A revolução
Por: Gabriel Rocha
categorias: Colunas, Terra Estrangeira
Data: quinta-feira, 25 de junho de 2009
Primeiro só existia o cinema. Era um ritual, ir com a família ou levar os filhos para uma sessão no teatro mais próximo. Depois veio a televisão. Aos poucos, o entretenimento foi evoluindo junto com a tecnologia e ficando cada vez mais popular e fácil de ser acessado. Até chegarmos nessa nova revolução, o Netflix! Com a invenção do vídeo cassete um novo mundo se abriu – de repente podíamos alugar filmes e levar pras nossas casas por um preço módico. E assim foi por anos, divididos entre a visita ao cinema e a ida até a vídeolocadora mais próxima. Depois, é claro, todos sabem que veio o DVD, que manteve o fluxo da locadora inalterado por um bom tempo, pois o processo se mantinha o mesmo, somente a mídia é que havia mudado um pouquinho. A partir desta invenção, nós que já éramos apaixonados por filmes, começamos a ficar enlouquecidos. Como o preço de compra de cada disquinho é baixíssimo, isso significa que a partir de agora podemos ter nossas próprias locadoras dentro de casa! Passamos a ter o nosso próprio acervo, com aqueles filmes que nos trazem tudo que queremos numa hora de lazer. Somos donos da nossa diversão.
Pois é, meus amigos, mas aí veio a internet e de repente você consegue fazer o que quiser. Comércio ilegal e filmes vazando pela rede mesmo antes de irem pro cinema. Não precisa nem ser dono do filme, basta fazer um download e pronto, é possível assistir a quantas vezes quiser. Não é uma loucura poder assistir a filmes que ainda nem passaram pelo circuito comercial? É sim, pois é super ilegal, e não adianta querer passar a mão na cabeça: a partir do momento que você baixa um filme sem ter pago para as pessoas que de fato tem direito de receber, você está cometendo um crime. Bem, mas não estou aqui pra dar aula de criminalidade, mas sim pra falar da nova evolução do entretenimento em casa, o Netflix.
Talvez você nunca tenha ouvido falar, ou já tenha em sua casa, mas o Netflix é uma revolução. Com uma mensalidade de dezesseis dólares você, sem sair da sua casa, escolhe seus filmes, séries de TV, vídeo games e cartoons preferidos, monta uma lista de pedidos que pode ser tão longa quanto a Muralha da China, e todos os dias irá receber um, dois ou três filmes diferentes na sua caixa do correio para assiste na paz do seu lar. Depois é só devolver por um envelope pré-pago. Simples, e no entanto, inovador! E não é só isso, diversos dos títulos do Netflix podem ser vistos on-line ou, caso você tenha os equipamentos certos, podem ser baixados diretamente pra sua televisão ou Blu-ray player! Juro que fico espantado! Não com o sistema, por assim dizer, mas com a simplicidade e o conforto no geral. Pense que revolucionário: você pode trabalhar o dia inteiro e quando chegar em casa não precisa se preocupar se vai ter tempo de passar na locadora pra devolver o filme…
Essa novidade já está incomodando os mais grandinhos. A rede Blockbuster também já desenvolveu o mesmo sistema, e aparentemente os pacotes deles já estavam começando a ficar obsoletos – não sei bem dizer a razão, mas talvez porque nós, seres humanos enlouquecidos, andamos tão ocupados que não temos mais nem tempo de ir à vídeolocadora. Com isso tudo dito, ainda esbarro em gente, que, como minha mãe, só sabem apertar as teclas numerais e “aquele botão verdinho” do celular. Resistentes à tecnologia, essas pessoas são as que ajudam a carregar certas “tradições” pra frente e fazerem essas coisas sobreviverem por mais alguns anos. Recentemente, conversando com uma amiga, estava explicando sobre como o Netflix mudou meu dia-a-dia e todas as facilidades que trouxe e por um preço absurdamente baixo se comparado ao de qualquer outra vídeolocadora. Mas ela, resistente, disse que nada traz mais prazer do que ir até a Blockbuster no final do dia e ficar uma hora andando de um lado pro outro escolhendo que filme assistir. Pra ela, esse é quase um ritual espiritual.
Depois dessa conversa fiquei pensando no assunto, e talvez ela esteja certa. Se perdermos esse momento, um dos últimos em que a família se reúne para escolher algo e viver em conjunto, o que vai nos restar? Cada um em seu computador fazendo a sua lista? Desse jeito vai chegar o dia que ninguém irá nem mais falar bom dia com a própria voz! Então, entendo os resistentes ao Netflix, mas eles que me perdoem: pra mim nada foi mais revolucionário e positivo nos últimos anos, nem mesmo o check-in pela internet!






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