comecei a prestar atenção em cada palavra do ator no palco, esperando chegar o momento em que ele diria o meu nome. Falavam três, duas, uma palavra, era só entrar no meio da próxima, mas me antecipei e nem o sujeito tinha dito meu apelido <em>Regi</em>, no <em>R</em> já tava o canastrão aqui de braço levantado dizendo <em>“eu?”</em>, sem que ninguém tivesse me chamado.</p>
<p>Complicado, né?</p>
<p>Daí comecei a pensar na complexidade de ser ator. Eu nem precisava encarnar um ex-combatente, cheio de dramas pessoais, com a dor de uma perna amputada e uma guerra perdida para expressar em olhares, trejeitos e remorsos. Bastava ser eu e falar na hora exata. E nem isso consegui.</p>
<p>Foi aí que decidi rever meu jeito de avaliar atuações, repensar radicalismos até mesmo a respeito do Toni Ramos (que pelo menos consegue representar sempre o mesmo papel). E ia cotar essa minha reflexão, esse toque de humildade, quando assisti &#8220;<strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/entre-os-muros-da-escola/" target="_self">Entre os Muros da Escola</a></em></strong>&#8220;.</p>
<p>Danou-se de vez o meu pensamento.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-2376" title="cidade" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/03/cidade-300x174.jpg" alt="cidade" width="300" height="174" />Tirando que o filme é brilhante, desde as questões que propõem, passando pelo desconforto que provoca ao esmiuçar a torre de babel em que estão as salas de aula, com crianças e professores cada vez mais distantes afetivamente, socialmente e qualquer mente que se queira colocar aqui, mas tirando tudo isso, as atuações, das crianças, em especial, são impressionantes. E eu – que não gosto de saber nada sobre os filmes antes de assistir, <a title="IstoNãoÉUmTrailer" href="http://www.cineronda.com.br/isso-nao-e-um-trailer/" target="_blank">como já falei</a> – já ia tirando o chapéu pra inacreditável escola de atores mirins da França (eu estava no auge da valorização da classe), quando a Jajá comentou comigo que todo mundo ali, professores e alunos eram não atores. Tudo gente comum, representando a si mesmo, um pouco como o &#8220;<strong><em>Cidade de Deus</em></strong>&#8220;, ou os atores mirins do &#8220;<em><strong><a href="http://www.cineronda.com.br/quem-quer-ser-um-milionario/" target="_self">Quem Quer Ser Um Milionário?</a></strong></em>&#8220;, mas acho que numa experiência bem mais radical.</p>
<p>Aí embolou-se tudo na minha cabeça outra vez. </p>
<p>Que lição a gente tira disso tudo? Em vez de investir atores, vamos chamar um padeiro para ser o padeiro do filme, um motorista de ônibus para ser um motorista de ônibus, um bandido pra ser um bandido e eu pra fazer o papel de mau ator? Se a opção por não atores dá resultados tão impressionantes, será que esse é o caminho? Transformar o cinema num grande <a href="http://www.youtube.com/" target="_blank">you tube</a>, só com gente de verdade? Mas e o que fazer com o Wagner Moura, o Brad Pitt, a Kate Winslet, o Philip Seymour Hoffmann e tantos que constroem e vivem personagens tão variados e maravilhosos? Chamemos eles para representarem o papel de excelentes atores, capazes de múltiplos papéis?</p>
<p>Não sei.</p>
<p>Nem mesmo se estou no papel certo, fazendo todas essas perguntas.</p>
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		<title>Danny Boyllywood</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 03:01:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Reginaldo Pujol Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Pop]]></category>
		<category><![CDATA[Isso não é um trailer]]></category>
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		<category><![CDATA[quem quer ser um milionário?]]></category>
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		<category><![CDATA[Steven Spielberg]]></category>

