Link Worth

Archive for janeiro, 2008

Morte no Funeral

segunda-feira, janeiro 7th, 2008

Frank Oz já tem garantido seu espaço na memória de todo bom cinéfilo pelo seu desempenho como um dos personagens mais marcantes do cinema hollywoodiano: é dele a voz de Yoda, o sábio mestre jedi de frases invertidas da saga STAR WARS. Mas além de dublador (nos seus créditos aparecem participações em filmes como ZATHURA e MONSTROS S.A. e em séries como VILA SÉSAMO e OS MUPPETS), Oz é um cineasta de extenso currículo, responsável por sucessos como NOSSO QUERIDO BOB e OS PICARETAS e fracassos como A CARTADA FINAL e MULHERES PERFEITAS. E depois desse último desastre, que quase acabou com a carreira de Nicole Kidman, decidiu se refugiar na Inglaterra para dirigir MORTE NO FUNERAL, uma legítima comédia britânica de baixo orçamento, sem grandes astros, porém com um humor muito mais corrosivo e sarcástico, mas, ainda, contando com um previsível final feliz, mesmo que às avessas. E ele até que se sai bem!

Após a morte do pai, Daniel (Matthew MacFadyen, de ORGULHO & PRECONCEITO) tem como principal preocupação realizar um serviço fúnebre à altura. Mas ele não tem somente isso em mente: há o que fazer com a mãe, os anseios da esposa que quer se mudar e o irmão (Rupert Graves, de V DE VINGANÇA), famoso romancista, que está vindo dos Estados Unidos para a ocasião. E, claro, em receber bem todos os parentes que também devem marcar presença para um último adeus.

Entre estes está a prima decidida em se casar com o namorado, mesmo contra a vontade do pai. E, para acabar com o nervosismo do rapaz, que irá enfrentar o futuro sogro, ela lhe dá uns tranquilizantes pegos ao acaso na casa do irmão, que estuda farmácia. O que ela não sabe é que aqueles comprimidos não são calmantes, e sim ecstasy. Com isso dá pra se ter uma idéia do que o coitado irá aprontar durante a cerimônia, de alucinações sobre sons vindos de dentro do caixão até terminar completamente nu desfilando pelo telhado da casa!

Mas a maior confusão estará representada por um ilustre desconhecido – um anão (Peter Dinklage, de O AGENTE DA ESTAÇÃO). E ele está ali por um motivo que provocará choque e surpresa: ele era amante do falecido! Portado de fotos que comprovam a relação homossexual paterna que ninguém desconfiava, ele exige fazer parte daquela união familiar – caso contrário seu silêncio até poderia ser providenciado, mas a um alto preço!

Confusões, desentendimentos, trapalhadas, enganos e outros previsíveis clichês do gênero “reencontro de família” estão presentes. O que fará o diferencial é a forma impiedosa como eles se apresentam: praticamente ninguém chegará ao fim desta reunião ileso, sem que sua honra – ou mesmo crença – seja abalada. Com um elenco bastante coeso e com um bom timing para este tipo de comédia, um roteiro bem estruturado e sem vergonha de usar suas próprias obviedades a seu favor, Frank Oz consegue voltar a um gênero que domina com precisão (é dele também o ótimo – e superior – SERÁ QUE ELE É?), confrontando preconceitos e verdades absolutas com graça e ironia. E o resultado, apesar de pouco memorável, acaba sendo melhor do que se poderia esperar.

Death at a Funeral, EUA/Reino Unido/Alemanha/Holanda, 2007
(nota 6,5)

Império dos Sonhos

domingo, janeiro 6th, 2008

Um amigo me disse ter se sentido ofendido após as três horas de duração de IMPÉRIO DOS SONHOS, nova loucura assinada por David Lynch. Já outro afirmou ter baixado o filme pela internet logo que o encontrou disponível, e que já o tinha assistido no mínimo umas cinco vezes antes da estréia nos cinemas brasileiros (onde foi conferir novamente, apenas pelo “prazer da tela grande”). Eu, por outro lado, não sei muito o que dizer. Afinal, como criticar – para o bem ou para o mal – algo que você simplesmente não entendeu?

E acredito também que a idéia seja exatamente esta: provocar muito mais dúvidas do que esclarecimentos. Para se ter uma idéia, durante uma entrevista a um programa de televisão, Lynch e Laura Dern, a protagonista, não conseguiram chegar a um acordo a respeito de quantos papéis ela própria interpreta no filme, se três ou quatro. Bem, se nem eles, que idealizaram o longa, conseguem se entender, o que sobra para nós, meros espectadores?

