“Agente 86″

Por: Robledo Milani
categorias: Críticas, Película
Data: sábado, 28 de junho de 2008

Criado em 1965 por Mel Brooks e Buck Henry, o atrapalhado detetive secreto interpretado na televisão por Don Adams (1923 – 2005) chega agora aos cinemas em “Agente 86″. Astros como Jim Carrey, Martin Lawrence e Will Ferrell chegaram a entrar na disputa para o papel de protagonista, mas nenhuma escolha seria mais apropriada para reviver Maxwell Smart do que Steve Carell, o comediante que virou astro após o sucesso de “O Virgem de 40 Anos” (2005). E amparado por uma boa equipe – Anne Hathaway pós-“O Diabo Veste Prada”, Alan Arkin pós-“Pequena Miss Sunshine”, Dwayne Johnson pós-The Rock e Terence Stamp pós-“Priscilla, A Rainha do Deserto” (entre tantos outros) – Carell comanda um projeto em que praticamente tudo dá certo, entregando ao público uma divertida comédia como há muito não se via nos grandes estúdios hollywoodianos.

“Agente 86″, a série, nasceu como uma paródia dos filmes de James Bond. Bem, se hoje em dia o próprio 007 foi revitalizado (vide Daniel Craig), além do renascimento de outros heróis similares, como Ethan Hunt (“Missão: Impossível”) e Jason Bourne (“Trilogia Bourne”), porque o riso que nasceu da mesma fonte não seguiria caminho idêntico? Sai, desta forma, a Guerra Fria e entra em cena uma nação misteriosa qualquer, com os velhos planos de dominar o mundo. 86 continua sendo membro da agência C.O.N.T.R.O.L.E., tendo que enfrentar os perigos da organização do mal K.A.O.S.. Mas este é um filme de origem, e ficamos sabendo como ele se tornou agente de campo, como a parceria com a 99 (Hathaway) começou e quais foram suas missões iniciais. E o melhor: acompanhamos desde o início as incríveis trapalhadas em que ele inadvertidamente acaba se metendo e os modos fantásticos como termina escapando dos mais arriscados perigos.

Com um orçamento de US$ 80 milhões, “Agente 86″ estreou nos Estados Unidos derrubando “O Incrível Hulk” da liderança e conquistando o topo das bilheterias, com quase a metade deste valor somente nos três primeiros dias de exibição. Acompanhando tudo isso há também a crítica, que abraçou sem grandes ressalvas a versão cinematográfica da antiga série. Entre os pontos fortes, além da boa sintonia do elenco, estão os efeitos especiais competentes - que não ficam devendo nada a outras produção mais “sérias” - e a direção segura de Peter Segal (“Corra que a Polícia Vem Aí 33 e 1/3″, “O Professor Aloprado 2″, “Tratamento de Choque”, “Como se fosse a Primeira Vez”), profissional que mesmo antes dos 50 anos de idade já pode ser considerado um ‘veterano no gênero’. E isso sem falar que a música-tema é “4 Minutes”, o mais recente sucesso de Madonna (ao lado do astro pop Justin Timberlake). Quer mais? Não se desespere. Com tantos acertos assim, uma continuação não deve demorar muito para se tornar realidade!

Get Smart, EUA, 2008
De Peter Segal
Com Steve Carell, Anne Hathaway, Alan Arkin, Terence Stamp, Dwayne Johnson

(nota 8)

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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