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		<description><![CDATA[Embora elenco indiano, realidade indiana, indústria cinematográfica indiana, lá na cadeirinha, diretor reino-unidense. Mais ou menos como se o Spielberg ou o os Irmãos Coen assinassem o “Cidade de Deus”, não é? ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1977" title="quem-quer-ser-um-milionario02" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/03/quem-quer-ser-um-milionario02-300x200.jpg" alt="quem-quer-ser-um-milionario02" width="300" height="200" />Fora os méritos do <a href="http://www.cineronda.com.br/quem-quer-ser-um-milionario/" target="_self"><em><strong>“Quem Quer Ser um Milionário?”</strong></em> </a>(<em>Slumdog millionaire</em>), o encontro de Holly com Bollywood e as peculiaridades todas do filme, uma coisa que tem se falado muito aqui no Brasil, sobre o grande vencedor do Oscar, é das suas possíveis semelhanças com o <em><strong>“Cidade de Deus”</strong></em> do Fernando Meirelles. O Danny Boyle chegou até a dizer em entrevista que viu pelo menos quatro vezes o filme brasileiro. Mas eu não vou falar dessas semelhanças. Vou falar das diferenças<span id="more-1976"></span>.</p>
<p>Aliás, acho que de uma diferença que me parece crucial: o <em><strong>“Slumdog&#8230;”</strong></em>, a despeito de, como o <strong><em>“Cidade de Deus”</em></strong>, mostrar com beleza e crueza a realidade de um país emergente, não é resultado de um diretor indiano, percebem? Embora elenco indiano, realidade indiana, indústria cinematográfica indiana, lá na cadeirinha, diretor reino-unidense. Mais ou menos como se o Spielberg ou o os Irmãos Coen assinassem o <em><strong>“Cidade de Deus”</strong></em>, não é? Será que aí teria faturado todos os Oscars? (Eu também poderia ter dito que é como se um diretor português fizesse o <em><strong>“Cidade&#8230;”</strong></em>, dadas as relações colonizador/colônia que tem na parceria Boyle/Bollywood, mas, no final das contas, os EUA também nos colonizaram bonito, né?).</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1978" title="cidade-de-deus06" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/03/cidade-de-deus06-300x168.jpg" alt="cidade-de-deus06" width="300" height="168" />Bem, mas, vai dizer, é ou não é uma diferença crucial entre o vencedor do Oscar e o nosso superindicado. Já imaginou se o <em><strong>“Cidade de Deus”</strong></em> tivesse sido filmado pelo Clint Eastwood? Não quero discutir se seria melhor ou pior, mas como nós, brasileiros, veríamos o filme. Se na época, dirigido pelo Meirelles, já houve aquelas discussões sobre a estetização da miséria de um lado, do outro, críticas dizendo que a imagem da pobreza, da miséria e da violência era o que estávamos construindo pro mundo. Agora imagina, filme feito no Brasil, elenco brasileiro, trilha nacional, baseado em livro brasileiro, mas com um gringo dizendo action. Será que íamos meter o pau, dizer que não é bem assim que esse americano preconceituoso distorceu o livro e a nossa realidade, que tratou nossa miséria como espetáculo e nossos traficantes como quem dirige um filme do Al Capone? Vai saber.</p>
<p>Pergunto porque me peguei pensando nos indianos que tem a maior (claro que maior não é sinônimo de melhor) indústria cinematográfica do mundo, a segunda maior população e só viram o seu cinema e sua realidade ganhar o planeta – e estatuetas – quando um diretor primeiro-mundano se uniu a eles. E aí me pus a perguntar como será que o pessoal da Índia vê o filme, como se enxergam nessa história toda?</p>
<p>Da mesma forma que me peguei me perguntando (e apesar de me perguntar tanto, juro que não sou esquizofrênico), sobre um dos possíveis significados desse casamento indiano do Danny Boyle. Será que assim como tem pipocado filmes, muitos deles alemães, retratando o período nazista, numa evidente revisão do passado, será que o Reino Unido está começando processo semelhante em relação as suas antigas colônias? Lembrando que a independência da Índia é bem próxima do final da segunda guerra. Ou talvez o Danny Boyle só tenha achado o <em><strong><a href="http://www.cineronda.com.br/slumdog-millionaire/" target="_self">“Slumdog Millionaire”</a></strong></em> uma boa história e que, assim como a indústria da informática e a do telemarketing, a do cinema também tem bons negócios a fazer na Índia.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Indicados pra salvar a literatura</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jan 2009 20:15:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Reginaldo Pujol Filho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dos cinco indicados ao Oscar de Melhor Filme, quatro são adaptações de livros. E isso não é fenômeno desse ano. Até os irmãos Coen, que têm roteiros maravilhosos na sua carreira, ano passado levaram o Oscar com um roteiro adaptado...