IMPÉRIO DOS SONHOS começa com uma garota assistindo a um programa na televisão. Parece ser um sitcom – um único cenário, claquetes com risadas da platéia – em que os personagens são seres humanos com cabeças de coelhos. Logo em seguida estamos na majestosa residência de uma atriz aparentemente famosa, que está em vias de voltar ao estrelato por conseguir um papel bastante disputado. É o remake de um filme que não chegou a ficar pronto, sobre uma família polonesa assassinada. Os protagonistas do filme original morreram durante a produção, e tem-se este temor que o mesmo aconteça durante as novas filmagens. Um grupo de prostitutas também pontua algumas situações, assim como uma mulher que está contratando um detetive particular. Ah, e há também uma família que recebe uma trupe de viajantes da Europa oriental para um churrasco no jardim (!).

Qual a relação entre todas estas histórias? Aparentemente, nenhuma. Por outro lado, talvez todas estas tramas revelem facetas de uma mesma mulher. A atriz decadente que revive o papel de uma estrela de outrora que está trazendo à vida uma sofrida dona de casa polonesa que suspeitava que o marido a estava traindo e que por isso ansiava por ter uma vida familiar tranquila e perfeita e que, pela ausência dessa realidade, imagina-se prostituindo-se em troca de um pouco de atenção e, pela inevitabilidade disto, termina de forma trágica. Ou então seria a vizinha que aparece no começo do filme a verdadeira protagonista, a imigrante da Polônia responsável por todas aquelas tragédias e que manifesta-se naquele momento para alertá-la dos perigos que estaria prestes a correr? Muitas interpretações mais certamente são possiveis, e quem se dedicar a procurar não terá dificuldades em encontrar argumentos e elementos que colaborem nestas outras posições. IMPÉRIO DOS SONHOS é uma obra literalmente aberta, e caberá ao espectador e ao seu universo de referências montar – ou não – este quebra-cabeças.

Premiado no National Board of Review como “Melhor Filme Experimental” do ano (prêmio até então inédito) e merecedor de um prêmio especial no Festival de Veneza “pela inovação digital proposta em sua concepção”, IMPÉRIO DOS SONHOS, ao contrário de outros filmes de David Lynch, praticamente não possui dentro de si chaves que possibilitem um melhor entendimento. Hermético e bizarro, se comporta como os sonhos mais confusos e problemáticos que temos, indo do pesadelo ao descanso total em questão de instantes, para depois retomar condições até então esquecidas. Dern, a grande estrela da obra, se entrega de corpo e alma à visão aparentemente desconexa do diretor, aceitando todas as propostas de forma integral. Cada mudança dela é tão intensa quanto discreta, mostrando que é no interior de cada um onde se escondem os verdadeiros medos e desejos. E quem quiser embarcar nesta viagem não deve temer os bocejos, a frustração e a incompreensão, assim como deve estar pronto para os pequenos prazeres dispostos aleatoriamente durante o desenrolar da ação. Ganha quem aceitar mais – e procurar entender menos!

Inland Empire, EUA, 2006
(nota 5)

“3 Efes”

domingo, janeiro 6th, 2008

3-efes04Carlos Gerbase é um dos maiores nomes do cinema gaúcho. Ponto. Isso poucos discutem. Mas sua importância está muito mais relacionada ao pioneirismo e à produtividade do que exatamente pela qualidade de seus trabalhos. Tem relevância pelos primeiros longas, lá no início dos anos 80, como “Inverno” (1983) e “Verdes Anos” (1984), por ter sido um dos fundadores da Casa de Cinema de Porto Alegre, produtora que completou 20 anos de atividades no ano passado, e por ter realizado algumas das mais destacadas obras no Rio Grande do Sul após a retomada do cinema nacional lá pela metade dos anos 90, como “Tolerância” (2000) e “Sal de Prata” (2005). Mas estes são bons filmes? Esta questão provoca dúvidas e debates. E seu novo trabalho, o independente “3 Efes”, segue o mesmo caminho.
 
Filmado em apenas 20 dias, da forma mais rápida e barata possível (especula-se que tenha custado menos de 100 mil reais), em vídeo digital e com equipe e elenco totalmente gaúcho – muitos alunos do próprio diretor no curso de graduação em Cinema da PUC-RS – “3 Efes” é para Gerbase o que “Houve Uma Vez Dois Verões” (2002) foi para seu colega Jorge Furtado: uma obra pequena, porém não menor, que de forma descompromissada e discreta consegue explorar melhor suas possibilidades, revelando um domínio da linguagem cinematográfica mais apurada e centrando-se no que realmente importa: no roteiro e no desempenho dos atores e técnicos.
 
