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Observe and Report

domingo, abril 26th, 2009

observeandreport-2“Observe and Report” é um filme estranho. De todas as palavras que poderia usar, ‘estranho’ me parece justo. Nas duas horas que se passa dentro da sala de cinema, nos perdemos dentro das peculiaridades dessa cruza de “Paul Blart Mall Cop” e “Taxi Driver”, dessa comédia sem ser comédia, onde até humor negro me parece um tanto quanto light para definir essa bagunça (mais…)

Sunshine Cleaning

quinta-feira, abril 16th, 2009

sunshine_cleaning_lIr ao cinema com expectativas é pedir pra se decepcionar. Mas, dessa vez, tive sorte. “Sunshine Cleaning”, para aqueles com um pouco de alma, é capaz de aguçar um pouco de tudo dentro da gente. Dos mesmos produtores de “Little Miss Sunshine”, além do título semelhante, traz também um pouco de sentimento para uma tela sempre tão cheia de fantasia e mesmice (mais…)

Beverly Hills Chihuahua

terça-feira, abril 14th, 2009

beverly-hills-chihuahuaDesde que o trailer surgiu na internet tenho esse monólogo interno, tentando em vão entender como que um filme como “Beverly Hills Chihuahua” ganhou a green light para entrar em produção (mais…)

Sex Drive

quinta-feira, março 12th, 2009

Nos comerciais promovendo o filme, “Sex Drive” não tem vergonha de se comparar à “Superbad – É Hoje!”. Fui ao cinema esperando uma cópia barata (e, conseqüentemente, pior que a original), mas me vi surpreendida da maneira certa (mais…)

My Best Friend’s Girl

quarta-feira, outubro 29th, 2008

“My Best Friend’s Girl” é uma ofensa às comédias românticas. Não que se espere muito de um filme com Dane Cook, Jason Biggs e Kate Hudson, mas mesmo assim.

Nada em “Amigos, Amigos, Mulheres à Parte” (My Best Friend’s Girl) é original. Os atores continuam interpretando os mesmos personagens, e pelo menos pra mim, eles não têm carisma e credibilidade suficientes pra sustentarem sozinhos um filme.

Jason Biggs é sempre a mesma coisa. O cara inseguro, bonzinho que respeita as mulheres e acaba sempre jogado pra escanteio. Dane Cook é sempre o cara escroto que conquista as mulheres pelo charme de tratá-las como lixo. E Kate Hudson é Kate Hudson, a despretensiosa, que quer viver a vida e não vê problemas em expressar seus sentimentos à flor da pele. Tudo isso até poderia funcionar, já que separados e em diferentes ocasiões eles são capazes de serem suportados, mas todos juntos é tortura.

A história é batida. Dustin (Biggs) é apaixonado por Alexis (Hudson). Ele faz tudo pra chamar a atenção dela, e, por boa parte do tempo, soa um tanto desesperado. Alexis, por sua vez, vê Dustin como um amigo e sugere que eles saiam com outras pessoas. Dustin, no auto do seu sofrimento, pede ajuda ao amigo Tank (Cook), que nas horas vagas é pago para sair com mulheres em término de namoro e fazer com que os erros de seus ex-namorados sejam pequenos comparados a desgraça que é sair com ele mesmo. Pra sua surpresa, Alexis não se vê ofendida por boa parte dos “truques” de Tank, e ele acaba se apaixonando por ela. E, conseqüentemente, perdendo o melhor amigo. Merecedor de Oscar de Roteiro Original.

O problema é que tudo no filme peca pela vulgaridade. As piadas são forçadas, e não existe nada, ou ninguém, capaz de balancear a desgraça.

Kate Hudson esgotou a paciência fazendo sempre a mesma linha. Até porque, quantas vezes uma mulher consegue refazer o mesmo filme? Tirando “Quase Famosos”, todos os seus filmes se resumem a “Como perder um homem em 10 dias”. Jason Biggs, por sua vez, sempre vai ser o cara virgem que anda pelado com uma torta nos países baixos. Dane Cook, infelizmente, deveria se limitar a fazer shows de comédia. Seu humor não se traduz da maneira certa para as telas do cinema, e na maioria das vezes o que poderia até soar engraçado em uma mesa de bar, no vídeo acaba sendo imaturo, sujo e completamente ignorante. Nem a participação do Alec Baldwin consegue salvar esse filme que, na minha opinião, é digno apenas de locadora, e mesmo assim, só em dia de chuva quando não se tem nada, mas nada mesmo mais pra ser alugado.