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft alignnone size-medium wp-image-1457" style="float: left;" title="roteiroadaptado" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/01/roteiroadaptado-300x196.jpg" alt="" width="300" height="196" />Buenas, pra começar, voltei. (Se é que alguém aqui tinha reparado que eu tinha ido). Mas vambora. Com um assunto velho: alguém aqui já ouviu falar da morte do livro, ou do romance, ou, sei lá, da literatura como a conhecemos? Pois eu tenho boas notícias – pelo menos pra mim: a literatura não vai morrer não. E quem garante isso são os roteiristas, os diretores e os produtores de Hollywood.</p>
<p>Não viram ainda a lista dos indicados do Oscar 2009? Pois reparem nisso aqui:</p>
<p>Indicados a melhor filme:</p>
<p><em><strong><a href="http://www.cineronda.com.br/o-curioso-caso-de-benjamin-button/" target="_self">&#8220;O Curioso Caso de Benjamin Butt</a><span style="font-weight: normal;"><strong><a href="http://www.cineronda.com.br/o-curioso-caso-de-benjamin-button/" target="_self">on&#8221;</a><br />
&#8220;Frost/Nixon&#8221;<br />
&#8220;Milk &#8211; A Voz da Igualdade&#8221;<br />
&#8220;O Leitor&#8221;<br />
<a href="http://www.cineronda.com.br/slumdog-millionaire/" target="_self">&#8220;Slumdog Millionaire&#8221;</a></strong></span></strong></em></p>
<p>Indicados a melhor roteiro adaptado:</p>
<p><a href="http://www.cineronda.com.br/o-curioso-caso-de-benjamin-button/" target="_self"><em><strong>&#8220;O Curioso Caso de Benjamin Button&#8221;</strong></em></a><span><strong><br />
</strong></span><em><strong>&#8220;Frost/Nixon&#8221;</strong><span><strong><br />
</strong></span></em><strong><em>&#8220;Dúvida&#8221;<br />
&#8220;O Leitor&#8221;<br />
</em><a href="http://www.cineronda.com.br/slumdog-millionaire/" target="_self"><em>&#8220;Slumdog Millionaire&#8221;</em></a></strong></p>
<p>Coincidência ou não (e eu acho que não), dos 5 indicados a melhor filme, quatro são adaptações de livro. E isso não é fenômeno desse ano. Até os irmãos Coen (acima, durante a premiação do ano passado), que têm roteiros maravilhosos na sua carreira (<a href="http://www.cineronda.com.br/queime-depois-de-ler/" target="_self"><em><strong>&#8220;Queime Depois de Ler&#8221;</strong></em></a> é o último), ano passado levaram o Oscar com um roteiro adaptado. Já tinha lido uma entrevista do Jorge Furtado em que ele comentava isso, que parece que não se escreve mais para cinema. Assim, criar histórias para filmar e ponto. Claro, tem o Woody Allen, o Almodóvar, os próprios Coen, mas tem os 4 indicados desse ano, <a href="http://www.cineronda.com.br/harry-potter-e-a-ordem-da-fenix/" target="_self"><em><strong>&#8220;Harry Potter&#8221;</strong></em></a>, <strong><em>&#8220;Senhor dos Anéis&#8221;</em></strong>, <a href="http://www.cineronda.com.br/ian-mcewan-dispensa-reparos/" target="_self"><em><strong>&#8220;Desejo e Reparação&#8221;</strong></em></a>, <strong><em>&#8220;Matrix&#8221;</em></strong>, <a href="http://www.cineronda.com.br/o-perfume/" target="_self"><strong><em>&#8220;O Perfume&#8221;</em></strong></a>, <strong><em>&#8220;Cidade de Deus&#8221;</em></strong>, <a href="http://www.cineronda.com.br/tropa-de-elite/" target="_self"><em><strong>&#8220;Tropa de Elite&#8221;</strong></em></a>, <a href="http://www.cineronda.com.br/ensaio-sobre-a-cegueira/" target="_self"><strong><em>&#8220;Ensaio Sobre a Cegueira&#8221;</em></strong></a> e a sensação que tenho é de que a proporção dos filmes <em>based upon a novel</em> cresce todo ano.</p>
<p><a href="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/01/brad-pitt-benjamin436.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1458" title="brad-pitt-benjamin436" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2009/01/brad-pitt-benjamin436-300x240.jpg" alt="" width="300" height="240" /></a>E isso não chega a ser um mal juízo meu sobre ninguém. Não venho aqui pra dizer, <em>&#8216;ei roteiristas preguiçosos, vamos criar histórias e parar pra adaptar&#8217;</em>. Até porque adaptar é complicado e dever ser um saco ter que ouvir sempre <em>&#8216;Bah, o livro era bem melhor&#8217;</em>.</p>