Se “Tolerância” pretendia marcar o cinema policial brasileiro, partindo da nova composição familiar moderna, “Sal de Prata” era ainda mais filosófico, tentando ousar a partir de um ponto de vista interno da sétima arte, discutindo a estrutura da imagem na ficção audiovisual, com elementos de morte e romance (para ficarmos somente entre os dois filmes anteriores do cineasta). Já “3 Efes” tem como argumento uma teoria mais divertida do que pretensiosa: a de que todo ser humano é regido por três instintos básicos, palavras essas iniciadas com a letra “F”: fome, foda e fasma (que, apesar de não ter no meu dicionário, teria origem no grego – ou seria latim? – e significaria “representação, vaidade, máscaras sociais que assumimos diante as mais diversas situações”). Assim, ele nos coloca diante uma moça que sozinha precisa sustentar o irmão mais novo e o pai desempregado. Cansada do trabalho, decide aceitar o convite de uma amiga para trabalhar como prostituta. Ao mesmo tempo, descobre que há um histórico familiar no assunto – sua tia, hoje casada, fazia programas quando mais nova. Esta, por sua vez, se sente atraída por um papeleiro, ao mesmo tempo em que o marido dela irá fazer uso do seu poder sexual para tentar manter o emprego.
 
3-efes05Em resumo, o que temos é uma comédia de erros clássica, com desencontros, confusões e trapalhadas. Porém, ao lado do humor leve, há também uma certa dose de crítica social, levantando pontos de vistas pertinentes ao nosso universo contemporâneo: o que vale mais, barriga cheia ou valores éticos tradicionais? O que compõe uma verdadeira família? Até que ponto estamos dispostos a “interpretar” para atender necessidades básicas? Gerbase, por mais que tente confrontar e inovar, é, na verdade, até um pouco conservador em suas preocupações.
 
“3 Efes” chamou atenção também por ter sido lançado de forma simultânea em quatro mídias distintas: cinema (em cópias digitais), em dvd (para locação e venda), na tv (no Canal Brasil e na TVCOM-RS) e pela internet (para download no site oficial). Ou seja, só não viu quem realmente não quis. A experiência parece ter sido bem sucedida, já que só os contratos de venda para tv, dvd e internet garantiram os custos da produção, sem precisar esperar pelos resultados das bilheterias. Mesmo assim, não é um caminho definitivo a ser seguido, e que parece poder se aplicar somente a alguns casos mais específicos, como este. Não que vá gerar tendência, mas ainda assim é um exemplo a ser estudado. E se artisticamente o filme não chega a se destacar, ao menos consegue se posicionar de modo bem mais confortável dentro do currículo do seu realizador. O que, convenhamos, também não quer dizer tanta coisa assim.
 
3 Efes, Brasil, 2007
De Carlos Gerbase
Com Cris Kessler, Paulo Rodrigues, Ana Maria Mainieri, Felipe de Paula, Carla Cassapo, Leonardo Machado, Fábio Rangel, Julio Andrade, Artur Pinto, Aníbal Damasceno Pereira 
 
(nota 6)
 

 

 

 

O Mundo em Duas Voltas

sábado, janeiro 5th, 2008

O documentário nacional tem se revelado, nos últimos tempos, como um campo fértil para as mais diversas experimentações. Há os tratados históricos (“Cartola”), políticos (“Pro Dia Nascer Feliz”), entrevistas (“Oscar Niemeyer – A Vida é um Sopro”), esportivos (“Inacreditável – A Batalha dos Aflitos”) e reveladores (“Estamira”). Faltava apenas os turísticos, de descobertas transformadoras. Isso, claro, até o lançamento de O MUNDO EM DUAS VOLTAS, o relato da aventura da Família Schürmann, que no final da década de 90 repetiu os passos do navegador português Fernão de Magalhães na primeira volta ao mundo, no início do séc. XVI.

Eles saíram do Brasil, contornaram a Patagônia, entraram Oceano Pacífico adiante, foram até a Ilha da Páscoa, costearam várias ilhas da Oceania, passaram pela África, subiram até Portugal e Espanha, para somente aí, quase três anos depois, retornarem à nação verde-e-amarela. Uma travessia bastante singular, que trouxe consigo diversas revelações e novidades.

A realização de O MUNDO EM DUAS VOLTAS tomou um período de 10 anos, entre concepção da idéia, execução do percurso e pós-produção. Durante a viagem o veleiro Aysso percorreu mais de 30 países, quatro continentes e três oceanos. Foram cerca de 60 mil quilômetros em 891 dias de viagem. E quem coordenou as filmagens foi um dos filhos do casal Schürmann, David. Ele, que já havia vivido no mar dos 10 aos 15 anos ao lado dos pais Vilfredo e Heloísa, estudou cinema e televisão na Nova Zelândia e estréia como diretor neste projeto. Ele apresenta um resultado bastante positivo, principalmente visando o lado cultural e curioso, deixando o cinematográfico num segundo plano, aproximando-se mais de uma grande reportagem ou de um vídeo familiar.

O documentário pode ser acompanhado como uma história de ficção. O espectador é colocado ao lado dos navegadores na estranheza do frio do sul, deslumbra-se com as belezas naturais do oriente e encanta-se com cada nova descoberta, assim como se espanta com os costumes exóticos e com os perigos enfrentados. Desse modo, o filme basta-se satisfatoriamente. Enquanto cinema, por outro lado, não apresenta nada de novo ou extraordinário. Como disse o próprio produtor Fabiano Gullane, durante o lançamento do filme em Porto Alegre, “este longa foi feito para o público, e não para a crítica“.