Choke

terça-feira, outubro 21st, 2008

Eu tento seguir sempre o mesmo ritual. Um filme está sendo adaptado, eu corro pra ler o livro antes. “Choke” não foi exceção, até por Chuck Palahniuk ser um dos meus escritores favoritos. Se em “Clube da Luta” ele nos deu Tyler Durden, desta vez nos apresenta a Victor Mancini, um dos personagens mais ousados escritos até hoje. Podem me chamar de geeky, mas amo os filmes do “Harry Potter”. Por quê? Porque são extremamente leais aos livros, e conseguem de uma maneira absurda capturar coisas que eu achava possível apenas na minha imaginação. Pelo mesmo motivo odiei “O Código Da Vinci”, pois tiveram a ousadia de mudar fatos que eram, na minha opinião, essenciais para o sentido da história.

Diferente de “Clube da Luta”, que teve uma super produção com um elenco de estrelas, “Choke” segue outra linha. Até porque, um filme tratando de um cara viciado em sexo e possível sucessor de Jesus Cristo só poderia ser independente. “Choke” gastou 3,5 milhões de dólares e foi filmado em menos de um mês, em New Jersey.

Clark Gregg (mais conhecido por seus papéis na TV) se aventura no filme como escritor, ator e diretor. Confesso que às vezes imagino o que teria sido deste projeto se, ao invés de um diretor de primeira viagem, alguém mais experiente tivesse assumido a idéia. Inclusive David Fincher, que foi genial na adaptação do já citado “Clube da Luta” (meu filme favorito, como dá pra notar pela quantidade de vezes que já o mencionei). Mas, dentro das limitações de orçamento, e experiência, o filme consegue honrar a mente insana do escritor do livro.

Sam Rockwell é perfeito como o personagem principal. Não existe ator melhor para o papel. Ele consegue, em cada cena, incorporar tudo que a gente espera de um homem escroto, irresponsável e absurdamente fascinante. O olhar dele traduz tudo o que se lê nas páginas.

Muitas partes foram cortadas, mas o principal foi bem adaptado. São muitos flashbacks e, infelizmente, o protagonista enquanto narrador, tão aproveitado no livro, no filme acaba aparecendo só nos primeiros minutos.

Pra quem não leu o livro, a história é simples. Victor Mancini é um cara viciado em sexo que trabalha num antigo parque temático, bem característico dos Estados Unidos. Nas horas vagas ele finge se engasgar em restaurantes pra conseguir dinheiro suficiente pra manter sua mãe louca numa casa de idosos. De simples não tem nada. E por isso mesmo é sensacional.

“Choke” choca, nos faz rir e nos ofende. As cenas de sexo são extremamente visuais. Os diálogos, às vezes, forrados de palavrões. Mas isso é o mundo de Palahniuk. E não é à toa que ele é o escritor cult da nossa geração.

Nick and Norah’s Infinite Playlist

sexta-feira, outubro 17th, 2008

Pra se assistir e gostar de “Nick and Norah’s Infinite Playlist” é preciso de uma máquina do tempo. A começar pelo público, na sua maioria adolescente. Assim que a música começa a tocar e nomes como Modest Mouse e The Raveonettes aparecem na abertura, a gente entende que não está entrando numa comédia adolescente como as dos anos 90.

“Nick and Norah” é uma celebração indie. A atitude, a abordagem, tudo é direcionado a esse movimento que não é apenas musical, mas que acabou se tornando um estilo de vida.

A história não tem muito segredo, e por isso mesmo fica tão fácil se encantar e sentir saudade de quando as noites eram assim, tão cheias de surpresas e aventuras, sem a ressaca e o cansaço do dia seguinte. Michael Cera é Nick, um cara meio geeky, meio cool, que toca numa banda onde todos, com exceção dele, são gays. Ele vem tendo dificuldades em esquecer sua antiga namorada, que estuda na mesma escola que Norah (Kat Dennings). Sua ex, a convencida Tris (Alexis Dziena), não vê problemas em aparecer no bar onde Nick está tocando, e acaba pagando por isso.