<p>Não, é só uma constatação de que tanta gente diz que o livro vai sumir, e me parece que, se vai sumir, é das prateleiras das livrarias, e isso porque os roteiristas estão comprando um monte. Se acabar o livro, o romance, acaba uma fonte que alimenta uma mega indústria que é a cinematográfica. Que, sem analisar o que escolhem pra filmar ou não, dá um baita impulso pro mercado editorial, estimulando a venda dos livros adaptados, que capitalizam as editoras que podem lançar novos livros, que podem virar novos filmes, que podem virar novos sucessos de venda e lá vamos nós. Pode ser otimista demais, mas é um lado da coisa.</p>
<p><em>Entonces</em>, meu feliz 2009 pra lá de atrasado, é pro romance, pra literatura, pro escritor, que não vai desaparecer não. A não ser que a gente comece a discutir o fim do filme.</p>
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		<title>Por que o teatro gaúcho não ouve bossa nova?</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Dec 2008 21:01:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Reginaldo Pujol Filho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Daí, quando tu vai assistir a um texto que é objetivo, marcado por raciocínios e ironias, e esse texto é uma das tuas leituras favoritas, rapaz, isso grita. E tu pensa, mas por que o teatro gaúcho não ouve bossa nova?

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2008/12/2.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1251" title="2" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2008/12/2-300x213.jpg" alt="" width="300" height="213" /></a>Sim, eu sei: generalizar é feio. Mas dizer que generalizar é feio já é uma generalização e aqui eu poderia desviar totalmente do assunto, mas não vou. Vou generalizar, falar de um rótulo.</p>
<p>Do teatro gaúcho.</p>
<p>Não sei se quem lê o CineRonda é predominantemente aqui de Porto Alegre, mas, se for, certamente sabe do que eu estou falando.</p>
<p>Ocorre que fui ver uma peça dia desses, motivado pelo texto do espetáculo. Era baseado em um dos meus autores favoritos. Tava todo faceiro, me programando há quase um mês pra ver isso e acabei me esquecendo do fator teatro gaúcho.</p>
<p>Explico: tem uma coisa que acontece em 9 de cada 10 espetáculos aqui do estado, que é uma afetação na representação, no jeito de atuar. Explico melhor: toda fala tem um olhar significativo, uma expressão dos lábios, um gesto das mãos, um movimento de cabeça e uma pausa dramática. E, quando sempre há uma pausa dramática, dramático fica pra quem assiste, porque fica chato, fica artificial. Esse uso o tempo inteiro de todos os artifícios ao mesmo tempo banaliza a atuação, deixa tudo sem significado. Sério, muitas vezes a sensação que eu tenho é de ter 4 anos de idade e de que, no palco, tem um monte de professorinha me lendo uma historinha, Era uma vez&#8230; uma bruxa&#8230; muito&#8230; muito má&#8230;</p>
<p>Sempre pausas, sempre bocas, sempre olhos arregalados ou mirando o infinito, seja comédia, seja drama.<a href="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2008/12/1.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1252" style="float: right;" title="1" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2008/12/1.jpg" alt="" width="300" height="278" /></a></p>
<p>Daí, quando tu vai assistir a um texto que é objetivo, marcado por raciocínios e ironias, e esse texto é uma das tuas leituras favoritas, rapaz, isso grita. E tu pensa, mas por que o teatro gaúcho não ouve bossa nova?</p>
<p>Assim ó: é que eu gosto muito de bossa nova. E me incomodam profundamente muitas interpretações femininas de bossa nova. Não, não é machismo. É só reparar. Cantoras, não sei por que, têm uma tendência de querer deixar sua marca vocal nas músicas do Tom Jobim, do Vinícius, do João Gilberto. Sabe, tentam alcançar notas altas, esticar notas, mostrar virtuosismo vocal em músicas que se consagraram justamente por serem essenciais, de vozes suaves, pontuações curtas e delicadas. Daí o que parece é que essas cantoras não ouvem ou não gostam da bossa nova.</p>
<p>Exatamente como os atores que vi dias atrás. Faziam com o texto que nem as intérpretes fazem com a bossa nova. Querem ser virtuoses, exibir toda a sua técnica dramática, todas as suas caras e bocas, todos os recursos das aulas de expressão corporal, num texto que se basta, que pede contenção, que não precisa ter pausas ou pontuações dramáticas ou olhares profundos de ódio e de amor.</p>