Sendo assim, espera-se que aquele que se aventurar pelos mares de O MUNDO EM DUAS VOLTAS fique tão envolvido pelo que vai sendo vislumbrando nesta fantástica jornada quanto a própria Família Schürmann. Narrado na primeira pessoa pelos próprios protagonistas, o filme ganha com o paralelo traçado à viagem de Magalhães, através das belas ilustrações de Laurent Cardon e pelo competente, principalmente por ser bastante simples e direto, roteiro de Luis Bolognesi (BICHO DE SETE CABEÇAS). Sem muitos rodeios, nós próprios somos levados nesta aventura. O que se faz aqui é, sim, uma volta ao mundo cultural, turística, histórica e reveladora. Não é muito cinema, mas quem foi que disse que isso chega a ser um pecado?

O Mundo em Duas Voltas, Brasil, 2007

(nota 7,5)

 

Oscar Niemeyer – A Vida é um Sopro

sábado, janeiro 5th, 2008

“É possível contar a história de um povo através da sua arquitetura?” Com essa premissa bastante ambiciosa começa o material de divulgação do filme A VIDA É UM SOPRO, trabalho de estréia na direção do gaúcho Fabiano Maciel, há anos radicado no centro do país. E tendo essa intenção em mente, o realizador não poderia ter sido mais feliz na escolha do personagem enfocado: Oscar Niemeyer, um dos maiores arquitetos da História e um dos grandes gênios já nascidos no Brasil, reconhecido internacionalmente pela contribuição que sua obra gerou à arte e ao desenvolvimento arquitetônico mundial.

O melhor, como não poderia ser diferente, foi a sábia decisão de Maciel em deixar o próprio Niemeyer como protagonista. Ou seja, apesar de um belo trabalho de pesquisa, o longa não se apóia em imagens antigas, depoimentos de outros e descobertas garimpadas a muito custo. Esse tipo de material e recurso até existe, mas está presente apenas como ilustração, e não como alicerce. Quem oferece esta base é, claro, Niemeyer, que está vivo e bastante lúcido aos 99 anos de idade (ele completa um século de vida no dia 15 de dezembro de 2007). O diretor afirma ter feito várias entrevistas, durante alguns encontros em pouco menos de uma semana, com um total de aproximadamente 400 perguntas. Niemeyer respondeu apenas as que lhe interessava. E, com estas respostas, estava recolhida a matéria-prima para um dos mais interessantes e curiosos documentários nacionais recentes.

Nestes 99 anos, Niemeyer calcula ter feito algo em torno de 1000 projetos, sendo que 600 destes chegaram a ser executados. Todos os mais importantes, que fizeram do seu nome referência mundial, estão presentes: Pampulha, em Minas Gerais, Brasília, a sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, a sede do Partido Comunista, em Paris, a Universidade de Argel, na Argélia, o Museu de Arte Moderna de Niterói, no Rio de Janeiro. Ainda assim, poucos exemplos de uma carreira que quebrou barreiras e gerou novos conceitos, dentro e fora do seu campo de atuação. O espectador interessado neste ponto de vista sairá mais do que satisfeito, pois o filme oferece um amplo painel de quem foi e o que representou o arquiteto. Mas o discurso empregado não se contenta só com isso; há mais, muito mais. E assim temos a chance de nos depararmos com um Niemeyer falível, crítico, por vezes desiludido, desbocado, audacioso, consciente de sua importância e dos feitos que protagonizou.

A VIDA É UM SOPRO é uma aula de história, de cultura, de sociedade e desenvolvimento, mas, acima de tudo, de vida. E além do clichê mais comum do gênero. Não porque iremos nos inspirar nos caminhos percorridos pelo mestre retratado. Afinal, alguém como ele não nasce todos os dias. Mas, sim, por nos mostrar que mesmo os mais sábios são passiveis de erros e de pequenas falhas, como desprezo e orgulho. E, tornando-o humano, Fabiano Maciel conseguiu fazer do Oscar Niemeyer que escolheu ainda mais universal. Uma decisão no mínimo inteligente. E, quem ganha, além dos realizadores e do público, é o filme em si, que adquire uma dimensão ainda mais imprescindível.

Oscar Niemeyer – A Vida é um Sopro, Brasil, 2007

(nota 8)

 

Hércules 56

sábado, janeiro 5th, 2008

Silvio Da-Rin é um profissional bastante reconhecido no meio cinematográfico nacional. Apesar de ter dirigido o documentário em média-metragem A IGREJA DA LIBERTAÇÃO, sobre o trabalho do Frei Leonardo Boff, em 1985, é muito mais conhecido pelo trabalho que desenvolve no departamento de som, tendo aparecido nos créditos de importantes produções, como MAUÁ – O IMPERADOR E O REI (1999), AMORES POSSÍVEIS (2001), SEPARAÇÕES (2002) e QUASE DOIS IRMÃOS (2004), entre tantos outros. Estava, portanto, mais do que na hora de colocar, novamente, o seu próprio ponto de vista em uma narrativa. Por isso, foi com entusiasmo que os cinéfilos brasileiros receberam a estréia de Da-Rin em longas com HÉRCULES 56, que também segue a veia documental explorada anteriormente em suas manifestações mais autorais.

