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As facadas de Hitchcock

quarta-feira, agosto 24th, 2011

O mestre do suspense. Assim Alfred Hitchcock é conhecido mundialmente por seus mais de 50 filmes permeados por assassinatos, vinganças e suspeitos (mais…)

Caninos afiados

quinta-feira, setembro 3rd, 2009

ilovethecullensVampiros estão na moda ou sempre estiveram? Toda a onda parece ter sido retomada pela escritora Stephenie Meyer com seus quatro livros, que acabaram no cinema com “Crepúsculo”, no ano passado, e em breve com a segunda parte, “Lua Nova”. Mas não é apenas dos filmes bonitinhos que falo (mais…)

Dádiva dos Deuses

domingo, junho 7th, 2009

ww01Há algum tempo comentei que a Mulher-Maravilha era uma das personagens mais massacradas, tanto nos próprios quadrinhos quanto em adaptações para outras mídias. Desenhos animados em que ela é uma mera coadjuvante, filmes que nunca saem do papel, séries de gosto duvidoso… Porém, tudo isso pode ser esquecido agora com “Mulher-Maravilha”, longa de animação que finalmente recupera a glória que a heroína merece (mais…)

Batido, mas não mexido

quinta-feira, novembro 20th, 2008

“I’m Bond. James Bond”. Há quase 50 anos esta sentença se tornou uma das mais conhecidas da história do cinema. Desde a estréia de “007 Contra o Satânico Dr. No”, em 1962, o mundo tem se rendido aos longas baseados no agente secreto criado por Ian Fleming. O segredo de tanta euforia? Talvez o fato de Bond não ser apenas um espião, o que por si só já atiça os mais ardorosos fãs dos filmes de ação, mas por levar à telona charme, riqueza e poder. As cerca de 50 bond girls que já passaram uma noite com o agente secreto que o digam.

Esta é a perspectiva que tenho desde quando fui apresentado a Bond em 1995, com Pierce Brosnan interpretando o papel em “007 Contra GoldenEye”. A mistura de perseguições implacáveis entre o céu e a terra (às vezes até sob a água), um enredo de espionagem beirando à teoria da conspiração e, é claro, sexo à base de martini batido (mas não mexido) fez o agente secreto se tornar um dos meus personagens preferidos, assim como o filme. E sabendo da existência de longas anteriores, não demorou para que logo eu passasse na locadora e pegasse os mais antigos, recuperando desde a primeira fase de Bond, com Sean Connery.

Mesmo com meus parcos 10 anos de idade, comecei a fazer ligações entre os filmes. Afinal, por que todos os vilões era chineses, coreanos, ou russos? Logo descobri um outro motivo para 007 ser 007. Em meio à tormenta silenciosa que foi a Guerra Fria, o Ocidente precisava de um herói que combatesse as “forças do mal” que eram os comunistas. Ou assim se pensava. Bond tornou-se um símbolo do heroísmo, por mais que fosse um bêbado canalha com as mulheres e um adversário dos mais traiçoeiros, como os camaradas vermelhos.

Mas estudando um pouco mais, começa-se a achar ridículo que, em plena metade da década de 1990, ainda o tema da Guerra Fria imperasse em seus filmes. Os filmes seguintes mostrariam que, aos poucos, as coisas estavam mudando. Tanto que os últimos adversários de 007 têm sido “colegas” da Europa Ocidental. James Bond está se reiventando. Como disse, aos poucos.

Muita coisa se passa e, principalmente, muda em 46 anos. Com 007 não é diferente. A estréia de “007 – Quantum of Solace” só reafirma esta reivenção do espião. Seis atores já interpretaram o papel: Sean Connery, o debochado; Roger Moore, o quarentão sexy; Timothy Dalton, o bonitão americanizado; Pierce Brosnan, o santo das causas impossíveis. E agora, Daniel Craig. Ok, teve também George Lazenby, mas este prefiro nem comentar. Cada qual contribuiu para um aspecto diferente da personalidade, levando em conta também o contexto histórico. Se antes James Bond era alguém, aparentemente, quase sem sentimentos, que ligava no automático, transava com todas as mulheres sem o menor pudor e ainda aniquilava os adversários sem pensar duas vezes, agora a situação muda de cenário. Com Craig, Bond está mais humano, apaixonado, vingativo. O que atiça ainda mais a adrelina na tela. E o melhor de tudo é que ainda sobra espaço para referências aos longas antigos. Quem não lembra da bond girl Jill Masterson com o corpo pintado em ouro e estirada na cama em “007 Contra Goldfinger” (1964) ao ver Strawberry Fields também morta na cama, mas desta vez com o corpo banhado em petróleo? Inclusive o take é o mesmo!

Quem gostou dos últimos filmes não pode perder a oportunidade de ver (ou rever) os longas anteriores. Daniel Craig não deve ser o último Bond da linhagem. Mas enquanto não trocam o rosto do agente secreto, o que interessa é sentar em frente à tela e tentar acompanhar os roteiros explosivos (que, convenhamos, volta e meia são extremamente entruncados). E para acompanhar, não esqueça: o Martini é batido, mas não mexido.