<p>Por isso voltei pra casa torcendo pra que o teatro gaúcho ouça bossa nova.</p>
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		<title>Vicky, Cristina e os Narradores (2)</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Nov 2008 17:14:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Reginaldo Pujol Filho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Até porque uma das grandes funções da regra no mundo artístico é ser desmentida. Como o Woody Allen desmente a regra do narrador em off...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2008/11/vicky-cristina-barcelona082.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1159" title="vicky-cristina-barcelona082" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2008/11/vicky-cristina-barcelona082-300x200.jpg" alt="" width="300" height="200" /></a>Como diria o paulista, então: pra vocês verem como eu posso falar mais sobre <strong><em><a href="http://www.cineronda.com.br/vicky-cristina-barcelona/" target="_self">&#8220;Vicky Cristina Barcelona&#8221;</a></em></strong> do que <em>&#8216;tri bom&#8217;</em>, e pra vocês verem como achei mesmo <em><strong>&#8220;Vicky Cristina Barcelona&#8221;</strong></em> tri bom, eis-me aqui <a href="http://www.cineronda.com.br/vicky-cristina-e-os-narradores-01/" target="_self">de novo </a>falando sobre o dito filme.</p>
<p>Agora é pra comentar uma coisa que me lembro dos tempos de faculdade. E também de conversas aqui e ali, que falavam mal da narração em off. Que narração em off é incompetência de quem não consegue contar a história com ação, com imagem e, por isso, precisa dessa bengala. Em off.</p>
<p>Só que é aquela coisa da regra: daí vem um sujeito genial e desmente tudo isso. Sei lá eu quantas vezes o Woody Allen já se valeu do narrador em off na filmografia dele. Sei que, no mínimo, nunca me incomodou. E na maioria das vezes, me agradou. <em>Entonces</em>, agora vem esse <em><strong>&#8220;Vicky Cristina Barcelona&#8221;</strong></em> e o narrador em off é bom demais, acho que dá muito do clima do filme. E mais não falo porque isso aqui não é um trailer.</p>
<p>Posso apanhar de cinéfilos e cineastas por essa opinião. Mas me explico, que eu sou da paz. É que tenho uma peculiaridade nos meus gostos. Adoro narradores bem trabalhados, bem pensados, com personalidade, seja no cinema, seja nos livros. Um exemplo?</p>
<p><em>&#8220;Era Bom Que Trocássemos Umas Idéias Sobre o Assunto&#8221;</em>, livro do Mário de Carvalho que tem momentos como esse <em>“E porque já vamos na página dezesseis, em atraso sobre o momento em que os teóricos da escrita criativa obrigam ao início da acção, vejo-me obrigado a deixar para depois estas desinteressantes e algo eruditas considerações sobre cores e arquiteturas, para passar de chofre ao movimento, ao enredo. Na página três já deveria haver alguém surpreendido, amado ou morto. Falhei a ocasião de “fazer progredir” o romance. Daqui por diante, eu morte e amores não prometo, mas comprometo-me a tentar algumas surpresas.”</em> Outro exemplo? Machado de Assis, que chama o leitor de desatento, manda saltar trechos e assim por diante.</p>
<p>Gosto desses narradores intrometidos, que, de tanto se intrometerem, acabam sendo aceitos como companhia do leitor, como alguém que conversa sobre a história em vez de só narrar. O José Saramago também faz isso. Claro, isso não quer desmerecer outras formas de contar histórias, de jeitos mais ou menos diretos. Já leram Sérgio Faraco? O Faraco não tem uma estripulia dessas, nenhuma intromissão assim. E, no entanto, cada vez que leio um conto dele, repenso o que penso.</p>
<p><a href="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2008/11/vicky-cristina-barcelona04.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1161" title="vicky-cristina-barcelona04" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2008/11/vicky-cristina-barcelona04-300x203.jpg" alt="" width="300" height="203" /></a>Até porque, voltando ao dito lá em cima, uma das grandes funções da regra no mundo artístico é ser desmentida. Como o Woody Allen desmente a regra do narrador em off, como o Sérgio Faraco desmente a regra do meu gosto.</p>