O episódio aqui enfocado não é estranho àqueles acostumados a apreciar o cinema feito no Brasil. Quem lembra de O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? (1997) deve estar familiarizado com a história do seqüestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, no Rio de Janeiro, em 1969, por um grupo de manifestantes contrários à ditadura militar. HÉRCULES 56 é a versão em documentário deste mesmo episódio. Sem suspense ou fantasias históricas, temos de um lado os organizadores deste ato de terrorismo e manifestação social e, do outro, os diretamente beneficiados pela ação. Ou seja: os ex-presos políticos que foram soltos em troca da libertação do embaixador. E entre estes dois momentos isolados, uma impressionante pesquisa de imagens e arquivos da época.
Da-Rin constrói seu filme de um modo absurdamente simples: reuniu numa mesma mesa todos os sequestradores e os colocou a discutir o assunto. Sem interferências, deixaram o verbo correr e assim revelam fatos surpreendentes, assim como curiosidades ou pequenos detalhes que até tornam pitoresco um fato de dimensão muito mais séria do que a tranquilidade dos envolvidos poderia sugerir. Esta é a metade mais forte, digamos assim. Da outra destaca-se o árduo trabalho de campo executado em busca dos sobreviventes e na reconstituição dos passos destes após terem sido postos em liberdade: embarcaram no avião da Força Aérea Brasileira Hércules 56 e foram extraditados para o México. Dali, seguiram caminhos diferentes, entre os que permaneceram na militância e os que seguiram trilhas mais pessoais. Aqui o foco fica um pouco distorcido, mais preocupado com a veracidade dos fatos do que com a reflexão que poderiam oferecer.

HÉRCULES 56 é uma obra de grande importância no cenário cultural e político nacional. Com depoimentos de Franklin Martins, Flávio Tavares, Vladimir Palmeira e até do ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, traça um painel bastante completo de uma jogada relativamente inocente, mas que obteve proporções muito maiores à medida em que se desenvolvia, adquirindo um relevância até hoje marcante. A se lamentar apenas a falta de uma maior profundidade teórica nos discursos. Nada, no entanto, que vá afugentar o espectador verdadeiramente interessado. Tanto que o filme foi premiado pelo júri popular no Festival de Cinema de Campo Grande e, notoriamente, foi escolhido para ser exibido, fora de competição e sob fortes aplausos, no encerramento do último Festival de Brasília.

Hércules 56, Brasil, 2006
(nota 7)

 

Os 12 Trabalhos

sábado, janeiro 5th, 2008

Conheci Ricardo Elias durante o Festival de Cinema de Gramado de 2003. Eu estava trabalhando na cobertura do evento, e Elias participava com o primeiro filme dele, DE PASSAGEM. Era o típico concorrente azarão, que ninguém conhecia nem tinha ouvido falar. Uma história simples – dois amigos atravessando a cidade de São Paulo durante um dia, numa espécie de road movie urbano – e com atores praticamente desconhecidos. Pois de “mais um” ele virou “O” vencedor, levando 5 kikitos: Melhor Filme, Diretor, Ator Coadjuvante (Fábio Nepô), Roteiro e Prêmio da Crítica.

Consagração total. Por isso a expectativa ter sido tão grande em relação ao trabalho seguinte dele. E, felizmente, posso afirmar: OS 12 TRABALHOS é superior à DE PASSAGEM!

O cineasta mais uma vez foca seu olhar num grande centro urbano – São Paulo, claro – e da mesma forma, prestando atenção àqueles que vivem às margens dos acontecimentos: desta vez, são os motoboys. Parcela da classe trabalhadora freqüentemente desprezada, seja por um preconceito arraigado – são todos malandros, bandidos ou coisa pior – mas, ao mesmo tempo, muito solicitada – como fazer negócios hoje em dia sem o auxílio desses imprescindíveis “leva-e-traz”? Tendo como base o mito grego dos 12 trabalhos de Hércules, o filme tem como protagonista Herácles (o novato Sidney Santiago, premiado no Festival do Rio 2006 e no CinePE 2007 como Melhor Ator), um jovem recém saído da FEBEM que deve provar, em um dia, ser capaz do emprego num serviço de entregas, enquanto vai se esquivando dos problemas deste cotidiano, como clientes irresponsvéis, colegas de trabalho pouco confiáveis e seus próprios anseios profissionais.

