As crônicas de James Horner

Por: Robledo Milani
categorias: Trilha Sonora
Data: domingo, 25 de maio de 2008

Depois dos impressionantes sucessos das sagas “O Senhor dos Anéis” e “Harry Potter”, o mundo do cinema fantástico literalmente escancarou suas portas para qualquer nova iniciativa no setor. Mas para cada “As Crônicas de Nárnia” (que faturou quase US$ 300 milhões só nas bilheterias norte-americanas) há vários “Stardust” e “A Bússola de Ouro” que naufragam nas expectativas. E este foi também o caso de “As Crônicas de Spiderwick”.

Lançado no início deste ano, “Spiderwick” até conseguiu algumas críticas mais entusiasmadas, mas o público não compareceu aos cinemas à altura para recuperar os US$ 90 milhões investidos no orçamento. Assim, é quase certo que não teremos continuações cinematográficas das aventuras literárias escritas por Tony DiTerlizzi e Holly Black. Nada a se lamentar, caso se pegue como exemplo a fraca trilha sonora incidental composta pelo multi-premiado James Horner.

Vencedor de 2 Oscars, 2 Globos de Ouro e 3 Grammys, ele sempre será lembrado por seu trabalho mais marcante, a inconfundível trilha do campeão de público e prêmios “Titanic”. Mas ao invés de compor temas ousados e marcantes, desta vez Horner parece ter pisado no freio, investindo em arranjos manjados e pouco inovadores. O resultado é algo discreto, quase imperceptível, e que não tem vida própria enquanto álbum.

Sendo todas as composições muito parecidas, é um trabalho de mestre diferenciar “Writing the Chronicles” de “Burning the Book”, “So Many New Worlds Revealed” de “The Flight of the Griffin”. Talvez quando apreciadas durante a projeção do filme elas funcionem melhor, mas esse não é o caso. Afinal, “As Crônicas de Spiderwick” só foi lançado no Brasil em cópias dubladas em português, o que prejudicou em muito a apreciação do espectador nacional mais exigente – diga-se de passagem, meu caso, que me recusei a conferi-lo, ao menos por enquanto. Quem sabe depois, em dvd?

A trilha sonora de “As Crônicas de Spiderwick” é um trabalho obviamente menor diante o conjunto da obra de James Horner. Títulos como “Apocalypto”, “Tróia”, “Uma Mente Brilhante” ou “Mar em Fúria” encontraram maior ressonância nos temas grandiosos propostos pelo autor. Já neste caso mais recente, sua presença pouco se percebe. E tentar apreciá-lo em cd, portanto, é uma tarefa quase sem sentido.

Por Robledo Milani (robledo@cineronda.com.br)

 

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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