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Vivendo fora da “bolha”

sexta-feira, janeiro 16th, 2009

A nova animação dos Estúdios Disney, “Bolt Supercão”, com direção de Byron Howard e Chris Williams, tem como protagonista um cachorro que é a estrela de uma série de TV, sem saber que todo o cenário que o cerca é falso. Certo dia ele deixa o furgão em que vive pensando que a garota que atua ao seu lado na série foi sequestrada (o que ocorre em um episódio, mas não na realidade). Bolt foge, acaba enfrentando a realidade das ruas e, o que para ele talvez seja o pior, termina descobrindo que seus poderes especiais não funcionam por ali. O cão acaba encontrando pombos, responsáveis por cenas cômicas do filme, que por sua vez o levam a uma gata de rua, Mittens, que promete ajudá-lo (ainda que à força) a encontrar a “humana” dele – isto é, a menina que atua com ele no seriado. Aos poucos ele vai conhecendo a vida fora do estúdio e conhece prazeres básicos para a maioria dos cães, como colocar a cabeça para fora de um veículo em movimento e sentir o vento no rosto, pedir comida em volta de mesas e buscar um graveto lançado como brincadeira.

Sem ser a mensagem principal do filme, é possível fazer uma associação da vida de Bolt como uma metáfora da vida de uma nova geração que por vezes está mais ligada ao mundo virtual do que ao real. Com os problemas de segurança nas cidades, famílias vivendo cada vez mais encasteladas e a diversão voltada aos meios eletrônicos, como videogame, Internet e TV, não são poucos os ligados a uma vida “indoor”. Outro personagem que vivia neste estilo é o simpático e otimista hamster Rhino, que nada fazia além de assistir TV e morava, literalmente, dentro de uma bolha. Ambos, auxiliados pela gata, “pegam” a estrada e experimentam novas sensações. Uma dica, enfim, para se aproveitar momentos junto à natureza ou ao ar livre. Também se destaca que aí se sofrem mais perigos, um risco que é o preço da liberdade.

Fora esta questão, o filme trata de emoções caras a qualquer espectador e deixa mensagens positivas ao público infantil: a amizade, fidelidade e o respeito às diferenças (visto que três animais que na linha natural são geralmente objeto de caça dos maiores convivem e são solidários uns com os outros). Além disso, nem tudo é falso no mundo artificial: o amor da garota por Bolt e vice-versa é verdadeiro.

Também aparece no filme uma crítica ao empresário que só pensa no lucro e não se sensibiliza com os sentimentos dos outros, revelando-se como um ser vil e repugnante. Uma mostra de que cada vez menos se tolera gente deste tipo. O filme, que dura 1 hora e meia, é, portanto, politicamente correto do início ao fim.

Em Porto Alegre, o filme está sendo exibido em salas em 3D, o que agrega belos efeitos ao filme. Vale ressaltar que “Bolt Supercão” é o primeiro filme de animação da Disney concebido e produzido especialmente para o formato 3D. “O Galinho Chicken Little” e “A Família do Futuro”, lançados anteriormente neste formato pelo estúdio, foram convertidos para 3D após serem concluídos.

 

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