<p>P.S: não dei jeito de encaixar isso ali no texto, incompetência minha. Mas um filme que eu recomendo sob esse ponto de vista – e não só por isso – é <strong><em>&#8220;O Grande Chefe&#8221;</em></strong>, do Lars Von Trier. Tem lá o seu narrador enxerido, numa tentativa constante de nos fazer ver o filme com afastamento, discutindo regras da comédia, lembrando por vezes o Mário de Carvalho ali de cima e, sobretudo, desmentindo mais algumas regras narrativas. E mais não digo, porque já disse, rapaz, isso aqui não é um trailer.</p>
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		<title>Vicky, Cristina e os Narradores (1)</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 19:20:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Reginaldo Pujol Filho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Esse sujeito aí encarnou no Woody Allen que fez um grande filme com olhar feminino, como eu nunca tinha visto dele antes. E pra não acharem que isso é uma opinião masculina sobre o que é ser feminino, conto que a Jajá, depois do cinema, tinha a mesma opinião que eu.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2008/11/vicky-cristina-barcelona02.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1113" title="vicky-cristina-barcelona02" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2008/11/vicky-cristina-barcelona02-300x194.jpg" alt="" width="300" height="194" /></a>Sobre <strong><em>&#8220;Vicky Cristina Barcelona&#8221;</em></strong>, do Woody Allen, por mim, bastava dizer que é tri bom. Pronto. Mas daí o pessoal do CineRonda chamaria outro colunista, eu acho.</p>
<p>Então posso falar sobre um fenômeno metafísico do filme.</p>
<p>Dizem que lá em Barcelona baixou um espírito no Woody Allen durante as gravações do filme. Sério. O espírito do Pedro Almodóvar. Sabe tudo aquilo que se fala a respeito de filmes como <em><strong>&#8220;Tudo Sobre Minha Mãe&#8221;</strong></em>, <strong><em>&#8220;Fale Com Ela&#8221;</em></strong>, <em><strong>&#8220;Mulheres À Beira de Um Ataque de Nervos&#8221;</strong></em>, sabe? De como o Almodóvar domina, conhece e revela a alma feminina? Pois então: esse sujeito aí encarnou no Woody Allen, que fez um grande filme com olhar feminino, como eu nunca tinha visto dele antes. E pra não acharem que isso é uma opinião masculina sobre o que é ser feminino, conto que a Jajá, depois do cinema, tinha a mesma opinião que eu. Ela também achou que o filme fala com e sobre as mulheres.</p>
<p>E daí fiquei pensando, mas o que é, como é que é, qual é o segredo? Tá nos personagens? No jeito de filmar? No ritmo? Nas situações? Onde mora essa feminilidade que uns exprimem e outros não? Porque é que o Almodóvar espelha as mulheres e não se diz o mesmo dos Irmãos Coen, por exemplo?</p>
<p><a href="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2008/11/vicky-cristina-barcelona05.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-1114" title="vicky-cristina-barcelona05" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2008/11/vicky-cristina-barcelona05-300x215.jpg" alt="" width="300" height="215" /></a>Perguntas, perguntas que só me levam a mais perguntas. E também a uma discussão recorrentíssima em literatura, que é justamente sobre literatura masculina e literatura feminina. Sobre a existência dessa diferença ou não. Sobre as dificuldades de um homem encarnar um narrador feminino sem parecer que é um homem tentando pensar como uma  mulher. Porque é um troço um bocado difícil de se fazer, sem cair no clichê. Eu ainda não tentei. No máximo já criei narradoras crianças, mas acho que ainda não é tão complexo quanto uma cabeça feminina adulta. Neste exato momento, estou olhando pra tela do computador, tentando lembrar de algum homem que já tenha feito em livro o que o Almodóvar e o Woody Allen já fizeram nas telas.</p>
<p><a href="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2008/11/vicky-cristina-barcelona05.jpg"></a>Bueno, já falei aqui mesmo que tenho uma dívida enorme com a literatura, o que quer dizer que eu não li tanto assim. Mas nesse pouco que li, e no pouquinho que pensei, não encontrei aquele cara que escreveu um livro que tu termina pensando <em>&#8220;pô, mas isso só uma mulher pra dizer&#8221;</em>. Fiquei até cogitando se o Chico Buarque, que é o homem que faz isso nas músicas, segundo os lugares-comuns de mesa de bar, não deveria encarar essa empreitada. Ô, ele sabe expressar a alma feminina em suas canções, como já li e ouvi tantas vezes, e escreve muito bem. Será que não era do Chico topar esse desafio? Ou será que o fato de o Chico nunca ter encarado essa é a prova mais do que provada de que um homem escrever como mulher é complicado, mas complicado demais?</p>