Nessa noite específica, boa parte da cidade (pelo menos a ala alternativa), está desesperada para descobrir onde será o show surpresa do Where’s Fluffy, banda favorita do nosso casal 20. Nora, mais uma vez atacada por Tris, decide fazer de Nick seu namorado imaginário, gerando um plano mirabolante por partes de seus amigos, que acreditam que os dois tem tudo pra dar certo. Eles decidem levar Caroline (Ari Graynor), amiga de Norah, pra casa, dando assim a chance dos dois se conhecerem melhor.

Tudo pode acontecer em Nova York, e o filme nos mostra porque ela é considerada a cidade que nunca dorme. A amiga bêbada foge, os dois brigam, Tris vira uma psicótica e Norah tenta fugir de um namorado que aparentemente está mais interessado no sobrenome dela do que no que ela realmente representa. Tudo em uma noite.

O filme aborda, de uma maneira despretensiosa todas as dúvidas e as decisões que os adolescentes passam e tem que tomar, independentes do ano de nascimento. A diferença é que em “Nick and Norah” eles não são “plastics” a la “Mean Girls”: são versões honestas do que realmente está acontecendo, de como essa geração esta pensando.

Norah não é o que se espera de uma protagonista, da beleza ao caráter. Ela tem opinião, mas também é cheia de inseguranças. Já Nick é um cara comum, que a gente se encanta simplesmente por ele ser assim, tão confortável em sua própria pele. Não estamos perdidos dentro de um shopping, ou algo parecido. O filme acontece entre ruas e bares de Nova York, com personagens sarcásticos, carismáticos, que amam todos os gêneros de música. A diferença é que em “Nick and Norah” a gente se vê nos personagens. Afinal, quem nunca passou a noite cuidando de um amigo bêbado? Ou que demorou mais do que deveria pra se tocar que tal pessoa era perda de tempo?

O filme peca pela simplicidade em certas partes, sem muito enredo a ser desenvolvido. Mas consegue alcançar o que está buscando, que é se firmar nesse novo gênero de filmes adolescentes. Até pouco tempo atrás, adolescência rimava com comédias sexistas, filmes de terror e 500 continuações de “Todo Mundo em Pânico” e afins. Mas o mundo conheceu Diablo Cody e nos apaixonamos por “Juno”. “Nick and Norah’s Infinite Playlist” tenta se colocar no mesmo pedestal. Uma comédia realista, sem grandes segredos, com uma trilha sonora maravilhosa, desejando retratar o que é ser adolescente hoje em dia. Uma versão moderna do bom e velho ‘mocinha conhece mocinho’. Ter atitude e um Ipod é importante, mas ter um grande amor… isso nunca sai de moda.

Quase Sunshine

quinta-feira, outubro 2nd, 2008

Existem poucos filmes que me surpreendem toda vez que eu assisto. Tenho meus favoritos, que me marcaram com tanta força, que ficam encravados em mim. Muitos deles, não consigo assistir duas vezes. Fico com medo que percam a intensidade, que o valor causado no primeiro impacto diminua. “Pequena Miss Sunshine” reina em um mundo próprio. Já perdi a conta de quantas vezes o assisti, mas não importa. Toda vez que o filme cruza a minha tela, me vejo hipnotizada, e quando dou por mim, quase duas horas se passaram e eu estou, mais uma vez, em êxtase.

O filme mais humilde feito até hoje possui em mim uma grandeza sublime. A trilha sonora, tão delicada aos ouvidos de quem mergulha nela. A fotografia singela, deslumbrante na sua decadência. Cada vez me descubro gostando de novas cenas, novos diálogos. A minha favorita de hoje foi a cena em que o Dwayne descobre que não pode voar. A dor, o desespero, tudo tão cru, tão primitivo. Assim como a compaixão, o carinho da Olive ao simplesmente ficar ali, ao seu lado. As cores enquadradas, tão fortes na tela, transcendem em cada segundo em que nos vemos ali, na mesma situação.

