“5 Frações de uma Quase História”
Por: Robledo Milani
categorias: Críticas, Película
Data: quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Resultado de um trabalho coletivo de um grupo de realizadores mineiros, “5 Frações de uma Quase História” registra, ao mesmo tempo, a estréia de seis diretores, além de ser o primeiro trabalho da produtora Camisa Listrada em longa-metragens. E, com uma origem destas, é quase inevitável termos como resultado uma obra bastante irregular, que conta com ótimos momentos e outros nem um pouco memoráveis. Mas este é o preço da experimentação, não?
Como o próprio título já adianta, “5 Frações de uma Quase História” se compõe por cinco tramas que se desenrolam de modo simultâneo e interligado. Mas esta ligação ligação entre elas, na maioria das vezes, é bastante forçada, o que prejudica um pouco a verossimilhança do projeto como um todo. Por outro lado, o elenco está completamente entregue, assim como os realizadores, todos obviamente bastante empolgados com o desafio que eles mesmos criaram.
Dos cinco roteiros, dois são originais (“O Magarefe” e “Título Provisório”) e três são adaptações (“Qualquer Vôo”, de Yury Hermuche, “145”, do também ator Gero Camilo, e “A Liberdade de Akim”, de Paulo Leônidas). Os personagens protagonistas são um fotógrafo obcecado por pés femininos, um homem confuso entre a realidade e os filmes que vê na televisão, um funcionário público que recebe uma proposta arriscada do chefe, um açougueiro que descobre que está sendo traído pela mulher com o próprio patrão e uma solteirona decidida a se casar. Algumas tinham potencial para renderem filmes à parte, enquanto que outras mal escapam do clichê do gênero. A única, no entanto, que se encaixa perfeitamente à proposta aqui colocada é a última, que combina bom humor, soluções inesperadas e intérpretes afiados. É a mais bem sucedida das cinco. Pena que muitos, ao chegarem nela, já estarão com a paciência e o interesse bastante afetados.
Vencedor do Prêmio Especial do Júri no CinePE, o Festival do Audiovisual de Recife, e filmado inteiramente em apenas cinco semanas, com a participação 50 pessoas na equipe técnica, 35 atores, cerca de 600 figurantes e mais de 60 locações diferentes, “5 Frações de uma Quase História” tem, obviamente, seus altos e baixos, mas não é por isso que deve ser julgado, e sim por sua ousadia e experimentação. É uma iniciativa arriscada e digna de aplausos, que na maior parte do tempo não decepciona, mantendo a curiosidade do espectador em alta – mesmo que em alguns casos esta acabe não se justificando. Mas é revigorante ver um time como esse tão motivado, e ainda mais distante dos principais pólos cinematográficos do país (SP e RJ). E afinal, o que temos aqui é só começo. Que venha mais, e logo!
5 Frações de uma Quase História, Brasil, 2007
De Armando Mendz, Cristiano Abud, Cris Azzi, Guilherme Fiúza, Lucas Gontijo, Thales Bahia
Com Cláudio Jaborandy, Cynthia Falabella, Gero Camilo, Jece Valadão, Leonardo Medeiros, Luiz Arthur, Murilo Grossi, Nivaldo Pedrosa
(nota 7)





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