O melhor de OS 12 TRABALHOS é sua história, bastante simples e direta. Ao mesmo tempo, os personagens são reais, verossímeis, com dramas pessoais e ricos em detalhes, contribuinido para a identificação do público com os dilemas por eles enfrentados – quem nunca lutou por um novo trabalho, para ser reconhecido por seus esforços e para vencer adversidades inesperadas com criatividade e um pouco de sorte? Ricardo Elias conduz sua história sem se intrometer no caminho, de forma discreta e sábia. Ele abre espaço, e o enredo e os atores se encarregam do resto, numa sintonia exemplar.

Com participações interessantes de Lucinha Lins, Vanessa Giácomo, Vera Mancini, Cacá Amaral e Cynthia Falabella, OS 12 TRABALHOS conta também com uma boa atuação do gaúcho Flávio Bauraqui (MADAME SATÃ), premiado como Melhor Ator Coadjuvante no último Festival de Recife, o CinePE. Este longa foi premiado também nos festivais de cinema de San Sebástian (Espanha) e de Havana (Cuba). Um competente exemplo do que se está produzindo hoje no Brasil, um filme preocupado socialmente e ainda assim interessante como entretenimento inteligente. Se continuar neste ritmo, Elias tem tudo para ser um dos nomes mais fortes dessa nova geração de cineastas nacionais que está se formando. Que venha mais, e logo!

Os 12 Trabalhos, Brasil, 2006

(nota 7,5)

 

Cidade dos Homens

sábado, janeiro 5th, 2008

Uma das maiores – e mais bem-sucedidas – sagas do cinema brasileiro chega ao fim com CIDADE DOS HOMENS. Porém, ao contrário do que muitos possam pensar, este filme não é continuação de CIDADE DE DEUS, e sim o ponto final de um projeto que começou antes ainda, em 2002, com o curta PALACE II. Este projeto apresentou pela primeira vez os personagens Acerola (Douglas Silva) e Laranjinha (Darlan Cunha), dois garotos favelados. As histórias por eles protagonizadas continuaram na série de tv “Cidade dos Homens”, que teve quatro temporadas de excelente retorno crítico e de audiência na Rede Globo, e se encerra agora na tela grande. E ao contrário do que se poderia supor, o que temos em cena não é um episódio alongado, mas sim uma trama independente e relevante, que merecia ser contada numa mídia mais específica, concluindo em alto estilo esta epopéia.

Se PALACE II (dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund e roteirizado por Bráulio Mantovani e Paulo Lins, a mesma equipe por trás de CDD) serviu como um laboratório ao aclamado longa de Meirelles – que somou em sua excepcional carreira quatro indicações ao Oscar, mais de três milhões de espectadores no Brasil e cerca de US$ 27 milhões de dólares de arrecadação mundial nas bilheterias – foi somente com o este desdobramento – o próprio “Cidade dos Homens”, seja no cinema, seja na televisão – que algumas questões mais íntimas e urgentes desse microcosmo puderam ser melhor trabalhadas. Proporcionando, deste modo, um olhar mais complacente e, ao mesmo tempo, crítico.

CIDADE DOS HOMENS, o filme, traz ao centro da discussão um dos temas mais caros e recorrentes dentre a população enfocada: a ausência paterna. Enquanto Acerola está aprendendo a ser pai logo aos 18 anos, Laranjinha recebe a maioridade com uma inquietação: quem é – ou foi – seu pai? Os dois, amigos desde a infância, tentaram juntos aprender como responder estas inquietações. O fato de termos acompanhado a evolução dos dois personagens é extremamente gratificante, pois se crescemos ao lado deles, melhor compreendemos as motivações que os guiam. E para isto não se faz necessário ter assistido a tudo já produzido com eles: o uso de flashbacks pelo enredo é muito bem articulado, colocado em momentos cruciais e sem exploração. O excelente arquivo natural é posto à serviço do roteiro, contribuindo positivamente para todos os envolvidos.

Fernando Meirelles, após o sucesso internacional de CDD, tem se envolvido cada vez mais em projetos hollywoodianos, como o elogiado O JARDINEIRO FIEL e o ainda inédito BLINDNESS. Assim, ele assume como produtor, abrindo espaço para o sócio dele na produtora O2, Paulo Morelli (VIVA VOZ), tomar conta da direção de CIDADE DOS HOMENS. A transferência de mão pouco se sente, e o resultado apresentado é muito satisfatório. O que carece em CDH é a ambição, ousadia, originalidade e, acima de tudo, ineditismo presente no filme anterior, que provocou outros olhares, opiniões e reflexões sobre o cinema feito no Brasil. Este novo filme não quer traçar um painel grandioso sobre um problema social – não, a vez agora é de narrar o que acontece a dois moradores daquele universo, propondo uma visão mais íntima e, ainda assim, universal.

