“2012”
Por: Robledo Milani
categorias: Cinéfilo, Colunas, Críticas, Película
Data: quinta-feira, 19 de novembro de 2009
“2012” é dirigido pelo alemão Roland Emmerich, o que quer dizer muita coisa. Afinal, ele entregou ao público no passado pérolas como “Independence Day” (1996), “Godzilla” (1998) e “O Dia Depois do Amanhã”, entre outros do gênero cinema-catástrofe. Ou seja, o cara gosta de ver desastres e outros espetáculos visuais. Só que desta vez ele finalmente conseguiu realizar o filme definitivo sobre o fim do mundo. Esqueça a história – são os efeitos especiais que irão deixar qualquer um de queixo caído.
O elenco de “2012” é repleto de rostos conhecidos. Começa com John Cusack (“Alta Fidelidade”) e segue com Amanda Peet (“Arquivo X – Eu Quero Acreditar”), Chiwetel Ejiofor (“Cinturão Vermelho”), Thandie Newton (“RocknRolla”), Oliver Platt (“Frost/Nixon”), Woody Harrelson (“Sete Vidas”) e Danny Glover (“Ensaio sobre a Cegueira”), entre tantos outros. Ou seja, é um time que impressiona, mas não o suficiente para nos levarmos até à sala de cinema. Pra se ter uma ideia, nenhum deles aparece no cartaz oficial de divulgação – nem mesmo seus nomes! O que importa aqui são os milhares de dólares gastos na pós-produção e que serviram para criar algumas das mais impressionantes cenas apocalípticas do cinema moderno.
E a trama? O argumento é baseado numa antiga previsão maia, que por sua vez afirma que no dia 21 de 12 de 2012 (sentiu a combinação de números?) o mundo irá acabar. O núcleo da Terra irá sobreaquecer, provocando um reajustamento das placas tectônicas, resultando numa série nunca vista antes de terremotos e de tsunamis gigantescos por todo o mundo. Neste caos generalizado, apenas alguns conseguirão se salvar em verdadeiras ‘arcas de nóe’ que foram construídas pelos principais governos de todo o mundo na China. E, entre eles, alguns furões, como uma família disfuncional, a filha do presidente norte-americano e um cientista que descobriu o que iria acontecer antes de todos os outros.
São quase 3 horas de projeção (2h38min, para ser mais exato), e o orçamento final não foi divulgado. Especula-se que tenha sido em torno de US$ 200 milhões. O número parece ser alto, mas se levarmos em conta que o filme ficou em primeiro lugar nas bilheterias norte-americanas no seu final de semana de estreia, arrecadando mais de US$ 65 milhões, enquanto que a soma em todo o mundo – a estreia no Brasil é simultânea com os Estados Unidos e com os principais mercados cinematográficos de todo o mundo – ultrapassou os US$ 240 milhões, o investimento parece ter valido a pena. E como!
Esse resultado se deve também à inteligente campanha de marketing, com uma divulgação focada e bastante direcionada. O pôster original mostra uma onda gigante sobre o Himalaia, mas outras versões foram feitas, inclusive uma brasileira com o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, sendo destruído. E essa cena aparece rapidamente no filme, quando os protagonistas observam pela televisão uma matéria da Globo News (com citação e tudo), falada em legítimo português (nada de espanhol).
Mas se os bolsos estão cheios, por outro lado a avaliação da crítica americana foi impiedosa. No site Rotten Tomatoes “2012” ficou com a nota 3,7/10 após quase 200 resenhas diferentes. Das 194 críticas compiladas, 72 elogiaram o filme, enquanto que 122 (quase o dobro) falaram mal. O consenso é de que este é um trabalho visualmente emocionante, mas que carece de um roteiro melhor amarrado que dê o suporte necessário para sua longa duração. Em resumo: é uma festa para os olhos e para os sentidos básicos, mas um verdadeiro desafio para os cérebros mais exigentes, que ficarão amortecidos na primeira meia hora. Ou seja, certifique-se de muita pipoca e refrigerante e esqueça a lógica.
2012, EUA/Canadá, 2009
De Roland Emmerich
Com John Cusack, Chiwetel Ejiofor, Amanda Peet, Danny Glover, Woody Harrelson, Thandie Newton, Oliver Platt, Thomas McCarthy, Liam James, Morgan Lily, Johann Urb
(nota 7)






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