“A Múmia – Tumba do Imperador Dragão”

Por: Robledo Milani
categorias: Críticas, Película
Data: sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Os dois primeiros filmes, de 1999 e 2001, já não eram grande coisa, e mesmo assim geraram um spin off (“O Escorpião Rei”, de 2002). Então não chega a ser nenhuma novidade a realização deste terceiro episódio da série “A Múmia”. Mas o que mais surpreende é o fato de “Tumba do Imperador Dragão” conseguir ser ainda pior do que qualquer um dos três anteriores. E olha que condições não faltaram. Além do astro original, Brendan Fraser, retomar seu papel de maior sucesso, foram gastos inacreditáveis US$ 175 milhões, para um resultado que deixa a desejar em todos os aspectos.

“Tumba do Imperador Rei” se passa exatamente após o mesmo período que separa este filme e “O Retorno da Múmia”: 7 anos depois. Rick (Fraser) e Evelyn O’Connell (Maria Bello, substituindo Rachel Weisz, que se recusou a participar desta continuação por divergências no roteiro – sábia decisão!) estão casados e levam uma vida pacata no interior da Inglaterra. Já o filho adolescente dos dois (o apático e desconhecido Luke Ford), sem que eles saibam, acaba trilhando o mesmo caminho dos pais, e participa de uma descoberta arqueológica importantíssima na China: a localização da tumba do imperador dragão e de seus guerreiros Terracota. Este argumento é inspirado num fato verídico, a tumba do primeiro imperador da Dinastia Qin, em Xi’an. Estes artefatos são disputados por mafiosos locais que desejam trazer o antigo imperador de volta à vida. E, é claro, só os nossos conhecidos aventureiros poderão enfrentar tal ameaça.

Apesar de “A Múmia” e “O Retorno da Múmia” terem sido dirigidos por Stephen Sommers e de “O Escorpião Rei” ter contado com Chuck Russell no comando, quem assumiu a função em “A Múmia 3” foi Rob Cohen, com Sommers apenas produzindo. Cohen tem no currículo outras obras igualmente descartáveis, como “Daylight” (1996), “Velozes e Furiosos” (2001) e “Triplo X” (2002). E desta vez ele entrega mais um passatempo repleto de exageros e conteúdo nulo, mais ou menos seguindo a linha dos trabalhos assinados por Michael Bay. Há efeitos especiais em profusão, Fraser com a mesma cara de pateta de sempre (como no recente “Viagem ao Centro da Terra”) e pouquíssimo espaço em cena para o vilão vivido por Jet Li, que tem escassas oportunidades de mostrar o seu melhor – ou seja, lutando. O que deveria ser o clímax da história, o embate entre os dois, termina por ser reduzido a um confronto de acrobacias desenhadas e tensão zero.

Um bom sinal de que talvez estejamos diante do ponto final das aventuras de “A Múmia” é o retumbante fracasso deste terceiro filme nos Estados Unidos: além de ter sido massacrado pela crítica, a arrecadação nas bilheterias, no primeiro mês de exibição, foi inferior à metade do orçamento total. Claro que tendo um “Batman – O Cavaleiro das Trevas” como concorrente não ajudou muito, mas mostra bem o tamanho do pastel de vento que é este filme. “Tumba do Imperador Rei” não emociona, não convence nem entretém. E o seu destino, felizmente, parece ser o esquecimento mais breve possível. Nada mais justo.

The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor, EUA, 2008
De Rob Cohen
Com Brendan Fraser, Jet Li, Maria Bello, John Hannah, Michelle Yeoh, Luke Ford

(nota 3,5)

Robledo Milani é crítico de cinema, formado em Comunicação Social pela UFRGS. Já teve textos publicados em jornais, revistas e em diversos sites pela internet, além de ter trabalhado em rádio e em televisão. Robledo Milani é membro fundador da ACCIRS, Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul.
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