CIDADE DOS HOMENS não é o melhor filme do ano. Não é inesquecível ou revolucionário. Mas é um alento dentro de uma temporada de poucas surpresas. E, acima de tudo, é um trabalho honesto e sincero, que cumpre com honra o que se propõe, se posicionando como mais uma peça dentro de um contexto maior e que está firmado no cenário cinematográfico nacional. Sua ascendência é intimidante, mas ninguém aqui ficou aquém do esperado, e o que temos é uma obra singular, competente e digna de méritos próprios.

Cidade dos Homens, Brasil, 2007
(nota 8)

 

Notas Sobre um Escândalo

quinta-feira, janeiro 3rd, 2008

Cate Blanchett e Judi Dench são duas das maiores atrizes da atualidade, e disso ninguém tem dúvida. Portanto, quando surgiu a notícia de que elas estariam juntos num mesmo filme, como não deixar as expectativas subiram nas alturas? E NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO, o resultado deste encontro, é uma grata surpresa – mesmo que, infelizmente, provoque alguma decepção. Mesmo assim, o resultado geral justifica qualquer lamentação, e qualquer deslize é ínfimo e não chega perto de marcar negativamente o trabalho impecável das duas – ambas, felizmente, indicadas ao Oscar.

Primeiro, fui ler o livro. Best seller de Zöe Heller, foi lançado no Brasil com o título ANOTAÇÕES SOBRE UM ESCÂNDALO, pela Editora Record. Aliás, este é um hábito que tenho, sempre procuro pautar minhas leituras em futuros lançamentos cinematográficos. E o livro é… MUITO BOM! Muito bom, mesmo! Conta, com riqueza de detalhes, a história de uma professora que entra numa escola inglesa com a missão de ensinar artes. Ela tem pouca experiência, e acaba criando uma amizade com uma das mais antigas professoras do lugar, uma solteirona que se encanta com a atenção recebida e passa a desenvolver um interesse “especial” pela nova colega, numa fixação que combina atração sexual com extremos de carência. Porém este desejo logo se transforma em revolta quando descobre o tal “escândalo” do título: a novata acabou tendo um caso com um dos alunos, um garoto de 15 anos. Na posse deste segredo, passa a manipular a ‘amiga’ para obter dela tudo que deseja: carinho, dedicação, companheirismo. Porém, num passo em falso, coloca tudo a perder numa tentative fútil de vingança. E, com tudo revelado, terá que agir com cuidado para manter o que havia “conquistado” até então.

A adaptação de Patrick Marber (autor de CLOSER-PERTO DEMAIS), num roteiro indicado ao Oscar, e a direção de Richard Eyre (dos ótimos A BELA DO PALCO e ÍRIS), respeitam rigidamente a estrutura do romance, porém preferem centrar a atenção nos desempenhos irrepreensíveis das atrizes do que na ação discorrida. Ou seja, esta é a maior falha da versão cinematográfica: sua pouca duração (são apenas 90 minutos) para um drama que discorre por quase 400 páginas literárias. Os eventos inevitavelmente terminam por se atropelarem, e o espectador, ainda mais aquele que desconhece a trama previamente, deve ficar com algumas questões mal resolvidas em mente – dados estes que estão no livro, e não na tela.

Mas, ao assistir a um filme, devemos pensar nele enquanto obra cultural independente, e não ligada a uma outra fonte, seja ela uma peça teatral, um fato real, uma música, uma notícia de jornal ou, claro, um livro. E, enquanto produto cinematográfico, NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO é, sim, acima da média. Só pela trilha sonora de Philip Glass (KUNDUM), também indicada ao Oscar, já valeria o ingresso. Mas o maior mérito é mesmo conferir Dench e Blanchett, no auge de suas formas, dando vida a duas personagens complexas, interessantíssimas e bastante singulares. Cada meio olhar, cada movimento no cabelo, cada roçar de dedos… tudo tem relevância na atuação delas. Na festa do Oscar, Judi enfrentou um peso-pesado (a fabulosa Helen Mirren, por A RAINHA), mas ver Blanchett perder sua estatueta para a impactante, porém melhor cantora do que atriz, Jennifer Hudson (DREAMGIRLS), me remete a quando Catherine Zeta-Jones (CHICAGO) ganhou o Oscar que deveria ter sido de Meryl Streep (ADAPTAÇÃO). São estrelas da vez, que acabam por obscurecer trabalhos superiores, porém encarados de forma mais “convencional”. E injustiças assim não são excessões, e na história do maior prêmio da indústria cinematográfica mundial elas se repetem com uma freqüência muito maior do que gostaríamos. E não há nada a ser feito a respeito, além de alertas como este.

NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO pode ser um pouco apressado, deixando alguns elementos no ar, mas é um impactante estudo sobre a solidão humana, e como tal deve ser percebido. Com duas fantásticas atrizes à frente do elenco, é daqueles filmes que merecem ser vistos com carinho e muita delicadeza. Pode não ter ganho nenhum dos quatro Oscars a que concorria, mas certamente irá ganhar um espaço importante entre outros iguais, como o perturbador O QUE TERÁ ACONTECIDO A BABY JANE? e o belo AS HORAS.