Todos temos dentro da gente um pouco de cada personagem. Trazemos a determinação, a desilusão, o conformismo, a frustração, o sonho, e – por que não? – um pouco de ousadia e sacanagem. Nos perdemos na ordem em que deveríamos personificar cada um. Geralmente acabamos por misturar, confundir as situações e não nos resta nada além de seguir nessa kombi com buzina infernal que chamamos de vida.

Um filme que nos mostra que não importa o quão difícil a vida foi, está sendo, ou será. Temos que seguir em frente. Que todos os anseios viram vento no momento em que paramos de sonhar acordado e começamos a viver. Perdemos a coragem de dizer o que bem queremos. E quando o fazemos, nos arriscamos a perder o respeito dos outros, a nos perder de nós mesmos.

No silêncio desesperado, um olhar de compreensão, um toque de simpatia, conseguem ter mais poder que todas as palavras de motivação. Às vezes não queremos saber que tudo vai dar certo. Às vezes queremos apenas a certeza de que teremos alguém ao lado quando tudo der errado.

Temos exemplos de todas as gerações no filme. Da inocência da nossa Sunshine, tão utopicamente ingênua, vendo a vida pela lente azul. Um adolescente amargurado, vendo o mundo sem cor alguma. O idoso já conformado, que viu o suficiente pra não se importar mais. E temos três na fase “adulta”, todos cegos, alienados dentro de suas próprias limitações.

Não sei dizer ao certo onde me enquadro. Acho que sou essa mistura, esse apunhalado de gritos, giros e corpos escondidos. Digo frases feitas, amo minha família e me drogo na minha droga escrita. Danço sozinha, sofro de amores e sonho em silêncio. Assim como você, uma Pequena Grande Sunshine.

Step Brothers

domingo, setembro 21st, 2008

“Quase Irmãos” é mais um dos tantos filmes que resultaram da colaboração entre o diretor Adam McKay, o ator Will Ferrell, e, sim, o produtor Judd Apatow. Já tendo usado dos mais diversos cenários pra pano da história (estações de tv, corridas, anos 70), dessa vez eles decidiram voltar pra casa. Literalmente.

Ao invés de fazerem um filme falando sobre adultos que às vezes agem como crianças fracassadas, eles inovaram e fizeram um em que os adultos aceitam e tem orgulho de que ainda são assim, fracassos ambulantes. Depois de terem feito alguns filmes separados (como “Semi Pro” e “A Vida é Dura”), e não tendo a mesma receptividade do público, Will Ferrell e John C. Reilly voltaram a atuar juntos nessa comédia que rendeu mais de US$ 100 milhões só nos Estados Unidos.

É gostoso perceber que a química entre os dois continua intacta. O filme, por sua vez, conta com um elenco coadjuvante maravilhoso, que oferece o suporte necessário para que Ferrell e Reilly construam um mundo onde eles reinam soberanos. O longa é uma celebração à liberdade de expressão. De exposição de partes “privadas” ao excessivo uso de palavrões, tudo é possível em “Quase Irmãos”.

“Quase Irmãos” conta a história de um casal da meia idade que se apaixona perdidamente e que no meio de tantas afinidades descobrem que possuem ainda mais em comum: ambos têm filhos nos altos dos seus 40 anos, morando em casa. Brennan Huff (Ferrell) é na verdade bastante consciente no que diz respeito a sua situação. Tudo porque seu irmão mais novo, Derek (Adam Scott), nunca o deixa esquecer tal fato. Derek tem a vida perfeita. O emprego perfeito, a família perfeita. Tudo perfeitamente insuportável. Já Dale Doback (Reilly) não tem ninguém que o acorde pra vida, e acredita que, junto com o seu pai, ele é o cara que tirou a sorte grande.

Tudo vai por água abaixo quando seu pai casa pela segunda vez e ele se depara com a realidade de que terá que dividir o teto com a mãe postiça e seu quase irmão. Os dois se odeiam. E não encontram motivos para não expressarem tal sentimento. Ofensas, brigas, tudo em nome da raiva. Mas esse ódio, como diz o clichê, é o sentimento mais próximo do amor, e aos poucos eles vão descobrindo que possuem muito mais razões para se amarem do que o contrario. Tudo feito com muita breguice e imaturidade, é óbvio.