<p>Não sei.</p>
<p>Pelo sim, pelo não, isso só conta mais pontos pro <strong><em>&#8220;Vicky Cristina Barcelona&#8221;</em></strong>.</p>
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		<title>Movimento Rápido dos Olhos</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Nov 2008 20:44:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Reginaldo Pujol Filho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cabei de chegar do show do R.E.M. Já que a performance e o espetáculo vão ser devida e mais qualificadamente comentados por um monte de pessoas, vou falar de uma outra coisa. Eu já tinha ido a uns outros tantos shows do R.E.M. e não tinha me dado conta...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2008/11/rem.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-970" title="rem" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2008/11/rem-300x199.jpg" alt="" width="300" height="199" /></a>Cabei de chegar do show do R.E.M. Já que a performance e o espetáculo vão ser devida e mais qualificadamente comentados por um monte de pessoas, vou falar de uma outra coisa. Eu já tinha ido a uns outros tantos shows do R.E.M. e não tinha me dado conta.</p>
<p>Falo do movimento rápido dos olhos que as platéias estão (ou têm que estar) desenvolvendo. Porque se não estão, também não estão vendo o show. Aconteceu hoje e também no Marcelo Camelo, no Jorge Drexler e em todos os shows que tenho ido. É entrar aquele hit, aquela que todo mundo faz uhu e câmeras e celulares (que não são mais do que câmeras que telefonam) pro alto. Dê-lhe gravar, fotografar pra amanhã botar no you tube, no orkut, no blogue. Mas vem cá, enquanto fica ali fazendo o enquadramento, será que o sujeito tá vendo o show? Digo, com seus olhos e não miniaturizado pelos olhos da câmera? Têm que ter um movimento muito rápido de olhos pra fazer as duas coisas ao mesmo tempo.</p>
<p>E, déficit de atenção à parte, isso me faz pensar numa outra coisa. Na persistência do livro. Calma, déficit de atenção sim, esquizofrenia não. É que esse fenômeno dos shows é parte de um fenômeno muito maior. Já escrevi sobre isso aqui. Parece que estamos em um momento em que se prefere a memória do disco do que a da cabeça. Em que a narração das histórias vividas fica por parte da câmera. Antes de curtir o momento, se fotografa, se grava. E pra quê? Será <a href="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2008/11/rem02.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-971" title="rem02" src="http://www.cineronda.com.br/wp-content/uploads/2008/11/rem02-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>que é pra lembrar depois? Mas pra isso não serve a cabeça? Será então pra compartilhar, mostrar pros amigos, colocar na internet? Pode ser, acho. E aí eu chego na persistência do livro. Falei que fazia sentido. Pergunto Como é que sobrevive esse objeto e essa experiência totalmente individuais, nesse mundo da memória gravada e compartilhada? Enquanto a gente não vive um <em>minority report</em> ou coisa parecida, em que se possa gravar o que se passa na nossa cabeça, o livro continua tendo alguma coisa que deixa só em mim, ou só em ti. Continua tendo um quê de hermetismo na relação leitor/livro. Claro, a música, o filme, tudo deixa uma sensação única e pessoal em cada um de nós. Mas é que o consumo do livro, todo ele, é individual. Mas permitem experiências em grupo. Vivenciar o mesmo momento. Já o livro, como é que faz? Não adianta fotografar a página, fazer um mpeg do livro. Ele tá, e muito, dentro é da cabeça. É um produto estranho aos nossos tempos, me parece.</p>
<p>E me parece também que não preciso me justificar por não ter escrito sobre literatura e/ou cinema que era o prometido pra esse espaço. Comecei com o R.E.M, mas cheguei no livro. E tem <strong><em>&#8220;Minority Report&#8221;</em></strong> escrito ali em cima. Até.  </p>
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