Notes on a Scandal, Reino Unido, 2006
(nota 8,5)

 

P.S. Eu Te Amo

quinta-feira, janeiro 3rd, 2008

Existem atrizes e atrizes, boas e más. Entre as boas, há aquelas melhores, que sabem fazer praticamente tudo (como Meryl Streep, para fazer uma escolha óbvia) e outras nem tanto, que são boas somente num tipo de personagem. Neste caso está Hilary Swank. Duas vezes vencedora do Oscar de Melhor Atriz, em ambos trabalhos premiados ela interpretava personagens duros, masculinizados (a garota que queria ser rapaz em MENINOS NÃO CHORAM e a lutadora de boxe de MENINA DE OURO). Portanto, quem a conhece minimamente sabe que, com este perfil, ela, definitivamente, nada tem a ver com o universo das comédias românticas. Portanto, partindo deste consenso, não é difícil imaginar o tamanho do desastre que é este P.S. EU TE AMO.

Swank está numa posição bastante desconfortável em Hollywood. Ela foi tão rapidamente – em menos de 10 anos – da posição de total desconhecida para a condição de uma das atrizes mais premiadas da América. Assim, ela simplesmente não pode se deixar envolver em qualquer projeto, da mesma forma que não conseguiu construir para si uma “persona” no mundo do cinema, uma carreira de “tipos” com os quais ela, assim como o público e a indústria, se identificasse além dos dois mais notórios. Pequenas participações de luxo em semifracassos como O DOM DA PREMONIÇÃO (2000) e DÁLIA NEGRA (2006) pouco contribuíram, mas ainda assim causaram menos prejuízo do que as bombas que contavam com ela em personagens heróicos (O NÚCLEO, 2003) ou misteriosos (A COLHEITA DO MAL, 2007). De destaque, mesmo, somente a coadjuvante de INSÔNIA (2002), ao lado de Al Pacino e Robin Williams, e um pequeno filme inspirado numa história real e lançado diretamente em dvd no Brasil: ESCRITORES DA LIBERDADE (2007).

Ao observarmos esta trajetória, talvez se entenda um pouco melhor o porquê de P.S. EU TE AMO. É a primeira vez que interpreta uma heroína romântica (terreno que fez a popularidade e a fortuna de estrelas como Julia Roberts, Sandra Bullock e Meg Ryan, por exemplo). E, por outro lado, está retribuindo um favor ao diretor Richard LaGravenese, responsável por este e pelo mais bem sucedido ESCRITORES. Se esse filme ele fez para ela – era um projeto pessoal dela – este mais recente atende a uma vontade de dele (e dela também, vamos combinar) de se tornar viável comercialmente. O problema é que, mesmo tendo por trás uma estratégia tão planejada, o resultado é frustrante, impossibilitando qualquer maior ambição.

P.S. EU TE AMO já começa errado: com o casal de protagonistas, Swank e Gerard Butler (300), discutindo. Percebe-se que os dois estão juntos há mais de uma década, e estes últimos anos não foram tão bons com eles – onde foram parar os sonhos da juventude? Após corte brusco, estamos no enterro dele, e ela acredita não ter mais razão para viver. Mas um plano desenvolvido antes da morte irá ajudá-la: no dia seguinte passam a chegar pelo correio cartas dele, enviadas não sabe-se por quem, mas que lhe repassam recados de como ele via a vida, e mais importante, de como ela deve reaprender a viver. Todas estas mensagens, obviamente, assinadas com um “p.s.: eu te amo”.

Se Swank e Butler não possuem a menor química juntos, os coadjuvantes se saem ainda pior. Lisa Kudrow (FRIENDS) e Gina Gershon (A OUTRA FACE) não convencem em nenhum instante como “melhores amigas”: cada uma quer aparecer mais do que a outra com tiradas cômicas superficiais, dificultando a identificação com o espectador. Harry Connick Jr. (WILL AND GRACE) e Jeffrey Morgan (GREY’S ANATOMY), ambos como prováveis candidatos ao coração da protagonista, estão desajeitados e pouco interessantes em suas intenções. Já a também oscarizada Kathy Bates parece deixar claro no mal humor de sua personagem sua insatisfação com estes papéis medíocres de “mãe de alguém” (como foi de Matthew MacConaughey em ARMAÇÕES DO AMOR). E se não há diversão do lado de lá da tela, imagina entre quem está estático sentado diante de todo este constrangimento!

P.S. I Love You, EUA, 2007
(nota 4,5)

About Me

Here I'll share my knowledge, discovery and experience related to my hobby and work. Most articles on this site are related to blog design, short reviews, tips and make money online. More

Want to subscribe?

 Subscribe in a reader Or, subscribe via email:
Enter your email address:  
Find entries :