Assisti ao filme duas vezes. E consegui rir de doer a barriga nas duas. Claro que ele não se sustenta por duas horas. Algumas partes pecam pelo excesso, muitas vezes pelo tom ofensivo ou até pelo lugar comum em que eles sempre insistem em nos levar. Mas quando acerta (e isso acontece várias vezes), é muito bem sucedido. A atuação dos atores é impecável, e mesmo pra quem já está cansado de ver Will Ferrell ele é capaz de recuperar um pouco de sua credibilidade, e mostrar o porquê dele ser um dos poucos atores que conseguiu uma carreira sóida, mesmo depois de sua saída do Saturday Night Live. No fim das contas, “Quase Irmãos” funciona. É engraçado, porém sem grandes expectativas. Apenas a de nos fazer rir. E isso ele consegue.

 

Pinneaple Express

domingo, setembro 21st, 2008

“Segurando as Pontas” é mais do que um filme celebrando o uso da maconha. É um filme celebrando “bromances“. Sim, às vezes nos perdemos no meio da fumaça, mas por trás dela existe muito entretenimento. Pra quem achava que era algo no estilo “Cheech e Chong”, preparem-se para a decepção. É muito mais ação do que risadas a lá “Beavis and Butthead”. Elas estão inclusas, mas não são o centro da história.

Seth Rogen, que também escreveu o filme, é Dale Danton, um cara nos altos dos seus 20 e poucos anos e que claramente não vê razão em crescer. Seu trabalho consiste basicamente em usar disfarces e dar intimações às pessoas para que elas compareçam à corte. Se com isso já é considerado um fracasso (pelo menos na opinião das pessoas intimadas), ele conquista ainda mais pontos ao namorar uma adolescente cursando o segundo grau. Entre uma intimação e uma visita aos corredores da escola, Dale fuma muita maconha. O que alimenta um de seus sonhos, o de se transformar em um comentarista de rádio. Seu fornecedor é Saul Silver (James Franco), um cara sem grandes ambições, que vende maconha para manter sua avó em um asilo de qualidade. Saul é o único na cidade que vende ‘Pinneaple Express’, uma maconha tão preciosa, que em sua opinião, fumá-la é como matar um unicórnio. E, claro, Dale é o único a ter a honra de comprá-la.

Dale sempre tenta fazer suas “transações” o mais rápido possível, mas Saul sempre tentar forçar conversas, das tantas desconfortáveis que temos no meio da rua, mas que aqui acontecem entre bongs e papéis sedas. No caminho de volta pra casa, Dale tem mais uma intimação a entregar, e acaba por testemunhar um assassinato cometido pelo intimado. Este vem a ser, coincidentemente, o fornecedor de Saul, e que está no meio de uma guerra de poder com os chineses. A partir desse momento o filme muda de cara. Engraçado? Sim, mas também se transforma em uma trama bastante violenta, de tiros, lutas e orelhas decepadas. Tudo isso poderia dar errado, mas não dá. As cenas de ação são bem feitas, e as atuações dos atores conseguem o balanço necessário para a coexistência dos dois gêneros.

Da mesma maneira que temos Joe Pesci em “Máquina Mortífera”, temos aqui Red (Danny McBride, também visto em “Trovão Tropical”). O ator, que interpreta o elo entre Saul e o grande fornecedor, rouba todas as cenas que participa.O fato de seu personagem permanecer vivo no filme por tanto tempo ainda é uma das melhores partes do filme.

“Segurando as Pontas” é uma comédia feita para o publico masculino, e mulheres com tal tipo de humor. Humor esse que é brilhantemente alcançado por James Franco. Ele é, com certeza, a grande surpresa. Suas feições, suas entonações, tudo é perfeito no que se espera de um vendedor de maconha (ou de sua caracterização). A química entre ele e Seth Rogen é cativante. Os diálogos são rápidos, sarcásticos e inteligentes na sua própria maneira. Frases que serão repetidas mesmo horas depois do fim do filme.

“Segurando as Pontas” não tem a intenção de ser um divisor de águas. Não veio para ser a comédia do ano, julgar ou estereotipar nenhum meio ou escolhas. É uma comédia centrada, que consegue em duas horas cativar o público com sua linguagem simples, cenas dinâmicas e uma dupla de atores capazes de fazer esquecer o que está sendo fumado. Verdade seja dita, você não precisa gostar da Dona Mary Jane pra gostar desse filme.

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