Divertida neurose

terça-feira, novembro 11th, 2008

Há muito tempo Woody Allen não conseguia me fazer rir de verdade como em “Vicky Cristina Barcelona”. Em primeiro lugar, porque seus últimos filmes foram dramas – “Match Point” (2005) e “O Sonho de Cassandra” (2007) – com pouquíssimos toques cômicos. Ok, ignore “Scoop – O Grande Furo” (2006), que era um besteirol divertido, mas com situações tão absurdas que o máximo que se conseguia fazer era tirar um sorriso amarelo. A última película realmente engraçada do diretor mais neurótico do cinema havia sido “Desconstruindo Harry” (1997). Ou seja, há mais de dez anos. Mas agora ele conseguiu o feito, após este hiato em jejum.

Talvez o fato do também roteirista não atuar seja um forte indício. Convenhamos que ele pode ser ótimo, mas a figura em si do baixinho neurótico que conseguia transar com todas as beldades nos filmes já havia enchido o saco há muito tempo. No novo longa, ambientado, obviamente, na Espanha, a figura neurótica é substituída por Vicky (Rebecca Hall, ótima revelação), que viaja ao lado da amiga Cristina (Scarlet Johansson, um tanto quanto eclipsada) para passar um período de férias na Espanha. As duas se envolvem com o sedutor Juan Antonio (Javier Bardem, excelente como sempre). Enquanto Vicky, de casamento marcado com um sem graça empresário norte-americano, tem uma noite com o pintor e vive uma paixão secreta por ele, Cristina se entrega totalmente e vai morar com Juan.

Eis que surge o melhor do filme. Quando a relação parece estar engrenando, a ex-mulher do pintor, Maria Elena, reaparece. Apaixonada, possessiva e louca de atar em poste, a personagem interpretada magistralmente por Penélope Cruz é o fio condutor para a mudança de linha no filme. De simples romance para uma tragicomédia, com direito ao tão falado (mas nem tão polêmico assim) beijo a três, mas especialmente, por intensos bate-bocas intercalados entre os dois idiomas.

Woody Allen parece que finalmente consegue reatar com o gênero que o lançou para o estrelato, justamente por retomar as origens, fazendo situações cotidianas e extremamente comuns na vida de qualquer pessoa se tornarem a coisa mais engraçada do mundo.  É impagável ver Juan Antonio falando a todo momento “fale inglês, Maria”, num misto de admiração e desprezo pela ex.

Por outro lado, creio que já é hora do roteirista buscar outra “nova musa” para ele. Scarlet Johansson já perdeu a graça em seus filmes. Não só por culpa dela, mas também pelo próprio diretor, que parece dar a ela sempre o mesmo papel de garota confusa e apaixonada. Nesse sentido, a então desconhecida Rebecca Hall emplaca uma presença muito mais destacada na telona. Será que ela vai ser a protagonista de algum de seus próximos filmes? Não duvido.

Nota: 8.5

Amigos, amigos, amores à parte

quarta-feira, maio 28th, 2008

Patrick Dempsey e Michelle Monagham em \Não sou fã de comédias românticas. Em geral elas me irritam. As histórias são basicamente as mesmas desde que o cinema é cinema, há mais de cem anos. Do homem e a mulher que se odeiam e, após voltas e reviravoltas no roteiro, descobrem-se apaixonados; ao cara que leva um pé na bunda e descobre nas próprias origens (vulgo a cidade de nascença, no interior do interior do interior) a paixão pela garota mais bonita da cidade; garota que também pode ser o alvo da paixão de um adolescente nerd, louco para conquistar o coração da patricinha, que pode parecer ser fútil, mas no final de um longa rende-se ao mocoronga e descobre-se um amor de pessoa.

Em 1997, Julia Roberts foi uma das responsáveis pelo sucesso de “O Casamento do Meu Melhor Amigo”, uma comédia romântica que ganhou pontos comigo por ser realmente engraçada e não ter o final mais previsível do mundo. Praticamente fazendo um Ctrl C + Ctrl V na história, está em cartaz agora nos cinemas “O Melhor Amigo da Noiva”. Na verdade, a diferença básica no longa é a troca de gêneros. Desta vez, um homem interpreta o papel do cara-que-se-descobre-apaixonado-pela-melhor-amiga-e-não-quer-que-ela-case. A bola da vez é Patrick Dempsey, atualmente o Dr. McDreammy do seriado Grey’s Anatomy, mas conhecido nos anos 1980 pela também comédia romântica “Namorada de Aluguel” (confira entrevista com Dempsey aqui).

Apesar de batido, o tema é relevante: quantas casos do gênero não conhecemos na vida real? Não estou falando de lunáticos que chegam na hora H de um casamento para dizer: “Pare, eu te amo!” Falo dos casais da nossa roda de amigos que formaram-se após anos de convivência. Várias baladas eletrônicas juntos, conversas nos bares fuleiros da Cidade Baixa, confidências sobre os sentimentos mais íntimos ao pé do ouvido.

Sabe aquela história de “o amor pode estar ao seu lado”? É disso que eu falo. Um amor que parece um pouco acomodado, com certeza. Afinal, pode ser mais fácil conquistar alguém que já se conhece de outros carnavais. Ledo engano. Transformar uma bela amizade num ótimo casamento não é algo nem um pouco fácil. O medo das coisas não darem certo pode ser a pior coisa do mundo. No fim das contas, pode-se perder tanto o(a) amigo(a) quanto o(a) namorado(a).

Para quem sabe como é, e principalmente a quem sabe – ou soube – levar de forma séria um caso desses, “O Melhor Amigo da Noiva” poderia ser uma ode aos apaixonados. Só seria melhor se houvesse um pouco mais de realidade. De roteiro afiado. E de amor verdadeiro.

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